Crítica: As Viúvas (2018)

As Viúvas
As Viúvas é uma entrega necessária, que surpreende e aborda um tema necessário dentro do gênero: a representatividade feminina.
Lançamento: 29 de novembro de 2018
Direção: Steve McQueen

Elenco: Viola DavisMichelle RodriguezElizabeth Debicki 

Sinopse:

Um assalto frustrado faz com que Harry Rawlins (Liam Neeson) e sua gangue sejam mortos pela polícia e o dinheiro que roubaram seja destruído pelas chamas. Isto faz com que a viúva de Harry, Veronica (Viola Davis), seja cobrada para que a quantia roubada seja devolvida. Pressionada, ela encontra um caderno de anotações de Harry que prevê em detalhes aquele que seria seu próximo golpe. Veronica então decide realizar o roubo, tendo a ajuda das demais viúvas dos mortos no assalto frustrado.

Depois de um tempo fora dos cinemas, o adorado diretor Steve McQueen volta aos cinemas com mais uma entrega necessária e que foge dos padrões esperados para quem acompanha seu trabalho.

As Viúvas acompanha a história de quatro mulheres que perdem seus maridos ao mesmo tempo. Eles formavam um grupo de criminosos e acabam falecendo após um golpe dar errado. Sozinhas, elas se unem para tentar seguir o mesmo caminho que seus companheiros, mas muita coisa promete acontecer em suas vidas.

Antes de tudo, é necessário dizer que toda produção é impecável e principalmente o roteiro escrito por Gillian Flynn, conhecida pelo empoderamento feminino em Garota Exemplar e Sharp Objects, ou seja, o espectador não pode esperar outra coisa se não: mulheres fortes.

A escolha da direção em ganhar a atenção e simpatia do público logo nos primeiros 10 minutos da projeção é certeira. O filme envolve todo o tipo de público com cenas de ação frenética, perseguição de carros, tiroteio, uma pegada de drama e suspense que funcionam muito bem. Somos apresentados a fuga de um grupo de homens, mas também vemos suas diferentes realidades de vida.

Não demora para que ainda no início seja explicado quem são as mulheres que entrarão em cena e terão suas vidas mudadas completamente. Mulheres e não somente viúvas, porque assim como em seus aclamados filmes Shame e 12 Anos de Escravidão, McQueen se importa em trabalhar com diversos personagens em histórias que uma hora irão se interligar em uma crítica social necessária e muito precisa. Cada história contada a partir deste momento é apresentada de maneira clara, e objetiva, que faz com que o espectador não tire os olhos da telona em momento algum.

As Viúvas se destaca não apenas pelo roteiro muito bem escrito e uma direção impecável, mas também pelo elenco que serve como a cereja do bolo. Nomes como Viola Davis, Michelle Rodriguez, Daniel Kaluuya, Elizabeth Debicki,  Liam Neeson, Colin Farell, e outros, fazem com que a experiência prometida seja de fato cumprida.

Um dos nomes mais aguardados para se ver em cena, é claro, de Viola Davis. A atriz como sempre em papéis marcantes, de luta e personalidade forte, porém, a escolha em trabalhar em uma personagem que pode nos remeter a outras já interpretadas por ela em outros títulos, faz com que essa “surpresa” seja morna e não tão empolgante, mas isso não compromete o peso da trama. Michelle Rodriguez e Elizabeth Debicki surpreendem – e muito! Ambas as atrizes conseguem trabalhar suas personagens de maneira bem aprofundada e fazem com que o espectador tenha a oportunidade de escolher a sua favorita – sem desmerecer, claro, Viola.

Daniel Kaluuya também ganha seu devido espaço nos holofotes. O ator mostrou mais uma vez que veio para ficar e mesmo que em um papel secundário, ele explora todo o potencial de sua personagem – que ganha muito destaque durante a projeção. Quem também se sai bem é Colin Farell, que como o esperado, entrega momentos interessantes .

É notável a preocupação de toda produção em poder falar sobre gênero, o empoderamento feminino, política, racismo, em como a sociedade vê as mulheres e mães que são “sozinhas” mundo a fora. Todos os temas aqui abordados são explorados com muita delicadeza e que fazem o espectador entender a necessidade de entender e discutir a temática para a construção de uma sociedade melhor.

As Viúvas é uma entrega necessária e extremamente bem produzida, com momentos inesperados, repleto de reviravoltas, drama, suspense, cenas de ação, e claro, que foge dos padrões de um filme de ação/assalto que o público já está acostumado a ver por aí.

Galeria:

Trailer:

Editor-Chefe do Clube Das Pipocas. Beth? Eu também sou a Beth!. Paulista, virginiano, pós graduado em Memes da Vida, ácido, metido a crítico de cinema, apaixonado pela sétima arte e amante do café.

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