Critica | MIllennium – A garota Na Teia de Aranha

Com uma abordagem mais heróica, Millennium retorna mais polida e higienizada dando mais espaço para cenas de ação e o que há de melhor na tecnologia da espionagem.

Elenco: Claire Foy, Sylvia Hoeks, Lakeith Stanfield, Sverrir Gudnason, Vicky Krieps, Stephen Merchant
Diretor: Fede Alvarez
Lançamento: 8 de novembro

Sinopse: Ao receber uma ligação, o jornalista Mikael Blomkvist fica sabendo que um cientista sueco descobriu que a NSA, a agência de espionagem digital dos Estados Unidos, pode estar usando sua criação, programa que acessa códigos de armas nucleares de forma errada. Então, começa a sua investigação e para isso entra em contato com a hacker Lisbeth Salander, (Claire Foy) que tem a tarefa de invadir os computadores da NSA. Entretanto, os Aranhas, um grupo terrorista Russo, também tem interesse em por as mãos no programa.

Atualmente com os conflitos sociais super em alta, é quase que necessário que filmes como a franquia Millennium se posicionem e adequem-se a realidade. Ainda mais sendo personagens que, de alguma forma, trazem uma espécie de justiça para com aqueles inferiorizados pela sociedade.

Filmes como V De Vingança (2006), a franquia Jogos Vorazes (2012-2015) trouxeram um peso a mais no tema que alfineta e ao mesmo tempo propõem um questionamento interessante sobre a sociedade na qual vivemos: hipócrita e machista.

A quinta produção baseada na série Millennium, criada por Stieg Larsson, sempre foi conhecida por estar a frente do seu tempo. Lisbeth Salander, a hacker punk-gótica, bissexual, feminista e justiceira já esteve aqui muito antes de hashtags aparecerem. Não que uma coisa invalide a outra, mas a militancia dela sempre foi muito expressiva.

O novo filme da franquia, agora baseado no livro de David Lagercrantz que continua a série após a morte de Larsson, procura preservar esses elementos tão bem trabalhadosna construção da personagem. Mas também, adicionar novas camadas ao universo de MIllennium. Os fãs de Lisbeth ficarão felizes em saber que ela ainda tem o dragão nas costas.

Na nova história, Lisbeth Salander (Claire Foy), a nossa heroína está, assim como os homens que machucam as mulheres, exposta graças às matérias escritas por Mikael Blomkvist (Sverrir Gudnason) para a revista Millennium. Apesar da fama repentina, ela se mantém distante da mídia em geral e levando uma vida às escondidas.

Ela é então contratada por Franz Balder (Stephen Merchant) para recuperar um programa que acessa códigos de armas nucleares do mundo chamado Firefall. Como hackerar é sua especialidade, Lisbeth consegue sem muito esforço, não só passa por uma das maiores redes de segurança do mundo na NSA, como recupera o controle do programa. Mas não esperava que um outro grupo, os Aranhas, também estivesse interessado nele. É isso, temos o nosso filme.

Embora Fede Alvarez (O Homen nas Trevas) tenha feito um ótimo trabalho na direção, quem acaba nos prendendo em sua teia de expressividade é Claire Foy, (The Crown), provando ser um camaleão. O filme após um tempo começa a ganhar forma (de ação), abrindo espaço, possivelmente, a uma nova franquia de filmes de espionagem, dessa vez, protagonizado por uma mulher bissexual com sede de vingança.
A fotografia fria transmite bem o ambiente gelado Sueco ou , certamente, transmite o humor sombrio da alma de Salander. Ambos os casos, devemos dar crédito ao trabalho de Pedro Luque.

Uma das principais conquistas dos três filmes suecos, e até mesmo a versão americana de David Fincher de 2011, foi a capacidade de projetar uma atmosfera de violência quase constante contra as mulheres. Sem usá-la como desculpa para fetichizar a brutalidade. Esse conceito está quase que invisível aqui, dando espaço a jornada do herói.  A Garota na teia de aranha abusa da ação colocando Lisbeth numa Missão (quase) impossível suavizando seu feminismo, praticamente eliminando sua intrigante estranheza apostando no retrô e lucrativo conceito onde “Eua salvam o mundo da Russia mais uma vez”.

 

Galeria: 

Trailer

Filmmaker, atual residente na Shondalandia, cinéfilo em ascensão e virginiano por natureza metido a critico.

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