Crítica: I Am Mother (2019)

I Am Mother

O novo original Netflix, I Am Mother, é um suspense futurístico bem executado e com um visual de encher os olhos, mas que peca por desperdiçar uma boa premissa num roteiro repetitivo e batido.

Lançamento: 7 de Junho de 2019
Direção: Grant Sputore
Elenco: Clara Rugaard, Rose Byrne, Hilary Swank

Sinopse:

Numa realidade futurística distópica, uma menina é criada desde o embrião por um robô que a educa, ensina a ler e conta sobre a triste realidade “do lado de fora” da casa onde vivem: a ganância e poluição dos seres humanos eliminaram a vida na Terra e sair não é uma opção. Assim, a Filha (Rugaard) e a Mãe (Byrne, voz) vivem juntas sem nenhum contato com o mundo exterior, até que a visita de uma mulher machucada abala a relação entre a menina e sua mãe, uma vez que ela acreditava ser o único ser humano ainda vivo.

Dirigido pelo debutante Grant Sputore, que já no primeiro filme traz a duplamente oscarizada Hilary Swank – por “Meninos Não Choram” (2000) e “Menina de Ouro” (2005), – I Am Mother é um suspense inteligente e visualmente belo, com uma atuação bem decente da protagonista, mas que não é tão inovador quanto aparenta.

A princípio, o espectador pode se sentir desafiado pela trama: a história é sobre essa robô que mantém guardados centenas de embriões, seleciona cuidadosamente um deles (a Filha) e o cria com carinho, num rotina de exercícios e tarefas diárias para aprimorar e supostamente criar um ser humano perfeito, saudável e moralmente evoluído.

O problema é que daria para desenvolver muita coisa disso, até mesmo uma série de televisão interessante, mas o roteiro se mostra mais um daqueles suspenses com vilões e motivos óbvios. O texto não vai conter spoilers, mas nos 20 minutos de projeção o espectador já vai ter sacado tudo que acontece no terceiro ato de I Am Mother.

Mas nem por isso o filme chega a ser ruim: a direção é decente e os efeitos são muito legais – apesar do robô correr igual o Tom Cruise em “Missão Impossível” ser bastante bobo, – e o maior destaque vai pra atuação da dinamarquesa Clara Rugaard: ela segura firme os momentos de tensão e interage quase sempre com uma máquina, sem nunca deixar de soar natural. Ainda está no comecinho da carreira (também é cantora) mas talvez essa seja uma oportunidade de abrir novas portas.

A veterana Hilary Swank também está bem aqui, e é ótima vê-la em projetos novos e “dando moral” para um diretor e uma atriz ainda tão novos. As cenas das duas são realmente boas e ela transmite muita verdade na personagem, embora não seja nenhum papel desafiador ou bem construído.

Como resultado, I Am Mother vale a conferida, sim. Tem bons momentos, um visual belíssimo e reviravoltas legais de assistir com amigos ou estando de bobeira com a Netflix logada. Podia ser mais bem explorado, mas para um primeiro filme é um trabalho satisfatório do Stupore.

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Trailer:

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