Crítica: A Inquilina (2011)

Os segredos de um apartamento

Lançamento: 22 de julho de 2011
Direção: Antti Jokinen

Elenco: Hilary SwankJeffrey Dean MorganLee Pace

Sinopse:

Juliet Devereau (Hilary Swank), uma jovem médica, acredita ter encontrado o lugar perfeito para morar, ela se muda para um apartamento no Brooklyn, em Nova York. Após algum tempo, Juliet começa a perceber que coisas misteriosas estão ocorrendo e passa a acreditar que não está sozinha no apartamento. As coisas se complicam ainda mais com a crescente obsessão do senhorio do prédio pela jovem.

Uma atuação vale mais do que mil palavras e isso é visto claramente em A Inquilina, suspense dirigido por Antti Jokinen e que conta a história de uma médica recém divorciada, que procura um bom apartamento para se mudar e morar. Mas, com o decorrer do tempo ela passa a notar coisas estranhas acontecendo dentro de sua casa e acredita não estar sozinha, principalmente quando nota a maneira que o senhorio passa a trata-la.

Premissa interessante e a atenção do espectador comprada, mas que não dura por muito tempo já que a rodagem apesar de rápida, entrega momentos inexplicáveis e considerados non sense. É certo que o diretor conseguiu acertar na idéia de um suspense considerado clichê e por mais repetitivo que isso pareça ser, sabemos que o grande público adora esse estilo onde uma mulher acaba tornando-se alvo de perseguição de algum assassino em potencial e no final tudo fica bem, mas se ele acertou na ideia clichê, o mesmo não posso dizer sobre a construção do roteiro e a maneira que ele opta em contar a história.

Se de um lado temos uma médica recém divorciada tentando recomeçar sua vida, um maníaco que passa a persegui-la e a torna refém de sua própria casa, de outro lado temos um roteiro raso que não apresenta nada inovador e nem mesmo tenta criar um clima de suspense – que tiro no pé! . O filme é vendido como um excelente suspense e isso conseguimos ver desde seu trailer até seus 15 primeiros minutos de rodagem, mas acabamos entendendo que serviu apenas como um pano de fundo para tentar criar um filme que poderia ter sido ótimo – apesar dos pesares, claro. Como já dito, o roteiro (que também foi escrito pelo diretor) não apresenta nada de novo e ele se mostra completamente instável, causando um grande incômodo no espectador que fica sem entender muita coisa que foi colocado na tela. O espectador até  tentar levar em consideração que foi o primeiro filme dirigido por Antti Jokinen, mas mesmo assim isso não cabe como justificativa para tantas falhas apresentadas.

Não pense que o filme é um completo desastre, ele definitivamente não é! O elenco de forma geral foi extremamente competente, mas os holofotes ficam mesmo na protagonista Hilary Swank. A atriz já é conhecida por grandes trabalhos como Meninos Não Choram (1999)Menina de Ouro (2004)Anjos Rebeldes (2004) , mas como sabemos nem sempre tudo sai como o esperado e foi o que aconteceu em A Inquilina. Apesar de todo o esforço que a atriz faz, o espectador nota que falta a construção de uma história ainda mais profunda para a personagem de Swank, já que Juliet tinha muito mais o que ser explicado e desenvolvido, mas a direção e o roteiro optam por não se aprofundar tanto e isso causa pontos negativos para a entrega. Quem também brilha e enche o coração do espectador, é Christopher Lee, que mesmo tendo pouco tempo em cena, conquista a simpatia do espectador. O elenco fez o que pôde e a confirmação das falhas vieram pelo roteiro.

Além da falta de desenvolvimento na história da protagonista, o que também sentimos falta é na história de nosso maníaco. Por um breve momento o espectador cria esperanças de que algo mais profundo e desenvolvido tomará conta da película, mas ao perceber o fim que o personagem de Lee tem, entende que o final está próximo e nada será explicado. Se temos o esforço do elenco, a fotografia e trilha sonora ficam a nível de toda produção, nem lá e nem cá, ou seja, não influencia em muita coisa para a trama.

Em momento algum o suspense é desenvolvido ou a direção tenta explicar o que está acontecendo ou o porque de acontecer tudo aquilo, temos apenas um breve lapso de memória do Max, onde mostra como ele conheceu Juliet e como sua obsessão levou ele a fazer o que fez. A ideia de forma geral tinha tudo para ter dado certo, mas aqui cada escolha tomada determina o futuro de uma história e elas foram escolhidas de maneira errada, uma pena.

No final das contas, A Inquilina mostrou ser um filme sem profundidade alguma, com um roteiro mal desenvolvido e personagens que poderiam ter marcado o espectador, mas o que realmente marca é o tédio que sentimos ao chegar no ato final, que pasmem, consegue beirar o ridículo em uma obra de suspense. O filme acaba valendo para ver boas atuações e nada além disso.

2 pipocas

Crítica por: Gabriel Miura 

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Trailer:

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