Crítica: O Abutre (2014)

Um dos filmes que fez e ainda faz muito barulho, prende o espectador em frente as telas e não permite muito tempo de descanso… esse é O Abutre.

Lançamento: 18 de dezembro de 2014
Direção: Dan Gilroy
Elenco: Jake Gyllenhaal, Rene Russo, Riz Ahmed

Sinopse:

Enfrentando dificuldades para conseguir um emprego formal, o jovem Louis Bloom (Jake Gyllenhaal) decide entrar no agitado submundo do jornalismo criminal independente de Los Angeles. A fórmula é correr atrás de crimes e acidentes chocantes, registrar tudo e vender a história para veículos interessados.

Logo de cara devemos dizer que a temática parece ser batida e nem um pouco original, até porque, excelentes filmes renomados falaram sobre o circo que a imprensa tem o costume de armar, mas, o que difere O Abutre dos demais, é justamente a maneira em que ele é construído. O diretor Dan Gilroy conseguiu realizar uma obra que não possui um tema original, mas consegue atualiza-lo de maneira grandiosa.

O espectador fica cara a cara com a necessidade do ser humano em ver cada vez mais a violência urbana de uma sociedade regada de sangue frio e sofrimento, e claro, em um mundo como este, não poderia faltar quem os alimenta e a imprensa sensacionalista está ai justamente para isso. Lou Bloom é uma criatura da noite, sem emprego e sem expectativa alguma de vida, ele sobrevive de furtos e revenda de mercadorias ilegais. Logo após fechar um negócio, ao caminho de casa, ele se depara com alguns policiais que tentam salvar uma vitima de um acidente e neste meio tempo as filmadoras aparecem para gravar aquela cena desagradável. Logo nosso protagonista descobre que aquelas imagens serão vendidas para um canal sensacionalista, ele vê uma excelente oportunidade de conseguir dinheiro e passa a investir em um projeto que filmará os acontecimentos nas ruas e também venderá a televisão.

Com um roteiro espetacular e uma direção digna de aplausos, Dan Gilroy não poderia ter escolhido ator melhor do que Jake Gyllenhall para ser o protagonista. Sua personagem possui aqueles sorrisos fáceis e falsos, coisa que o torna marcante e inesquecível, sim, ele entra para o hall de personagens memoráveis e pesados. A entrega feita por Gyllenhall é forte e deixa o espectador boquiaberta com o que vê, já que usou e abusou de quase todo o seu charme. A construção da personagem é fortissima e real, coisa que soma para o filme. O ator transmite uma atenção com seu olhar que realmente mostra o quanto ele quer e precisa daquilo, ou seja, muito bem construído e formado, o elenco vem justamente para causar um impacto forte no espectador.

O roteiro se mostra sujo para o espectador, e talvez essa tenha sido a chave mestra, porque ele prende quem o assiste e não deixa solto em momento algum. Aliás, solto é uma palavra que o espectador deve esquecer ao assistir o longa, já que tudo é entregue de maneira grandiosa, com uma rodagem na medida correta e envolvente. O espectador quer julgar o personagem, mas torce para que ele vença, mesmo sendo um tremendo mau carater.

O filme cria um diálogo unico com o espectador, a necessidade pela violência, o poder da imprensa, a essência de um ser humano, a sociedade parada em frente a noticias que talvez nem sejam tão reais quanto são vendidas, é entregue de maneira forte e isso causa um impacto muito grande – sem exageros – , coisa que deixa o espectador reflexivo por um bom tempo. O filme funde a violência explícita que invade nossas casas, com a idéia da pessoa estagnada e isso é grandioso. O espectador logo se vê pensando ” Mas se eles possuem esse poder, é porque existe alguém que compre o ingresso para assistir”. Em tempos de smartphones, onde as pessoas preferem tirar selfies, filmar e postar nas redes sociais, O Abutre cabe como uma luva, porque deixa claro seu propósito.

O Abutre traz para a época atual um tema já abordado no cinema, mas com um teor mais moderno e que condiz com a realidade. Deste modo este filme parece compor uma sociedade atual e uma imprensa idem. Aliás não só esses dois, mas até mesmo o cinema que muitas vezes mostra uma violência literalmente gratuita. Então ao terminar esse filme temos a sensação de que o diretor e roteirista Dan Gilroy consegue falar de um tema atual e toca nesse assunto de forma inteligente e sensata.

Por fim, devemos dizer que o filme se faz necessário, se faz essencial e possui algo único – mesmo com a temática batida-, mas que consegue despertar no espectador um suspense mesclado de drama e ação que é impossível não ficar tenso de inicio a fim, porque tudo é feito de maneira realista e nem um pouco sensacionalista – contraditório? um pouco…- mas o torna merecedor de 5 baldes de pipocas.

5 pipocas

Galeria:

Trailer:

Editor-Chefe do Clube Das Pipocas. Beth? Eu também sou a Beth!. Paulista, virginiano, pós graduado em Memes da Vida, ácido, metido a crítico de cinema, apaixonado pela sétima arte e amante do café.

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