Crítica: A Salvação (2016)

Um faroeste focado mais no drama do que na ação.

Lançamento: 07 de janeiro de 2016.
Direção: Kristian Levring
Elenco: Mads Mikkelsen, Jeffrey Dean Morgan, Eva Green.

Sinopse:

Jon e Peter são ex-soldados dinamarqueses que migraram para os EUA em busca de uma vida melhor. Sete anos se passaram e agora a família de Jon veio para a América morar com ele. No entanto à caminho de casa o casal é atacado tendo seu filho de 10 anos e sua esposa mortos. Agora Jon sai em busca de vingança pela morte de sua família.

O trabalho de Kristian Levring apesar de ser desconhecido por essas terras é bem conhecido em terras nórdicas, sendo mais exato em sua terra natal, Dinamarca. Ele foi um dos primeiros diretores a assinarem a doutrina Dogma 95, que foi encabeçada pelo grande e polêmico Lars von Trier. Infelizmente A Salvação foge completamente dos lemas que são regidos a doutrina (para mais informações aqui e se arranha um pouco no dinamarquês aqui), o que seria uma experiência interessante de se ver mas que ao mesmo tempo foge das doutrinas.

A Salvação é a clássica história do velho oeste onde têm um grande grupo de foras da lei contra poucos homens, assim como a famosa vingança em pano de fundo. Apesar de ser uma história batida, o modo original como é contada consegue prender o espectador, um dos motivos para essa prisão de entretenimento é ver o poderoso Mads Mikkelsen em ação com uma atuação deslumbrante e letal.

A história acompanha dois dinamarqueses que para fugir da derrota de seu país na guerra decidem ir para os EUA em busca de uma vida melhor. Jon (Mads Mikkelsen) deixou mulher e filho na Dinamarca, agora que se assentou melhor na América trouxe sua família para o novo lar. Mas o que deveria ser um momento de alegria acaba por tornar-se uma grande tragédia ao ver sua esposa e filho serem mortos em um ataque a sua diligência. Jon com sede de vingança mata os bandidos porém acaba por envolver-se em uma trama maior ao descobrir que um dos bandidos é irmão do líder do bando que aterroriza a cidade, Delarue (Jeffrey Dean Morgan). Agora e Jon e seu irmão Peter (Mikael Persbrandt) precisam lutar para sobreviver.

Levring em entrevista chegou a afirmar que a ideia do longa era contar uma história sobre a origem da civilização moderna. Em tese quando busca-se histórias desse tipo o retrocesso no tempo é maior, porém ele optou em abordar o que seria o futuro e que ainda traria e trás disputas até hoje: petróleo. Por mais que o ponto em questão seja mencionado brevemente próximo ao final do filme, o tempo todo é mostrado imagens sobre o “líquido oleoso” que cerca as cidades, ou seja, o verdadeiro mote do filme é apenas parte do cenário e algo insignificante mas que acaba fazendo total sentido em seu final.

Talvez um ponto negativo seja a ambigüidade presente na personagem de Eva Green, suas ações não ficam claras se são por puro instinto de sobrevivência ou apenas algo não esclarecido. Já que a personagem parece ter mudado de personalidade do meio para o final do filme.

Mesmo a história já sendo um bom chamativo, as atuações no longa estão impecáveis. O já mencionado Mads Mikkelsen entrega, como sempre, uma atuação forte e digna, o mesmo pode-se dizer de Jeffrey Dean Morgan, onde seu papel aqui seria mais digno como Negan em The Walking Dead do que aquele pastiche que ele faz atualmente. Mesmo Eva Green em um papel sem falas consegue entregar algo bom e de respeito.

A fotografia do filme é algo a parte também. Os cenários noturnos parecem que foram pintados com nanquim, é uma escuridão bem viva. Já pelo dia as tomadas são em campos abertos com belas paisagens em banho de sol. A trilha sonora não compromete e em alguns momentos vai lembrar os clássicos de Sergio Leone.

A Salvação é uma história simples mas ao mesmo tempo com um tema complexo de fundo. Se por um lado ela quis se mostrar apenas como uma história de vingança seu final mostrou-se como algo mais profundo com o intuito de gerar algum debate sobre as origens do petróleo em terras americanas.

Cinco baldes de pipocas.

5 pipocas

Galeria:

 

 

Trailer:

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