Crítica: Amadeus (1984)

Amadeus

A grandiosa ópera de Miloš Forman, um dos maiores diretores do cinema moderno. Amadeus é uma obra clássica do épico sobre um homem refém do próprio talento.

Lançamento:  8 de outubro de 1984
Direção: Miloš Forman
Elenco: Tom Hulce, F. Murray Abraham, Elizabeth Berridge

Sinopse:

No séc XVIII, período Barroco, quando a ópera era a maior atração no mundo da música, o prestígio maior de um maestro era que sua composição caísse nas graças do Rei e nas de Deus. Em Amadeus, acompanha-se a ambiciosa trajetória de Antonio Salieri, devoto Compositor da Corte de Viena, que vê sua posição ameaçada com a chegada do músico mais excêntrico da Europa: Wolfgang Amadeus Mozart.

Sob a narração de Salieri – um inspirado F. Abraham, que ganhou o Oscar de Melhor Ator por esse papel, – Amadeus conta a ascenção e queda de Mozart, um jovem talentoso, talvez o maior gênio de sua época, que deixa seu instinto permissivo ditar suas açãos, o que resultou numa breve vida marcada por luxúria, dívidas e polêmicas.

A lente obstinada de Miloš (vencedor do Oscar por este filme e pelo excelente Um Estranho no Ninho, 1975) fiel e preocupado em imprimir cada detalhe do ótimo roteiro de Peter Shaffer, entrega ao espectador uma experiência única em termos de audiovisual.

Amadeus é um filme orquestrado, divido em momentos de tons tão distintos, que é como uma melodia dando espaço a outra, em marchas apressadas e estrondosos acordes de piano.

A figura de Salieri, senil na cadeira de rodas ao contar a vil história ao padre ouvinte; a sua persona mais nova, ainda nos tempos de compositor, observando ardiloso o rival, tramando seus planos junto ao resto da Corte, e numa atuação tão voraz de F. Abraham; e o próprio Mozart (Hulce, também indicado ao Oscar, mas na mesma categoria de Abraham, que venceu), que vai da glória ao delírio, dos grandes salões aos sujos corredores de Viena, de ousadas óperas de 4 horas ao ponto de não conseguir erguer a pena sem uma garrafa ao lado.

Amadeus é um espetáculo audiovisual, com figurino impecável, direção de arte, fotografia e montagem irretocáveis, e trilha que dispensa qualquer comentário. As quase três horas de projeção passam num sofro.

Um estudo ímpar sobre ambição, insegurança, medo do não reconhecimento e temor ao Divino.

Até onde o dom por si só pode levar um homem, e quanto de sua fama e das consequências desta é possível sustentar com suas próprias pernas?

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