Crítica: Cemitério Maldito (2019)

Cemitério Maldito

O reboot de Cemitério Maldito confirma apenas uma coisa que os fãs da versão original já sabiam: existem filmes icônicos que devem permanecer em sua versão original, porque quando a ideia cai nas mãos erradas… bem, tudo pode dar errado.

Lançamento 9 de maio de 2019
DireçãoKevin KölschDennis Widmyer
ElencoJason ClarkeAmy SeimetzJohn Lithgow

Sinopse:

A família Creed se muda para uma nova casa no interior, localizada nos arredores de um antigo cemitério amaldiçoado usado para enterrar animais de estimação – mas que já foi usado para sepultamento de indígenas. Algumas coisas estranhas começam a acontecer, transformando a vida cotidiana dos moradores em um pesadelo.

Quase 30 anos depois da primeira versão de Cemitério Maldito, a dupla de diretores Kevin Kölsch e Dennis Widmyer, responsáveis pelo excelente Starry Eyes, assumem o desafio de entregar o reboot de um dos filmes mais adorados pelos fãs do gênero do terror, mas, é como dizem por ai… quem nunca errou que atire a primeira pedra!

A nova versão possui uma fidelidade maior com o conteúdo original, isso é fato, mas isso não significa que a produção tenha acertado a mão na hora de desenvolver a história.

Desde o início da trama o espectador é apresentado a um filme mais sombrio, carregado de malignidade e que se passa inteiramente na escuridão (literalmente), o que é um grande diferencial da obra original e esse é um dos maiores pecados da trama que tinha tudo para dar certo.

De um lado temos Louis Creed, interpretado de maneira razoável e quase forçada por Jason Clarke. Ele é incrédulo e faz questão de afirmar a cada momento que é ateu e acredita somente em si mesmo.

De outro lado temos Ellie, também interpretada de maneira razoável, mas que se nota o esforço de Jeté Lawrence em criar uma personagem mais desenvolvida do que seu companheiro de cena. Ellie é sem sombra de dúvidas o ponto mais delicado e emocional do filme, mas o roteiro não permite que sua personalidade seja desenvolvida e faz com que o espectador fique cheio de dúvidas quanto a sua história.

Quem também não cai na graça do público é John Litgow, que da vida ao vizinho “estranho”. Seu papel na trama é tão pequeno, que se torna esquecível para o público, principalmente por notar que seus sentimentos e motivações não possuem sentido algum para a história.

Se pararmos para analisar o filme no quesito gore, aqui ele acerta em cheio. A dupla de diretores entregam uma produção ousada que não tem medo de ser asqueroso – mesmo contando com um elenco infantil e que supera todas as expectativas do público. Porém, acertar em um ponto acaba fazendo que os outros erros fiquem muito mais perceptíveis do que o esperado.

Ao apostar em uma produção asquerosa, os diretores também apostam no excesso de cenas escuras, quase sem iluminação e aqui ele é um ponto crítico para o filme – não podemos nem tentar justificar com outras produções do gênero que apostaram nesse mesmo estilo, porque Cemitério Maldito é totalmente inferior até mesmo à Freira.

Para os fãs de plantão que vão assistir o filme pelo icônico gato-zumbi, Church, a palavra que toma conta é: decepção. Mal desenvolvido em todos os aspectos, o espectador torce o nariz e pede que o longa entregue logo o ato final, porque tudo o que foi apresentado é esquecível ou mal desenvolvido. Que pena!.

Sem se preocupar em explicar alguns acontecimentos do filme, o roteiro se torna massante e óbvio, o que faz com que a produção perca ainda mais pontos com o espectador – que com muita luta, assiste até o fim porque o ingresso de cinema está caro (esse é o pensamento que ele tem).

Não devemos e nem podemos comparar a nova versão de Cemitério Maldito com a obra entregue em 1989. Não existe comparação. A versão do passado é muito superior em todos os pontos, sejam eles simples ou técnicos, o que prova que nem toda história merece um reboot e ou um remake.

Com um desenrolar duvidoso, sem explicações e completamente fraco, o Cemitério Maldito se torna arrastado, cansativo e chato para o espectador que ansiava por momentos de puro terror e entretenimento, mas que entende que terror é a palavra que define toda a produção e o coloca na lista dos filmes esquecíveis do ano.

Galeria:

Trailer:

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