Crítica: Adeus, Christopher Robin (2018)

Um pai, um filho, um trauma de guerra e uma vida no campo, esses foram os ingredientes responsáveis para a criação de um clássico da literatura.

Lançamento: 09 de março de 2018
Direção: Simon Curtis
Elenco: Domhnall Gleeson, Margot Robbie, Kelly Mcdonald, Will Tilston, Alex Lawther

Sinopse

Um pouco sobre a vida do famoso escritor A. A. Milne que ao mesmo tempo que lida com o estresse pós-traumático causado pela Primeira Guerra Mundial ainda consegue inspiração no seu próprio filho para criar um dos personagens mais amados da literatura infanto-juvenil, o Ursinho Pooh.

Simon Curtis possui uma filmografia pequena quando se trata de cinema, sua grande área de atuação foi a TV britânica. No entanto, a partir do momento que voltou sua atenção para o cinema se mostrou um diretor competente e ainda alavancou a carreira do desconhecido Eddie Redmayne com o drama romântico Sete Dias com Marilyn (2011), responsável também pela terceira indicação ao Oscar de Michelle Williams. Quatro anos depois ele voltou com o fraco, mas ainda com uma atuação poderosa de Helen Mirren, A Dama Dourada (2014), que conta a história de uma austríaca, sobrevivente do holocausto, buscando a restituição de um quadro que pertenceu a sua família e que agora está sobre o poder do governo austríaco. Agora Curtis lança seu terceiro longa e mais uma vez visando o tom biográfico, contando os bastidores por trás da criação de um dos personagens mais conhecidos da literatura infanto-juvenil, o Ursinho Pooh.

O enredo gira em torno de A. A. Milne (Domhnall Gleeson), um escritor de peças britânico e sobrevivente da Primeira Guerra Mundial, que mesmo tendo suas peças como sucesso de crítica ainda não conseguiu se desvencilhar dos traumas causados pela guerra. Milne tem uma vida de luxo com sua esposa Daphne (Margot Robbie), mas mesmo esse luxo não é o suficiente para sua felicidade e pensando em melhorar a moral de seu marido ela decide lhe dar um filho. A felicidade não veio e as dores do parto só serviram para também traumatizá-la, assim como a frustração já que esperava uma filha. Cansado da agitação da cidade, Milne decide mudar-se para o campo e assim ter paz e tranqüilidade para trabalhar em um livro anti-guerra, mas a tranquila vida do campo o distrai e assim vê nas brincadeiras e imaginação de seu filho, Christopher Robin (Will Tilston), algo belo e inocente que se perdeu com o pós-guerra.

Apesar de aparentar uma história simples, Adeus, Christopher Robin trabalha com temas complexos sobre o estresse pós-traumático, as dificuldades do relacionamento familiar e o quanto o sucesso precoce pode afetar uma criança. A. A. Milne, mesmo sendo uma pessoa poderosa em seu círculo social, ainda assim é fraca devido aos traumas de guerra. Ele reconhece sua fraqueza, sabe onde está seu problema, porém tenta manter-se forte pensando em um futuro melhor, assim como, manter os luxos de sua esposa. Seu trauma é algo tão forte, que mesmo o zumbido de abelhas o confundem com barulhos de tiros. Não é um papel exigente, mas Domhnall Gleeson também não compromete.

Quem também sofre, mesmo que subliminarmente é a esposa de Milne, Daphne. Mesmo aceitando a mudança para o campo, longe da cidade, ela não aceita as distrações de Milne com seu próprio filho, a quem ela sempre diz amar pelo fato de quase ter morrido no parto, algo que nunca é demonstrado já que ele fica grande parte do tempo com Nou (Kelly Mcdonald), a babá. É uma personagem ácida e egoísta, algo relativamente novo para Margot Robbie.

A verdadeira atração no longa é o jovem Will Tilston no papel de Christopher Robin. Simon Curtis conseguiu captar bem toda a inocência presente no jovem ator, a ponto que mesmo o espectador mais seco consegue se inspirar com as aventuras e a imaginação dessa inocente criança.

Adeus, Christopher Robin é uma história triste e ao mesmo tempo doce sobre como a imaginação de um filho ajudou o pai a criar um grande clássico da literatura, assim como a superá-lo seus traumas. Simon Curtis está se especializando em filmes biográficos e está pegando um ótimo caminho.

Quatro baldes de pipocas.

Galeria

Trailer 

Agente de campo da S.H.I.E.L.D. que está em uma missão secreta na faculdade de letras da UFRJ, sem previsão de conclusão. Entre os objetivos da missão principal ainda acha tempo pra jogar video game, ler, ver filmes e ser dona de casa.

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