Crítica: A Casa do Medo – Incidente em Ghostland (2018)

A Casa do Medo - Incidente em Ghostland

Numa homenagem aos clássicos filmes slashers, A Casa do Medo – Incidente em Ghostland tem pouco ao dizer sobre seus personagens mas muito a incomodar e entreter os amantes do gênero.

Lançamento: 18 de outubro de 2018
Direção: Pascal Laugier
Elenco: Emilia Jones, Taylor Hickson, Mylène Farmer

Sinopse:

A trama de A Casa do Medo: Incidente em Ghostland segue a história de uma família de três mulheres. A mãe Pauline (Mylène Farmer) acabara de herdar a casa de sua tia no meio do nada e então decide morar lá com suas duas filhas Beth (Emilia Jones) e Vera (Taylor Hickson). Logo na primeira noite, o lugar é atacado por dois maníacos violentos. Temos o nosso filme.

Atualmente, vivemos num momento específico ao se tratar de spoilers ou vazar informações cruciais da trama de um filme. Muitas vezes sendo vítima do próprio trailer. A Casa do Medo: Incidente em Ghostland, tem uma premissa simples e direta que coloca o horror psicológico sem sentido e violento, verdadeiro protagonista da trama.

O filme do francês Pascal Laugier chega, após seu, excelente último trabalho, “Homem Nas Trevas” (2012), trazendo sets caprichados e a presença de bonecas tétricas usadas como ambientação. No entanto, apesar das intenções, o resultado vai da originalidade à mesmice em questão de minutos, as bonecas e toda a direção de arte se fazem presentes de maneira intencional.

O diretor sabe o que está fazendo e ainda sabe como incomodar criando a tensão envolta da atmosfera claustrofóbica. O concreto e o imaginário acabam sendo levantados, por um breve momento, como fio condutor e possível grande diferencial da narrativa, buscando abordar os efeitos de um trauma psicológico. Laugier parece não estar interessado em seguir essa vertente narrativa e coloca o filme em uma subcategoria já estagnada do terror: a fuga de cativeiro.

E como já é de conhecimento, esses filmes costumam explorar de uma maneira claramente misógina, especialmente quando as personagens sexualmente ativas. O que prejudica A Casa do Medo – Incidente em Ghostland diretamente , são performances e profundidade das personagens. Há alguns elementos aqui e ali, mas não o suficientemente crível.

Os dois maníacos antagonistas, sem nem mesmo um nome para os identificar, servem apenas de fazê-as sofrer e justificar o sadismo sem sentido presentes em todas as cenas em que aparecem. Sem um passado, fica difícil acreditar que uma dupla tão caricata e sem cuidado seja capaz de agir durante um longo tempo sem ser capturada.

Há um curtíssimo momento onde um recorte do jornal anuncia que “assassinos assustam a cidade”. É tudo o que sabemos sobre eles. Incapazes de serem compreendidos pelo público.

Por algum momento pode se pensar se tratar de uma sátira do subgênero slasher, a qual se enquadra colocando esses vilões e os associando a problemas mentais resultantes de uma doentia relação mãe filho. Temos uma alusão a Psicose (1960) do Hitchcock. Mas ter uma personagem trans maníaca em um filme de horror, sem lhe dar qualquer tipo de contexto, serve apenas para reforçar o estereótipo de associação à doenças mentais que a comunidade luta para combater.

Uma importante e, talvez única, conquista além de explorar o sadismo sem justificativa causando bons sustos, é abordar o tema da cumplicidade feminina.

A Casa do Medo – Incidente em Ghostland tem seus méritos em entreter aqueles menos preocupados com questões de representatividade. Ao final é mais sobre a força de suas protagonistas do que sobre a brutalidade que elas sofrem. Extremamente perturbador, como realmente pretende ser, infelizmente nem sempre pelos motivos certos.

Galeria:

Trailer:

Filmmaker, atual residente na Shondalandia, cinéfilo em ascensão e virginiano por natureza metido a critico.

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