Crítica: Legalize Já – Amizade Nunca Morre (2018)

Legalize Já - Amizade Nunca Morre

Legalize Já – Amizade Nunca Morre é um filme necessário por levantar questões como o aborto, drogas e opressão policial.

Lançamento: 18 de outubro de 2018
Direção: Johnny Araújo, Gustavo Bonafé

Elenco: Renato Góes, Ícaro Silva, Ernesto Alterio

Sinopse:

Skunk é um músico revoltado com a opressão e o preconceito diários sofrido pelas comunidades de baixa renda, que busca expor sua insatisfação através da música. Um dia, ao fugir da polícia, ele esbarra em Marcelo, um vendedor de camisas de bandas de heavy metal. O gosto pelo mesmo estilo musical os aproxima, assim como a habilidade de Marcelo em compor letras de forte cunho social e questionador. Impulsionado por Skunk, ele adentra o universo da música e, juntos, formam a banda Planet Hemp.

Legalize Já – Amizade Nunca Morre antes de mais nada, não é só sobre a origem do Planet Hemp, mas é acima de tudo sobre encontros, e isso é de uma delicadeza sem igual. O longa que também é para os fãs, fala de amizade e paixão, e do poder de transformação através do encontro.

O filme se passa na Lapa nos anos 90, ícone da boemia carioca, a Lapa é um point onde excluídos e outsiders se encontram com as classes mais abastadas, num misto de luta pela sobrevivência e devassidão que faz com que o local pulse intensamente, graças à mistura lá existente e também pela linha tênue entre diversão e preconceito. E além dessa escolha, os diretores optaram por deixar o filme em cores mais acinzentadas e as vezes até preto e branco, e essa falta de cor tem uma relação direta de onde os personagens são colocados, vistos como marginais.

O encontro entre Marcelo (Renato Góes) e Skunk (Ícaro Silva) mostra a força dos jovens que tem algo para contar, a subversão de tudo que acontecia politicamente na época. E o encontro de Góes com Silva é uma química impressionante.

Renato fez uma construção de personagem incrível, há momentos em que ele está cantando e a sensação é de que o D2 está na tela. Já Ícaro talvez tenha o personagem mais difícil da trama, Skunk tinha AIDS e já sabia que iria morrer, pois não seguia o tratamento, mas encontrou na música e nas letras de Marcelo uma oportunidade de não ser esquecido, de ser alguém.

Legalize Já – Amizade Nunca Morreem nenhum momento faz apologia a nada, mas é necessário por levantar questões como o aborto, drogas e opressão policial. Não pode ser esquecido a trilha sonora que além de claro ter Planet Hemp, passa de Thaide a Faith No More com classe para mostrar as referências que a banda tem.

Tem que ressaltar o trabalho feito pelos diretores Gustavo Bonafé e Johnny Araújoque fizeram de Legalize Já – Amizade Nunca Morre uma obra de arte atemporal.

Galeria:

Trailer:

Aspirante a jornalista, metido a crítico. Taurino intenso, viciado em PF da esquina. Amante dos filmes que te fazem refletir, e um eterno bom vivam.

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