Crítica: O Diabo e o Padre Amorth (2018)

O diabo e o padre amorth
A eterna luta entre O Diabo e o Padre Amorth prova que rituais de exorcismo não são para quem está começando agora
Lançamento: 23 de julho de 2018
Direção: William Friedkin

Sinopse:

Gabriele Amorth é um professor, escritor e exorcista italiano. Entre as diversas experiências sobrenaturais que ele já viveu, está o caso de uma mulher que, após mudanças comportamentais perturbadoras, procurou a ajuda do padre para tentar levar uma vida normal. Trata-se o nono exorcismo que ele realizou.

Filmes com temática de sobrenatural e exorcismo chamam a atenção do público desde a década de 70 com o lançamento do icônico O Exorcista, dirigido por William Friedkin, que agora retorna em um de seus assuntos preferidos com o documentário gravado em 2016 na Itália , onde ele aborda a temática e segue os passos do professor, escritor e exorcista italiano, Gabriele Amorth.

Dificilmente o grande público que está acostumado com filmes cheios de jump scares ou respostas rápidas, conseguirá ter sua atenção voltada 100% ao documentário, primeiramente porque antes do diretor apresentar as famosas cenas reais do ritual de exorcismo da jovem Cristina, ele procura traçar toda uma linha do tempo entre a obra literária romântica que inspirou o filme da década de 70, a história de vida de Gabriele Amorth até os dias atuais .

O espectador que começar a assistir o documentário na idéia de ver cenas grotescas, com alguém vomitando, gritando, falando em vários idiomas ou até mesmo agredindo alguém, irá se decepcionar, uma vez que a idéia do documentário é explorar os “bastidores” de um verdadeiro ritual de exorcismo. Existe sim uma tensão durante todo o ritual, conseguimos notar a aflição de Cristina em seu nono exorcismo com o padre e principalmente ao relatar como tudo começou em sua vida.

A tensão toma conta do espectador principalmente quando o demônio é apresentado e através dos gritos mostra um tom de voz completamente diferente, dando a impressão de ser algo computadorizado, porém o exorcista explica claramente que uma pessoa possuída pode e consegue ter conhecimentos e forças imagináveis, incluindo a alteração de voz.

O Diabo e o Padre Amorth é interessante, trabalha de maneira delicada e muito precisa quanto a temática que assombra muitos ao redor do mundo. E por falar em redor do mundo, o diretor não mediu esforços para consultar diversas pessoas de diversos segmentos sobre o ocorrido, tudo com a idéia de poder desmistificar o que o público está acostumado a ver nas tantas produções cinematográficas de terror.

Para quem não se lembra ou não assistiu o documentário Belief – A Possessão de Janet Mosescabe avisar que ambos possuem o mesmo ideal, porém com personas e crenças completamente diferentes. Se em Belief tivemos a morte de Janet pelo ritual que sua família exerceu sem sucesso, o mesmo não podemos dizer sobre O Diabo e o Padre Amorth. Apesar de termos o exorcista quase que a todo instante em tela e até mesmo a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a sua história de vida, cabe somente ao espectador definir se aquilo é de fato real, afinal de contas, o ceticismo está ai para isso.

Para o espectador que for fã da obra de Friedkin, o documentário será um verdadeiro deleite pois entrega várias referências de seu aclamado filme, desde trilha sonora, a famosa escada onde o Padre Karras morre, a casa onde a família MacNeil sofre os ataques espirituais, até mesmo as letras e os créditos finais que são bem estilo ao filme tão amado pelo público do terror.

A direção entrega o que já era esperado, uma belissima fotografia ao lado de uma trilha sonora que causa incômodo, um leve ar dramático mesclado de suspense, mas não se aprofunda mais na história como o prometido. Apesar de ficarmos cientes sobre a doença e o falecimento posterior do exorcista, sentimos que faltou um pouco mais para abordar a temática. Talvez, se a direção tivesse optado por ouvir outros exorcistas além de Gabriele, o documentário teria tido um destaque ainda maior quanto o que teve.

Poucos são os documentários que procuram explorar essa temática, e apesar de ter tido uma venda que chamasse a atenção do público com “cenas reais de exorcismo”, a produção se torna mediana quando comparada com os filmes da temática, mas devo ressaltar que a idéia é desmistificar tudo o que já vimos e ouvimos sobre rituais de exorcismo.

O documentário foi gravado em 2016 e ficou disponível para ser visto quase 2 anos depois de sua produção, o que leva a crer que muita coisa aconteceu e poderia ter sido introduzida para maiores esclarecimentos, mas ele serve como uma ótima aula de história religiosa e até mesmo uma breve aula de história italiana.

Em suma, O Diabo e o Padre Amorth é um documentário interessante, que entrega depoimentos de pessoas com diferentes profissões e diferentes credos, mostra o lado humano de quem sofre com os ataques espirituais e consegue despertar ainda mais o interesse do público pelo tema, mas perde sua força no ato final com o depoimento do diretor, causando a impressão de que existiu exagero para deixar o público arrepiado com o que acabou de ver.

Galeria:

Trailer:

 

Compartilhar: