Crítica: Midsommar – O Mal Não Espera a Noite (2019)

Midsommar é um filme visceral, que pode chocar, mas também é extremamente interessante por conta de seu simbolismo e de toda a história que se passa nas entrelinhas de um roteiro pontual e em uma direção totalmente efetiva

Data de lançamento: 19 de setembro de 2019

Direção: Ari Aster

Elenco: Florence PughJack ReynorWill Poulter

Sinopse:

Após uma experiência traumática envolvendo sua família, Dani passa por momentos difíceis, e acaba sendo convidada para uma viagem com seu namorado e seus amigos. O que ninguém sabia é que a festa de nove dias poderia esconder um segredo sobre a cultura desse povoado.

Midsommar é um filme excêntrico em sua base. A trama começa densa, mostrando bastante do como o roteiro e a direção do longa caminham lado a lado de maneira complementar e interessante.

Ari Aster está afiado no longa, com uma direção pontual e minimalista, que aproveita muito bem o roteiro do filme, ele colabora para a construção de um conjunto de personagens totalmente profundos, além de conseguir abordar de maneira extremamente interessante um choque cultural.

Já no início, o filme mostra como Dani lida com o mundo ao seu redor, mostrando que ela tem muita carga dramática em seu passado, e deixando claro que o que está acontecendo no filme é a gota d’água. O filme mostra ela como uma mulher ansiosa, e isso é expresso em takes fechados, que chegam a ser claustrofóbicos, sem música e com foco nos sons ambientes.

Além dela temos seu namorado Christian que está decidido a terminar o relacionamento, e seus três amigos, Josh que está trabalhando em sua tese, Mark que só quer férias e Pelle que morou na aldeia onde eles vão passar as férias. Todos os personagens são bem construídos graças a união perfeita entre roteiro e direção, sempre mostrando as características dos personagens de forma sutil, mas efetiva.

Como Midsommar é passado em um lugar que praticamente não escuresse, Aster faz aqui escolhas que tornam o filme denso e coeso, optando sempre pelo foco em poucos diálogos, mas atuações bem expressivas e incisivas que criam um ambiente tenebroso a luz do sol. Os mistérios da aldeia vão sendo desvendados com o passar do filme, e o ritmo pode não agradar a todos, já que o longa foca em construir muito bem seu universo, ao invés de jogar jump scares no público.

O terror do filme é em grande parte psicológico, usando também do gore para dar momentos de choque para o público, se diferenciando de Hereditário (filme anterior do diretor) por conta da sua temática que aborda o terror de uma maneira bem diferente.

Os efeitos práticos do filme são bem importantes para criar as cenas mais bizarras do filme, tudo funciona muito realisticamente, a ponto de deixar quem assiste, querendo fechar os olho em muitos momentos. Além disso, o filme se passa em grande parte durante o dia, algo que torna mais impressionante ainda a direção, que consegue fazer a tensão ser presente do começo ao fim do longa.

A pós produção do filme é interessante, já que a fotografia do longa é linda e fria, as cores são bem exaltadas para que o ambiente abrace quem está assistindo o filme da maneira que ela abraça seus personagens, criando um contraste entre a beleza dos ambientes com o aspecto de terror do filme. Além disso, a escolha de uma trilha sonora pontual é certeira, já que os sons captados no ambiente e o silêncio, são praticamente protagonistas do longa.

O final do filme é realista e consegue deixar o público estático, com a completa quebra de expectativas, é algo que pode demorar para ser digerido por quem assistir o filme.

Midsommar pode não ser um filme que vai funcionar para todo mundo, pois ele é denso e demanda que quem for assistir, tenha uma mente aberta que para fazer um terror, não necessariamente precisa se aproveitar de todos os clichês do gênero. Lindo esteticamente, mas grotesco em seu cerne, esse filme promete ser um dos melhores, se não o melhor filme de terror do ano.

Galeria:

Trailer:

Compartilhar: