Crítica: A Qualquer Preço (2016)

A qualquer preço

A Qualquer Preço é uma boa pedida para os que buscam um drama/suspense mais “down” e confirma que o sonho pode ser conquistado “A Qualquer Preço”, mas será que você está disposto a pagar o preço exigido?

Lançamento: 6 de janeiro de 2016
DireçãoAnders Morgenthaler
ElencoKim BasingerJordan PrenticeSebastian Schipper

Sinopse:

Maria (Kim Basinger) é uma empresária bem sucedida, que já conseguiu tudo na vida, menos uma coisa: ter um filho. Depois de sofrer mais um aborto, o médico informa Maria que ela está velha demais para carregar uma criança. Devastada e incapaz de aceitar o seu destino, Maria sai em uma busca desesperada e perigosa para realizar seu maior desejo, o sonho da maternidade.

Conhecido por entregar filmes tensos, o diretor dinamarquês Anders Morgenthaler, assumiu o desafio de trabalhar em cima de um suspense que abordasse uma temática atual e realista: a sociedade sem compaixão.

A Qualquer Preço acompanha a história de Maria, uma poderosa empresária na Dinamarca, casada com Peter e que sonha em ser mãe. Em sua última tentativa, ela sofre um aborto espontâneo, e segundo o médico, com sua idade avançada ela corre o risco de perder a vida na tentativa de outra gravidez.

É importante deixar claro que A Qualquer Preço brinca com a interpretação do espectador quase que a todo momento, e que o roteiro possui alguns momentos “duvidosos”, mas que não deixa de cumprir com seu prometido.

O filme é denso, ele faz com que o espectador segure na mão de Maria e a acompanhe por uma angustiante viagem, um retrato cruel de uma mulher que sonha em ser mãe e não consegue pelos mais diversos motivos, e que explora muito mais do que se espera.

Ao abordar a temática de “tráfico infantil para prostituição”, o espectador já entende que coisa boa não vem pela frente – e isso é um fato. De um lado temos uma mulher desesperada pelo sonho de ser mãe, que arrisca sua carreira, seu casamento e muito mais… sua vida. De outro lado temos uma Europa que não é mostrada nos cartões postais ou nas redes sociais e é aqui que o filme ganha muitos pontos. Agora é só ligar os pontos e imaginar o que se vem pela frente…

Com uma fotografia em tons escuros e uma atmosfera sombria, o filme ignora qualquer tentativa de demonstração de alegria ou de paz, aliás, essas duas palavras até aparecem em um determinado momento do longa, mas que logo são completamente destruídas pelas atitudes do ser humano – a realidade deste filme bate à porta.

Pode ser que os espectadores fiquem incomodados com as conversas do bebê perdido de Maria em sua mente, mas essas conversas valem apenas para entender o sonho e a dor que aquela mulher passa.

E uma -e talvez a principal – alerta é: Não comece a assistir esse filme pensando que vai passar medo ou ver algo mais “gore”, porque a ideia da direção é bem clara: explorar o psicológico, e isso ele faz com muita precisão.

Com um roteiro tenso e angustiante – com alguns fios soltos e momentos irrelevantes – , a direção joga para o espectador duas atuações incríveis afim de tapar qualquer buraco deixado na produção: Kim Basinger, em seus 61 anos entregando uma de suas melhores performances (desde Los Angeles – Cidade Proibida, onde lhe rendeu o Oscar), e, Jordan Prantice, um anão que explora o lado “obscuro” e ao mesmo tempo bondoso do ser humano.

Sem ter sido comercializado nos cinemas, A Qualquer Preço é uma boa pedida para os que buscam um drama/suspense mais “down”, ou seja, que não tem resquício de felicidade e fala sobre a realidade nua e crua.

Ao chegar no ato final, o filme confirma para o espectador que o sonho pode ser conquistado “a qualquer preço”, mas será que ele está disposto a pagar o preço exigido?

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