Crítica: O Senhor do Anéis: O Retorno do Rei (2003)

“Avante e não temam a escuridão. Levantem-se, levantem-se, Cavaleiros de Théoden! Lanças serão brandidas, escudo serão quebrados, um dia da espada, um dia vermelho, antes que o Sol se levante! Cavalguem agora! Cavalguem agora! Cavalguem! Cavalguem para a ruína e o fim do mundo! MORTE! MORTE! MORTE!”

Data de Lançamento: 25 de Dezembro de 2003
Direção: Peter Jackson
Elenco: Elijah Wood, Sean Astin, Billy Boyd, Dominic Monaghan, Ian Mackellen, Viggo Mortensen, Orlando Bloom, John Rhys-Davies, Andy Serkis, Liv Tyler, Bernard Hill, Miranda Otto, Karl Urban, David Wenham, John Noble, Cate Blanchett, Hugo Weaving, Ian Holm.

Sinopse:

“Deixei meu lar,
Tenho um mundo a frente.
Muitas rotas diferentes.
Pelas sombras, até o fim da noite.
Nas estrelas nossa sorte.
Névoa e sombras, vem a ti e a mim.
Até o fim,
Tudo tem seu fim.”

Tolkien é um escritor que cultiva muitas críticas negativas no mundo da escrita pela sua forma de escrever, as vezes com pouca dinâmica, e inserindo trechos que não movimentam suas histórias em nenhum sentido e até parecendo que ele escreveu seus textos para somente ele ler e mais ninguém, mas uma coisa não podemos negar, o homem entendia de curva dramática, inclusive sendo um dos agradecimentos de Peter Jackson a ele, por seu roteiro inserir o fechamento de suas curvas dramáticas e chegar ao clímax no seu final, sendo escritos de maneira progressiva deixando os eventos mais importantes e decisivos para o destino de sua história.

A nossa jornada do herói chega ao fim e aqui descobrimos que o verdadeiro herói é o Sam (Sean Astin), escudeiro leal de seu companheiro Frodo (Elijah Wood) e que neste filme possui o melhor arco dramático e de redenção dentre os personagens. Volta aqui a adaptação do roteiro que decidiu separar os dois Hobbits, justamente para mostrar o poder negativo que o anel e o próprio Gollum (Andy Serkis) esta exercendo no Frodo, acontecimento esse que não possui no livro, onde os dois permanecem juntos o tempo inteiro. Esse tipo de adaptação feita com esmero por Peter Jackson as vezes faz até momentos do filme se tornaram mais intensos do que no livro, fato esse que engrandece as duas obras ainda mais, já que o fato de ambas terem uma maneira diferente de contar suas histórias, faz com que os um não atrapalhe o outro, você pode ler primeiro e depois assistir os filmes ou o contrário que as duas experiências serão diferentes. Outro forte exemplo, tendo em vista que já foi citado um momento em que o filme foi mais impactante do que o livro, temos o momento em que Frodo adentra no túnel da Laracna que no livro é descrito como uma escuridão total, mais amedrontador do que o túnel criado para os filmes, que não assustava tanto quanto a descrição do livro.

Outro personagem intrigante nos filmes, que ganhou muito destaque e grandes aspectos positivos em relação ao personagem do filme foi o próprio Gollum. Começava ai o reinado de Andy Serkis no universo da computação gráfica, sendo que inicialmente ele faria somente as vozes, mas quando o diretor viu Andy encarnando em seu personagem, regravou várias cenas para inserir não só a voz, mas também a personalidade e os movimentos criados por Andy Serkis. Andy criou a dupla personalidade no personagem que é responsável por um misto de sentimentos do espetador em relação ao Gollum, hora com raiva por suas atitudes, hora compreendendo tudo o que ele já passou e as suas transformações mentais e físicas pela convivência durante muito tempo com o anel. Enquanto temos essa batalha de dupla personalidade no filme, no livro ele se mostra sempre mal intencionado a tomar o anel de Frodo.

