Crítica: Maria Madalena (2018)

A luta do feminismo na época de Cristo 

Lançamento 15 de março de 2018
Direção: Garth Davis

Sinopse:

A história de uma das figuras mais enigmáticas e incompreendidas da história bíblica: Maria Madalena (Rooney Mara). Em busca de uma nova maneira de viver, contrariando as pressões da sociedade, sua família e o machismo de alguns apóstolos, a jovem pescadora junta-se a Jesus de Nazaré (Joaquin Phoenix) em sua incansável missão de propagar a fé.

Tempos difíceis para os machistas, isso é fato. Maria Madalena mostra de maneira explicita e muito firme o lado machista da história, a desconfiança de muitos e a escolha por traçar o seu caminho. O cinema tem mostrado representatividade e força na luta das mulheres pelo seu merecido reconhecimento na história humana.

A escolha de trazer a história pelo ponto de vista da própria personagem título foi arriscada e com toda certeza Garth Davis sabia disso, mas ao contrário do que muitas pessoas pensam, ele não é apenas mais um filme bíblico, pelo contrário, ele é um filme sobre a força da mulher e do que ela é capaz de fazer para manter seus ideais até o fim, isso fica nítido para o espectador que nota no foco da história a mudança de vida que Maria Madalena teve ao contrariar toda sua família a fim de propagar a fé ao lado dos apóstolos e de Jesus.

O filme entrega belas cenas e sem muitas falas, ele convence e muito o espectador com seu clima místico e misterioso, mesmo ele sabendo que o filme é focado no estudo da vida da personagem. Além do clima místico, o filme apresenta um ar político e que dispara diálogos instigantes e extremamente necessários, onde a desigualdade entre gêneros e o sofrimento feminino na época fazem com que o espectador note a veracidade e compare com os dias de hoje. Apesar de possuir todo esse clima, ele se perde em alguns momentos e faz com que o espectador note a falta ou o excesso de algo – aqui, cabe somente a interpretação de cada um.

Com quase 140 minutos de duração, Maria Madalena trabalha de maneira muito precisa quanto a história da personagem título, onde a produção não apenas se importa de mostrar sua trajetória diária em Magdala, como também em passar por momentos históricos, como a Santa Ceia, a traição de Judas, a via sacra e o ponto que todos conhecem, a crucificação. Apesar de ser necessário para o espectador rever e entender certos pontos apresentados nessas cenas, a trama acaba por forçar e apresentar uma maneira curta e resumida de tais momentos, o que aparece como um ponto fraco do filme, mas também não o compromete. Não fica muito claro o porque da produção ter optado por tais escolhas – o pouco tempo de cenas já conhecidas, mas a impressão que causa é de que a tensão não poderia fazer parte de um drama tão forte e marcante, que pena.

O elenco escolhido a dedo faz com que o filme não seja apenas mais uma entrega, mas sim algo marcante para o espectador que o vê com uma ânsia de conhecimento ainda maior do que das demais entregas. Rooney Mara está melhor do que nunca, ela convence e emociona no papel de Maria Madalena. É incrível ver como a atriz entrega veracidade com seu olhar temente e ao mesmo tempo muito firme de suas decisões. Joaquin Phoenix vai bem como Jesus, sem maneirismos e mesmo parecendo clichê vindo de sua parte, conquista o público. Ambos estão ótimos e tiram o melhor um do outro apenas com o olhar, afinal de contas, uma história tão forte não precisa de tantos diálogos falados, mas sim olhados. Quem também ganha um bom espaço na trama e desperta ainda mais simpatia do espectador, é Chiwetel Ejiofor, como Peter.

A produção acertou em cheio em quase tudo, desde sua rodagem no ponto, até a trilha sonora muito bem trabalhada e dosada, que conduz o espectador de maneira muito firme e leve para o drama contado. Sincera, emblemática, necessária e forte, Maria Madalena remete a realidade de muitas outras mulheres mundo a fora e a empatia criada pelo espectador é o que faz a trama ser mais bela do que é.

Com um roteiro firme e uma história forte, sem voltas ou artifícios para impactar o espectador, Maria Madalena confirma não apenas a luta diária que as mulheres possuem em uma sociedade machista e opressora, como também mostra que ela teve voz suficiente para marcar a caminhada de milhares de pessoas através dos séculos. Aqui, o espectador recebe a mensagem de maneira clara como água e reconhece o peso que Maria Madalena tem na história humana.

Galeria:

Trailer:

 

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