Crítica: O Farol (2019)

O Farol não é somente um filme, é uma experiência imersiva dentro de uma história claustrofóbica, que mostra como a solidão pode trazer a tona o pior do homem

Data de lançamento: 2 de janeiro de 2020

Direção: Robert Eggers

Elenco: Willem DafoeRobert Pattinson

Sinopse:

Quando dois homens tem de cuidar de um farol isolado, a solidão se torna enlouquecedora a ponto de não haver mais distinção entre o real e a imaginação.

O Farol é uma experiência um tanto quanto diferente, o filme foi gravado com lentes de 35 mm e sua imagem não é widescreen como os filmes mais recentes, ele emula de maneira extremamente eficaz os aspectos de um filme antigo, o que impacta bastante no como o longa é.

O silêncio é predominante no filme, mas isso não impede que os poucos diálogos sejam interessantes, já que os dois personagens tem histórias que transparecem muito bem tanto através do ótimo roteiro quanto através da atuação.

Existe um misticismo que se encaixa muito bem na época qual o filme se passa, e diversas vezes o personagem de Pattinson reforça seu ceticismo afirmando que todas as histórias não passam de contos de marinheiro, são coisas simples como essa que dão ao roteiro uma vida própria interessante.

A atuação é um dos pontos mais altos do filme. Willem Dafoe mostra a insanidade que a solidão pode causar. De maneira genial e pontual o ator varia entre um marinheiro vivido e cansado e alguém que perdeu a sanidade em meio ao mar do qual ele mesmo se tornou náufrago, contando sempre histórias de suas desventuras que moldaram ele. (Existe um monólogo em específico que é aterrorizante e extremamente bem entregue pelo ator, que eleva o filme de maneira incrível)

Já Robert Pattinson entrega um personagem que procura crescimento (que aparenta ser metafórico também, já que o longa parece um grande aprendizado para o ator) e busca se livrar dos fantasmas que assombram sua vida, buscando a paz na solidão e no silêncio, mas que acaba ficando mais atormentado que nunca com o passar do tempo.

A atmosfera do filme é perfeitamente construída com uma direção que se beneficia de todo o aspecto visual diferente, ele cria um suspense a todo momento em conjunto com um trabalho de som interessante.

No fim, O Farol não é apenas um filme, é uma experiência que prende a atenção e possui uma claustrofóbica visão do como o humano não consegue ficar sozinho por muito tempo já que o nosso pior inimigo somos nós mesmos.

Galeria:

Trailer:

Compartilhar: