Crítica: A Forma da Água (2018)

“Incapaz de definir a tua forma, eu a vejo ao meu redor, sua presença enche meus olhos com o seu amor e acalanteia o meu coração, pois tu está presente em todos os lugares.”

Data de Lançamento: 1 de Fevereiro de 2018

Direção: Guillermo del Toro

Elenco: Sally Hawkins, Michael Shannon, Richard Jenkins, Doug James, Octavia Spencer, Michael Stuhlbarg

Sinopse:

Elisa Esposito (Sally Hawkins) é uma muda faxineira que trabalha em um laboratório de pesquisa do governo em Baltimore. Em um determinado dia, a instalação recebe para estudos uma criatura humanoide aquática trazida da Amazônia. Acostumada com sua pacata rotina diária, Elisa testemunha o momento em que o espécime chega e num primeiro e involuntário contato com o estranho, ela vê hostilidade. No entanto, o animal desperta a curiosidade da faxineira e os dois começam a entrar em contato quase que diariamente. E, conhecendo e interagindo melhor com a criatura, Elisa descobre os motivos de sua hostilidade e também começa a nutrir um forte sentimento por ele pelo fato do animal a tratar como uma pessoa normal e não enxergar suas diferenças. Essa forte aproximação dos dois, irá despertar a curiosidade do bruto segurança Richard Strickland (Michael Shannon). Em meio á compaixão e carinho entra a faxineira e a criatura, Elisa acaba descobrindo que precisará correr contra o tempo ao descobrir as verdadeiras intenções do governo para com o animal.

Guillermo del Toro com seus contos e criaturas volta as cenas aqui em “A Forma da Água”. Um conto simples sobre como o amor transcende as diferenças e as imperfeições físicas dos personagens envolvidos, mas que nas mãos do diretor especializado na fantasia, ganha contornos sutis e belos, em momentos que textos são deixados de lado e o que importa em cena são os gestos e as trocas de carinho. O roteiro simples e já visto nos cinemas em outros filmes, ganha vida e personalidade própria em sua narrativa linear, em sua ambientação, e em sua trilha de época, que conduz nossas emoções ganhando-nos no carisma. “A Forma da Água” faz algo que hoje em dia tem sido cada vez mais difícil de ver nos cinemas e no gênero romance, ele nos faz torcer pela felicidade eterna do par principal.

Em seu discurso emocionado (e devo honestamente dizer que, quase emocionando essa pessoa que esta digitando) no Globo de Ouro, lendo um papel que segundo ele mesmo, esperava limpar seu nariz, Guillermo foi sutil nas palavras, da mesma maneira que o sua história foi, ao dizer que seus monstros são “padroeiros da nossa feliz imperfeição” nos permitindo a possibilidade de falhar e seguir com a vida. E assim é o seu conto, uma mistura de emoção, sons, gestos, cores e o mais fundamental de tudo, a vida. Contos como esse, tem uma grande importância que ultrapassa as telas e sua projeção, eles representam inúmeras biografias de pessoas que são perfeitas em suas imperfeições, mas que são tratadas pela grande massa como “monstros” e acabam ficando renegados ao anonimato.

Guillermo del Toro cria um universo que te faz querer viver dentro dele. A sua ambientação é incrível, cada frame é rico em detalhes e ganha ainda mais brilho nos momentos de interação entre o par romântico. Auxiliado pela trilha de época de Alexandre Desplat que se mostra de suma importância nas cenas que o os dois protagonistas interagem e nas que Elisa atua sozinha dando dinamismo e leveza na projeção.

O filme ainda conta com um grande elenco. Sally Hawkins esta fantástica em seu papel. Além de ter aprendido comunicação gestual, Sally é especialista aqui em ganhar o coração do espectador, logo em seu monólogo inicial isso já ocorre. O elenco de apoio também esta muito bem, destacando Richard Jenkins no papel de Giles e Octavia Spencer no papel de Zelda, o primeiro é o companheiro de apartamento de Elisa e que é outra personificação dos monstros de Guillermo, ao estar desempregado e excluído do mercado de trabalho por não se adequar as mudanças tecnológicas da época e a segunda representa a amizade de Elisa no trabalho, pois é a única que entende sua comunicação gestual e oferece cenas de leve alívio cômico em tela.

“A Forma da Água” não é um filme perfeito pois peca em alguns elementos de seu roteiro, principalmente em dar uma melhor motivação para seus personagens secundários. No entanto é um conto que leva a assinatura de seu diretor, uma história que emociona e metaforiza o amor e o e o afeto como maneiras de superar imperfeições físicas e discriminações populares. Nós, “monstros” da sociedade moderna, agradecemos Guillermo, por sua obra.

Merecedor de 5 baldes de pipoca.

5 pipocas

Crítica por: Natan Gabriel

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