Crítica: As Ineses (2019)

As Ineses

As Ineses é em longa que retrata a rotina e do inesperado cotidiano

Lançamento: 14 de Fevereiro de 2019
Direção: Pablo José Meza
Elenco: Valentina Bassi, Brenda Gandini, André Ramiro

Sinopse:
Amigas e vizinhas, Carmen e Rosa dão à luz no mesmo dia e seus filhos nascem no mesmo hospital. Mas quando os casais observam as crianças, eles notam que uma troca pode ter sido feita e decidem dar o mesmo nome aos dois bebês para evitar problemas.

É nas miudezas do dia a dia e nos acontecimentos da vida que Pablo José Meza baseia o seu terceiro longa. As Ineses é um filme argentino com coprodução brasileira e que chega às salas de exibições do país no dia 14 de fevereiro. Uma produção de olhar delicado que não abandona a acidez e o olhar analítico sobre as atitudes humanas.

A história a ser contada é a de duas famílias, ambas de sobrenome Garcia, que passam a conviver com a possibilidade de terem trocado suas filhas, as Ineses, no dia em que nasceram. É durante todo esse acontecimento e a partir dele que Meza vai acompanhando as reações e atitudes de cada uma das personagens.

Com uma câmera bastante aproximada e ângulos mais fechados os espectadores são levados para dentro das conversas e cenas. Além de ouvintes, passam a ser confidentes de tudo que é dito em cena, inclusive os segredos. Essa proximidade faz a dor também ser compartilhada, as incertezas e aflições também têm uma parte transferidas para quem assiste.

Tudo se passa em uma cidade no interior da Argentina em 1980, mesmo assim o enredo não se torna distante. Mas com um olhar delicado e diálogos rápidos, Meza vai construindo esse retrato que, por mais absurdo que pareça, pode ter acontecido ou acontecer.

As atuações são todas muito boas, das duas famílias e com destaque para a avó, interpretada por María Leal e os pais das crianças Luciano Cáceres, Brenda Gandini e Valetina Bassi. Um dos pais é André Ramiro, ator brasileiro que interpretou Mathias em Tropa de Elite. Ele também consegue demonstrar a particular transformação de seu personagem mesmo sem muitas cenas. A crianças são todas muito fofas, tanto da primeira fase, quando nascem as meninas Ineses quando depois de mais de 10 anos.

Meza trata com bastante sinceridade os pensamentos e opiniões de cada um dos componentes das famílias. Sem medo de mostrar as ambiguidades e deslizes, o cotidiano e magia da vida que pode sempre surpreender. Mesmo optando pela sutileza ele não deixar passar despercebido os problemas e definições ainda intrínsecas ao que costumava se definir como padrão.

A acidez aparece tanto em momentos de humor desconcertante quanto em situações de aperto. A realidade está ali e os pensamentos poderiam ser os de qualquer um, mas olhar não é de julgamento e sim de compreensão. A confidencialidade criada entre espectador e filme torna comum a história das famílias e acaba por incomodar pela transparência excessiva. Isso tudo com diálogos rápidos que, muitas vezes, somados às expressões, acabam por dizer bem mais do que aparenta.

A Ineses é um longa leve que brinca com humor as dores e sabores de se viver. Não sendo apático a realidade, Meza soube tratar do cotidiano sem ser chato ou exagerado. A simplicidade e delicadeza de cada escolha valorizam o longa é belo e real.

Trailer:


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