Crítica: Diamantino (2018)

diamantino

Diamantino é uma dramédia interessante, divertida, inteligente, que faz críticas diretas não apenas ao estereótipo do jogador de futebol, mas também a sociedade como um todo.

Lançamento 20 de dezembro de 2018 
Direção: Gabriel Abrantes, Daniel Schmidt
Elenco: Carloto Cotta, Cleo Tavares, Anabela Moreira

Sinopse:

Diamantino é uma estrela do futebol mundial, até que, de repente, perde todo o seu talento e se aposenta como um fracasso aos olhos da opinião pública. A partir disso, o ex-craque passa a procurar um novo propósito para a sua vida. Inicialmente ele resolve confrontar o neo-fascismo, em seguida se envolve com a crise dos refugiados, chegando na questão da modificação genética até a busca pela origem do genial.

Diamantino foge das dramédias convencionais, ou seja, ele é uma paródia sobre grandes jogadores de futebol que muitas vezes não são instruídos a seguirem outro tipo de carreira e acabam sendo levados para o mundo dos jogos.

O espectador consegue notar as mais diversas críticas sociais e referências a pontos históricos, como por exemplo, o pai do jogador fazendo referência ao pintor Michelangelo, e prova que na época os artistas mostravam suas habilidades nas igrejas, mas que nos dias atuais as igrejas são dadas como estádios de futebol – ou seja, cabe aqui uma crítica de livre interpretação.

Quando o protagonista entra em cena, o espectador nota todo seu carisma e inocência de criança despreparada para o grande mundo, e isso o leva a criar uma grande e forte empatia com a personagem, principalmente ao perceber que Diamantino está rodeado de pessoas interesseiras e aproveitadoras. Pobre do jogador que acredita em absolutamente tudo o que ouve e vê.

Inicialmente o espectador é apresentado a um filme com tom de paródia/humor, mas não demora muito para que a direção ousada de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, mude todo o clima para algo mais dramático e romântico, ao estilo Shakespeare – que pode incomodar e entregar um tom exagerado para o espectador, mas que se olhar atentamente, consegue ver que o humor ainda está lá presente.

É notável a enorme referência ao jogador Cristiano Ronaldo, por ser um personagem português e que perde um pênalti importante para a copa … vejam, estão realmente falando dele. Um jogador ignorante e talentoso na mesma medida

.A produção não apenas trabalha de maneira proveitosa os mais diversos estereótipos de jogador de futebol e portugueses, como também constrói uma narrativa interessante sobre a crise financeira de 2008 na Europa, os re”fugiados”, corrupção dos políticos e o Brexit.

O elenco é competente e entrega o esperado, principalmente nosso protagonista interpretado de maneira simples e natural por Carloto Cotta. É incrível como o ator consegue levar a realidade e diversão para o espectador.

Como chave-mestra para toda a história, a direção usa e abusa da coragem em tratar de maneira cômica os temas que são dados como “tabu” na Europa.

Existe sim uma comédia, divertida e inteligente, mas também existe um drama competente por trás da história de Diamantino.

Por fim, Diamantino funciona muito bem como um bom e leve entretenimento, principalmente por suas críticas sociais, religiosas e étnicas.

Galeria:


Trailer:

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