Crítica: Nasce Uma Estrela (2018)

Nasce Uma Estrela mostra que para uma estrela nascer, outra deve se apagar

Lançamento: 11 de outubro de 2018
Direção: Bradley Cooper
Elenco: Bradley Cooper, Lady Gaga, Sam Elliott

Sinopse:

Jackson Maine (Bradley Cooper) é um cantor no auge da fama que conhece Ally (Lady Gaga), uma insegura cantora que ganha a vida trabalhando em um restaurante. Jackson se encanta pela mulher e seu talento, decidindo acolhê-la debaixo de suas asas. Ao mesmo tempo em que Ally ascende ao estrelato, Jackson vive uma crise pessoal e profissional devido aos problemas com o álcool.

Muito se questiona sobre a relevância Nasce Uma Estrela em 2018. Essa necessidade motivacional que obriga uma readequação narrativa a cada geração pode parecer mais uma tentativa de Hollywood lucrar de forma segura. Seguindo a lógica de um remake se já funcionou uma vez, é provável que funcione outra. Certo?

Certo. Entretanto, é notório que trata-se de um projeto ambicioso, muito bem produzido e o mais importante, a mensagem que traz consigo parecer ter renascido.

Em sua quarta versão da história, as anteriores focaram em como as estrelas são realmente criadas e o que as faz desaparecer. Bradley Cooper que estreia como diretor, brilhantemente, optou por mostrar o que acontece entre as estrelas.

Mantendo a estrutura original onde há uma estrela em ascensão e outra em decadência, as versões de Janet Gaynor (1937), Judy Garland (1954) e por último de Barbra Streisand (1973) parecem dignos de um olhar moderno que situe no mundo no qual sua estrela em particular nascerá. E quando se desvia de seus antecessores em certos pontos do enredo, essas escolhas parecem modernas e perfeitamente naturais.

Conta a história do músico Jackson Maine (Cooper), um rockstar com anos de estrada e de vícios, acompanhado pelo irmão mais velho, Bobby (Sam Elliott), que apaga os incêndios na sua vida. Após um show conturbado, regado à álcool e drogas, Jackson termina a noite em uma boate e conhece Ally (Gaga), uma garçonete que sonha em ser cantora e que teme cantar as músicas próprias em público.

A química mutua e a consequente paixão, são inevitáveis aqui. A história de Ally é a realização clássica de desejos de todo musico iniciante. E Jack é a estrela que precisa prosperar e permanecer ligado à realidade que tanto foge através das drogas e intenso consumo de bebidas.

Ao mesmo tempo que é super realista, já que as cenas dos shows foram de fato filmadas ao vivo em festivais tipo Coachella e Glastonbury, Nasce Uma Estrela, é pertinente na metalinguagem. Seguindo a lei científica “o tempo de vida de uma estrela está diretamente relacionado à sua massa”, nesse caso a massa seria a nossa essência, nossa integridade.

Podemos considerar a performance de Gaga, que convence – e muito bem por sinal – na ingenuidade e insegurança de Ally ao enfrentar seus medos por represália. Mas a presença de Lady Gaga – a cantora – é interessante justamente por ela ser sido consequência e de certa forma, vítima do mercado fonográfico. Seu álbum de estréia inclui as músicas “Starstruck” e “Paparazzi”, que descrevem facilmente a estrutura de três atos do filme. Ou seja, é a metalinguagem da metalinguagem do filme.

Tanto Gaga quando Bradley, excelente performances, elevam e passam com verdade as angustias, medos e inseguranças de seus perfonsagens. O que bem provavelmlente, renderá indicações ao Oscar. Principalmente pela memorável trilha sonora composta juntamnte por ambos e mais alguns nomes como Mark Ronson, Andrew Wyatt e Anthony Rossomando.

Nasce Uma Estrela é sem dúvida um melodrama ao estilo de Hollywood, mas tem algo a dizer sobre o mundo em que nos encontrarmos, sobre o que é preciso para permanecer humano no meio de uma máquina de fazer celebridades.

A mensagem que fica , é que não se trata realmente de “ser original ” e sim real, porque outras pessoas nos vêem e nos amam pelo que somos.

Galeria:

Trailer:

 

Filmmaker, atual residente na Shondalandia, cinéfilo em ascensão e virginiano por natureza metido a critico.

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