Crítica: Brightburn – Filho das Trevas (2019)

Brightburn é um filme inteligente, com uma idéia diferente para um terror, mas que podia mergulhar mais de cabeça na mitologia apresentada

Data de lançamento: 23 de maio de 2019  Direção: David Yarovesky Elenco: Elizabeth BanksDavid DenmanJackson A. Dunn

Sinopse:

Um casal que já teve diversas tentativas frustradas de ter um filho, se depara com a queda de um meteoro na sua casa, meteoro esse que contém um bebê. Dez anos se passam , o garoto cresce, e coisas estranhas começam a acontecer na pacata cidade de Brightburn, fazendo todos se questionarem, quem é o garoto e qual o objetivo final dele.

A idéia principal por trás desse filme está em subverter uma história já conhecida, de um garoto vindo do céu, com dons diferentes do que a mente humana possa imaginar. E se esse garoto não fosse bom? E se ele tivesse um objetivo muito mais sombrio do que os desfechos das histórias que vimos antes? É isso que Brightburn pretende responder.

O longa produzido por James Gunn é um terror que flerta com histórias de origem de um super herói e o roteiro faz questão de mostrar isso. Logo na primeira cena, Tori e Kyle Bryer desejam ter um filho, mas por motivos não explicados eles não conseguem, então, Brandon cai dos céus como a resposta para todo o desespero do casal. É definitivamente uma dinâmica interessante, por que eles não sabem de onde o garoto veio e qual o motivo dele estar lá, fazendo com que pareça um milagre, que pode cair por terra.

Mas, por mais que a dinâmica seja interessante, o roteiro não se dedica muito a expor nem a relação da família com Brandon, nem de Brandon com o restante da cidade. Isso pode fazer com que algumas cenas para o público pareçam soltas na trama, tentando mostrar algo implícito, mas que acaba caindo por terra no momento que algumas coisas ficam mal explicadas fazendo com que a entrega para a trama não seja completa.

Mesmo que o roteiro não seja muito inspirado, a direção de David Yarovesky merece seus créditos por conta de todo o funcionamento do filme, que faz com que o filme transite entre um terror e um filme de herói, variando entre cenas claras com uma paleta de cores mais amareladas e cenas escuras que dependem muito da luz ambiente com um tom mais obscuro, o que pode levar o publico a ter até uma certa dúvida sobre a índole do garoto. O espectador acaba ficando curioso, as takes variam bastante, e nas sequências onde o terror toma conta, a direção consegue uma imersão ótima.

Ponto ótimo para o filme fica para toda a parte de mixagem e trilha sonora, deixando uma faixa de graves soarem, causando um efeito diferente na sala, criando uma atmosfera totalmente imersiva e mesmo com a trilha que pouco presente, se aproveita da ambiência muito bem.

Infelizmente, outro dos pontos baixos do filme fica por conta do CGI que não é plástico nem realista o suficiente, mesmo que o filme não dependa tanto de cenas do tipo.

No final, Brightburn sai em saldo positivo, com uma idéia interessante e bem executada, mesmo que seu roteiro não facilite uma imersão no universo, o filme se beneficia de seu protagonista com uma direção que subverte o que se espera de um filme de terror levando o público para uma montanha russa de emoções.

Galeria:

Trailer:

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