Crítica: Juliet, Nua e Crua (2018)

Juliet, Nua e Crua funciona com alguns clichés do gênero e é despretensioso, mas, que no fim, você se encontra emocionado e torcendo para que os dois terminem juntos.
Lançamento: 4 de outubro de 2018
Direção: Jesse Peretz

Elenco: Rose ByrneEthan HawkeChris O’Dowd

Sinopse:

Annie (Rose Byrne) está presa em um relacionamento de longa data com Duncan (Chris O’Dowd), fã obsessivo do obscuro rockeiro Tucker Crowe (Ethan Hawke). Duncan chega a ser mais dedicado ao seu ídolo do que com a sua própria esposa. Quando um demo acústico de Tucker, que foi hit há 25 anos, ressurge no meio musical, Annie tem um encontro com o ardiloso rockeiro.

Em momentos onde passamos boa parte de nosso tempo, nas redes sociais, é normal que filmes tendem a retratar e introduzir essa realidade nas histórias contadas. Dito isso, pode se considerar o telefone fixo como um indicativo importantíssimo principalmente nas comédias românticas.

Quem não se lembra das icônicas cenas de intermináveis conversas sobre o baile de formatura e as divisões de tela onde colocavam todos no mesmo diálogo? Isso sempre vai ser uma referência muito grande ao se tratar desses filmes, anotem isso.

Talvez muitas pessoas nem saibam que isso existiu ou que foi algo recorrente em filmes daquela época, já que nasceram na era das redes sociais e do streaming em seu mais intenso momento. Intenso pois a aproximação de fãs com seus ídolos está cada vez maior, já passamos da fase do editado e perfeito valorizando tudo que tem uma certa honestidade e veracidade.

Embora o título sugira algo convencional, não se trata de uma dramédia pastelona onde há trocadilhos com nudez e piadas sobre sexo. É um humor muito sutil, algo cômico como a nossa própria vida e as situações mais inusitadas e engraçadas que nos encontramos.

Adaptação do livro de Nick Hornby e direção de Jesse Peretz, conta a história de Annie (Rose Byrne), responsável pela direção de exposições de um museu de artes anteriormente feito por seu pai, vive com Duncan (Chris O’Dowd), professor de cinema dono do site dedicado ao seu ídolo Tucker Crowe  (Ethan Hawke) que presta mais atenção em seus colegas Croweheads online do que em sua própria esposa. A história é ambientada na pacata cidade costeira da Inglaterra, Sandcliff, que reforça ainda mais a ausência de todo o ritmo frenético de uma cidade grande.

Tucker vive nos EUA, e desde sua ultima apresentação, há 25 anos atras tenta se desvincular da imagem de ícone teen morando quase que, escondido do mundo, na casa de fundos da sua ex-mulher. Pai de vários filhos com várias mulheres – todas igualmente irritadas com o pai ausente – o personagem de Ethan Hawke vive o quarentão frustrado, sem dinheiro, sem emprego e sem motivação na companhia do seu filho mais novo, Jackson.

Annie está infeliz em seu duradouro relacionamento de 15 anos e começa a questionar se é o que realmente quer com Duncan, que, além de não compartilhar da ideia de ter filhos, é obcecado pelo cantor a ponto de ter um quarto somente com posteres, quadros e discos de Tucker Crowe, no maior estilo adolescente nos filmes dos anos 90.

Devido ao grande amor pelo cantor e considerável sucesso do blog na internet, a gravadora decide mandar para Duncan uma versão em cd inacabada do disco Juliet de 1993, acústico intitulado “Juliet Naked”, ou em tradução livre Juliet Nua.

Uma discussão leva então Annie comentar de forma pertinente e critica a review feita por Duncan do tal disco argumentando que obras de arte inacabadas são apenas isso, inacabadas. Entra então o elemento acaso, quando o Próprio Tucker responde a Annie concordando com tudo, o que faz surgir uma maravilhosa relação ao trocarem emails sem fim.

Ainda que,  se passe em 2018, Juliet Nua e Crua, parece não se importar muito e brinca ao trazer elementos muito pontuais, digamos, retrô anos 2000. Ao começar pelo trabalho quase que inocente do acaso, onde tudo parece acontecer de propósito, culminando um fim até que doce e refrescante, mas previsível. Por isso é quase que impossível assistir sem sentir aquele fio nostálgico no ar.

Juliet, Nua e Crua traz exercícios interessantes e questionamentos que acercam nossas vidas, perguntas que, muitas vezes, ninguém nos faz tipo “O que você realmente quer?”. Annie sempre viveu no automático e prol de agradar, cuidar e preservar a vida de outras pessoas enquanto a sua liberdade e independência esteve em segundo plano. Duncan que tinha essa função de cuidar de Annie está tão concentrado na vida de Tucker que acaba esquecendo do seu relacionamento. E Tucker, representa tudo aquilo que fantasiamos que nossos ídolos sejam, uma total quebra de expectativas deixando o “Nem tudo é o que parece ser” na cabeça.

Há algo curioso e pertinente no padrão das relações entre as mulheres e a musica presente no filme, onde não gostam muito de música. Elas gostam de músicos e bebês – e de ter bebês com músicos. Dependendo do caso isso pode ser lido como uma visão retrógrada do que as mulheres realmente querem. Mas muito mais do que elas não querem, como esposo ou como pai.

Contudo, Juliet, Nua e Crua também traz a tona nossa relação com a música, o quão é presente e influente em nossas vidas, trilha sonora que diga-se de passagem, além de assertiva, é a responsável por todo o clima noventista e nostálgico. Letras que diz muito sobre os personagens principais, perdidos em suas próprias vidas tentando encontrar algum sentido e significância na busca daquilo que querem. É leve, é divertido e feito despretensiosamente para os amantes de musica e romance.

Galeria:

Trailer:

Filmmaker, atual residente na Shondalandia, cinéfilo em ascensão e virginiano por natureza metido a critico.

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