Crítica: Aileen: Vida e Morte de Uma Serial Killer (2003)

Aileen: Vida e Morte de Uma Serial Killer
Aileen: Vida e Morte de Uma Serial Killer mostra o lado humano de uma mulher que teve sua história distorcida e vendida para a indústria cinematográfica
Lançamento: Mundialmente 2003
Elenco: Aileen Wuornos, Jeb Bush, Nick Broomfield

Sinopse:

A história da primeira serial killer dos EUA ainda gera polêmica e grandes discussões sobre os reais motivos que levaram Aileen Wuornos cometer os atos que hoje conhecemos graças ao filme protagonizado em 2003 por Charlize Theron. Porém, todos sabemos que uma história tem começo, meio e fim, mas, a vida de Aileen Wournos se tornou uma verdadeira incógnita para muitos.

O documentário Aileen: Vida e Morte de Uma Serial Killer , procura levantar todas as questões que foram noticiadas e também retratadas no cinema, indo por trás de seus crimes e explorando um pouco mais de seu convívio familiar e social.

É difícil de deixarmos a história que conhecemos pela visão do filme Monster, dirigido por Patty Jenkins e que rendeu o Oscar de Melhor Atriz para Theron, entregando uma atuação e personificação que consegue dividir opiniões entre a Aileen verdadeira e a Aileen do cinema. Mas a ideia aqui foi justamente tentar mostrar que “Lee” tinha um objetivo que até então nós nunca ouvimos falar, que era poder denunciar um esquema de corrupção dentro da policia local.

O documentário procura explorar não apenas os crimes cometidos por ela, como também tenta justificar sua formação social e familiar, apontando que sua criação e formação foram construídas em cima de uma geleira que estava a ponto de descongelar.

Seguindo sua trajetória antes de sua execução, sua vida encarcerada é tão intrigante quanto seu passado rodeado de solidão e incertezas. Durante os depoimentos de Lee, o espectador consegue ficar não apenas abismado, como também em dúvida sobre suas próprias histórias que muitas vezes Lee demonstra não conhecer nem seu próprio passado, o que ocasiona em uma describilidade para o filme de 2003.

Todos que assistem ao documentário, procuram entender a motivação da então prostituta ter cometido tais crimes que choraram os EUA na época. Composto por depoimentos de pessoas que conviveram com ela, somos levados a momentos de emoção por tentar imaginar o que a mulher passou: o abuso infantil,a gravidez e adoção precoce, a marginalização e exclusão social, a família que lhe deu as costas, e seu início na prostituição até quando começou a cometer os crimes.

É interessante notar que Aileen: Vida e Morte de Uma Serial Killer não apenas mostra o lado humano e também desconhecido de Lee, como denuncia os inúmeros erros cometidos em seu processo criminal, desde o primeiro advogado que pegou seu caso, até o processo de eleição política que tinha controle sobre a situação, e principalmente, quando Lee decide (des)mentir toda a história para poder enfim ter sua sentença de morte.

Em diversos momentos Aileen declara que a policia e mídia local precisavam entregar números para os assassinatos cometidos por ela, dando assim o título de serial killer, mas que o órgão de defesa pública sempre soube que era ela que estava por trás dos assassinatos.

Quem foi Aileen Wuornos? Por que ela cometeu tais atos? Por que sua parceira de vida lhe deu as costas e não foi denunciada perante a lei quando sabia de tudo o que estava acontecendo? Tais perguntas rondam a mente do espectador, que tem a oportunidade de desvendar novas informações sobre os assassinatos, descobrir um pouco mais sobre às pessoas em sua vida e também conseguir entender o que motivou Lee ter tomado tais decisões.

Um dos pontos altos da produção é a oportunidade de visão dupla que o espectador ganha ao entender o lado psicológico e também os princípios de uma mulher sem perspectiva de vida.

Por fim, Aileen: Vida e Morte de Uma Serial Killer, confirma que suas tragédias de vida e sua formação social não foram usadas como desculpa, mas sim como base para sua construção comportamental que a qualquer momento implicaria em uma explosão que chocaria o país.

Galeria:

Trailer:

Editor-Chefe do Clube Das Pipocas. Beth? Eu também sou a Beth!. Paulista, virginiano, pós graduado em Memes da Vida, ácido, metido a crítico de cinema, apaixonado pela sétima arte e amante do café.

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