Crítica: Água Negra (2005)

O cinema literalmente é uma arte sem fronteiras, que mistura diversos pontos de vista e, principalmente, diferentes culturas. Água Negra é um típico exemplo disto.


Lançamento: 12 de agosto de 2005
Direção: Walter Salles
Elenco: Jennifer Connelly, John C. Reilly, Tim Roth
Sinopse:
Dahlia Williams (Jennifer Connelly) separou-se recentemente e está tentando começar uma vida nova, se mudando para um novo apartamento e começando a trabalhar em um novo emprego. Dahlia está decidida a pôr um ponto final no relacionamento com seu antigo marido para poder se dedicar a cuidar de Ceci (Ariel Gade), sua filha, mas a separação litigiosa se transforma em uma complicada batalha pela custódia da criança. Para piorar a situação, o apartamento para o qual elas se mudaram possui barulhos misteriosos, vazamentos constantes de uma água negra e alguns fatos estranhos, que dão margem à imaginação de Dahlia. Acreditando que está sendo vítima de um assustador jogo mental, ela tenta juntar as peças do enigma e descobrir o que está acontecendo.
O filme é dirigido pelo diretor brasileiro Walter Salles, com um elenco formado por atores de diversas nacionalidades e com um roteiro escrito pelo mexicano Rafael Yglesias. Tinha tudo para dar certo, até porque sua base principal é o filme japonês do diretor Hideo Nakata – o mesmo que dirigiu O Chamado 2. O que causa incomodo por aqui, é que ele é muito hollywoodiano, o que desaponta e muito os fãs brasileiros, porque não existe identidade do diretor brasileiro, a não ser o cuidado com as imagens e fotografia, que ganham o coração de quase todos os espectadores. Mas isso é devido a competência de Affonso Beato, que geralmente trabalha com o grande Pedro Almodóvar, mas vamos lá…
O filme conta a história de Dahlia Williams, uma mulher que está passando pelo processo de divórcio do marido e por uma difícil batalha pela custódia da filha única, Cecília. Dahlia tenta reinicar sua vida e se muda com a filha para um apartamento na ilha Roosevelt, que fica próxima de Nova York, mas, o apartamento que elas se mudam, apesar de possuir pouquissimo espaço, ele começa a apresentar uma série de fatos estranhos – vazamentos, goteiras, água poluída- e é a partir daí que o filme se torna mais uma daquelas versões de filmes de terror japonês.
O medo é representado por uma menina que se ressente da mãe relapsa, por enorme quantidade de água que aparece por todos os lados e pelo estranho aparecimento de mechas de cabelo na água encanada, isso logo faz o espectador se lembrar de O Grito, tanto na obra norte americana como na obra japonesa, o que se torna satisfatório e incomodo ao mesmo tempo. Mas, ao contrário do filme japonês que apela para imagens chocantes e assustadoras, o diretor apresenta Água Negra mais como um thriller psicológico ao ligar a história da menina Natasha – que atormenta a vida da família- com a da própria Dahlia, que, quando pequena, foi esquecida e abandonada pela mãe alcoólatra. Terror? Nem tanto, já que sua entrega é muito mais direcionada ao suspense – que por incrível que pareça, é eficiente- mesclado de drama, o que se torna neutro para o filme.
Ele não possui sustos, nem imagens nojentas, possessões ou qualquer coisa que o gênero do terror apresenta, então quem assiste na idéia de tomar alguns sustos ou ver cenas já citadas, acaba se decepcionando, ainda mais por se tornar um filme previsivel logo em seu segundo ato, e que mesmo com o suspense entregue, ele se torna um tanto cansativo. Jennifer Connelly não está em seu melhor papel, obviamente, mas entrega uma atuação honesta, sem muito esforço e quase certeira, mas que incomoda em seu esforço excessivo de criar uma mãe preocupada e problemática ao mesmo tempo. Os holofotes ficam direcionados a pequena Ariel Gade, que consegue criar o suspense e o medo infantil de maneira grandiosa e rápida. A jovem atriz apostou firmemente no psicológico – e  todos nós sabemos que quando um filme do genero entrega uma criança como alvo do terror, a coisa se torna brutal-, mas que consegue dosar muito bem o drama e o suspense da trama.
Trilha sonora quase sempre ausente, mas quando aparece é estável e não apela para nada, o que pode se tornar um tanto clichê e fraco ao mesmo tempo, mas que não compromete o filme – que já está cansativo- e o que tenta salvar, é sua fotografia que é aplicada de maneira grandiosa, mas que também não prende tanto o espectador. Ao que parece, quem já conhece a versão japonesa do filme, vai gostar da nova interpretação de Walter Salles, pois o diretor conseguiu trazer algo que era impossível: transformar um filme que era muito chato, em um filme de muito suspense e com algo novo, mas que ainda assim o deixa merecedor de 3 baldes de pipocas.
3 pipocas
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