Crítica: Demônio de Neon (2016)

Será que Nicolas Winding Refn irá adotar de vez o experimentalismo em seus trabalhos?!

Lançamento: 29 de setembro de 2016.
Direção: Nicolas Winding Refn
Elenco: Elle Fanning, Jena Malone, Keanu Reeves.

Sinopse

Jesse é uma jovem de 16 anos que saiu de casa para tentar uma carreira de modelo em Los Angeles. No entanto sua rápida ascensão acaba por causar a inveja de outras modelos assim como mexer com sua personalidade.

Nicolas Winding Refn parece estar decidido a dar outro rumo para sua carreira. Após uma entrada de sucesso no mercado americano com Drive (2011), Nicolas parece estar decidido a deixar seus filmes sobre criminosos para trás e embarcar em uma linha mais experimental e artística no cinema, iniciada com o complexo Apenas Deus Perdoa (2013).

Demônio de Neon segue uma linha experimental semelhante a seu filme anterior, mas com uma pegada mais leve e linear. Talvez a crítica negativa o tenha feito perceber que hoje somente David Lynch tem permissão para navegar nessas águas turbulentas do cinema experimental. Não que seja proibido, mas com o orçamento usado – que não era grande mas talvez um pouco exagerado para a história no longa – e com Keanu Reeves em um papel secundário é algo para chamar atenção do público de alguma forma.

O longa acompanha Jesse (Elle Fanning), uma jovem aspirante a modelo que sai do sul dos EUA em direção a Los Angeles para tentar a sorte na cidade grande. Sua beleza natural é chamativa, tão chamativa que acaba por tornar-se a sua própria ameaça, não só para a inveja alheia como também para os predadores sexuais que habitam a cidade. Jesse é uma menina inocente que está perdida em um covil de leões e conta apenas com sua beleza para se virar em um mundo totalmente predatório e sem piedade. As modelos já profissionais que lhe são apresentadas, Sarah (atriz) e Gigi (atriz), invejam sua beleza natural e não acreditam que sua rápida ascensão tenha sido sem passar pelo famoso teste do sofá.

Em entrevista Nicolas Winding Refn chegou a afirmar que o tema principal do filme é o vicio pela beleza, assim como a inspiração veio na famosa nobre e serial killer húngara Elizabeth Báthory, famosa por matar jovens mulheres e se banhar com o sangue delas para adquirir sua beleza. De fato o vicio pela beleza ficou bem explicito ao implicar a mudança de personalidade em Jesse, que onde via-se tímida com sua própria beleza passou a adotar ações mais narcisistas quanto a si mesmo e ignorar os outros a sua volta. A temática do longa é interessante, porém faltou um melhor desenvolvimento para a história.

O longa é classificado no gênero horror, no entanto passa muito longe quanto a sua classificação já que os únicos momentos sãos suas breves cenas no final. No mais o filme não passa de um drama experimental, onde pela sua história poderia passar longe do experimentalismo e se focar em algo mais simples e menos complexo.

O grande ponto alto do longa é a atuação de Elle Fanning, onde no começo sua personagem se mostrava tímida e inocente mas quando cai no vazio narcisista do mundo da moda adota uma expressão mais sombria, fazendo com que sua atuação fique mais sólida.

Assim como Apenas Deus Perdoa usa e abusa de cores fortes e chamativas, Demônio de Neon trabalha com essas mesmas cores, onde o vermelho é essencial do começo ao fim. A fotografia também trabalha com um tom interessante de sombra e luz que acentuam bem a beleza e a frieza de seus personagens.

Ao final de Demônio de Neon, Nicolas dedica o filme a sua esposa Liv, no entanto visto a temática experimental ainda parece ser uma dedicatória a Alejandro Jodorowsky, assim como feita em Apenas Deus Perdoa.

Três baldes de pipocas.

3-pipocas

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