Minas Tirith no reino de Gondor é a última resistência dos homens diante do avanço das tropas de Sauron, e outra cena adaptada para as telonas e que é uma das mais bonitas e bem dirigidas do filme é a marcha dos cavaleiros de Gondor, liderados por Faramir (David Wenham) em direção a Osgiliath, em uma busca da provação e reconhecimento de seu pai, temos eles indo em direção a pequena cidade e ouvindo ao mesmo tempo uma canção cantado por Pippin (Billy Boyd), agora servo de Denethor (John Noble) sendo referente a toda a jornada até agora dos pequenos Hobbits, desde o condado e também casando perfeitamente com a marcha rumo a iminente morte dos cavaleiros de Gondor.

Apesar de não ser a última, a grande batalha dos campos de Pelennor, em defesa de Minas Tirith brilha aos olhos do espectador com suas inúmeras reviravoltas e acontecimentos simultâneos, servindo para demonstrar a grandiosidade do confronto. E não podemos citar essa batalha sem lembra do discurso de Theoden (Bernard Hill) no momento em que Gondor esta sem esperanças e já vê uma derrota iminente, mas no momento em que ao horizonte vê os cavaleiros de Rohan surgirem em uma fotografia belíssima com o sol ao fundo sendo incentivados a enfrentar a imensidão de orcs com um discurso impactante do Rei, empolga até mesmo que esta assistindo a pegar a primeira coisa que estiver ao alcance e sair correndo gritando “Morteeeee”. Uma cena estrondosa, com o discurso, a música subindo, a tomada aérea revelando o grande exército Rohirrim, o avanço da tropa com ao som das cornetas de guerra e ver os cavalos engolindo as tropas dos orcs, transformam em uma das mais marcantes do cinema.

Em todos os filmes da saga nós podemos ver os elementos de RPG bastante explícitos em tela inúmeras vezes, e aqui no terceiro filme mais do que nunca vemos isso, principalmente quando vemos a chegada dos Nazgül na batalha que espantam inúmeros guerreiros dentro das cidades somente com seus gritos em contribuição com o seu rei regente gritando para seus homens fugirem e se esconderem da batalha, mas logo em seguida vemos Gandalf imobilizar o rei e suas palavras de medo e gritar de volta para os guerreiros voltarem aos seus postos e defenderem a último fortaleza da Terra-Média do ataque dos orcs. Da pra imaginar os dados rolando na mesa de RPG diante desses acontecimentos em batalha.

Temos também presente nesse filme a presença forte do “Girl Power” na figura da Éowyn (Miranda Otto), que vai para a batalha contra as vontades do pai e do irmão Éomer (Karl Urban), mas tem um papel importantíssimo nos campos de Pelennor derrotando sozinho um gigante Mümakil e principalmente ao derrotar o rei bruxo de Angmar na cena em que ela revela que é uma mulher escondida atrás da armadura após a criatura dizer que é impossível um homem mata-lo, logo, ela diz que justamente não é uma homem e sim uma mulher retirando o elmo e derrotando o seu oponente com um único golpe de espada.

Em sua cena final ainda temos a melhor metáfora do filme, aplicável em nosso mundo e que deve ser levada para as nossas vidas. As vezes temos o mal necessário em nossas vidas, aquele mal que vem para botar um ponto final em uma página da vida, para que a história continue e das cinzas, reergamos mais fortes e calejados para novos obstáculos e desafios. Esse mal final se reflete em Gollum, quando Frodo ao chegar no fim para destruir o anel, se corrompe e desiste da ideia possuído pelo poder do objeto mágico. Eis que Gollum surge e os dois começam a disputar o anel na beira de precipício onde abaixo corre um rio de lava, até que eles em um acidente caem, Frodo de salva e o anel é destruído, pondo fim a todo o mal que assolava a Terra-Média.

É impressionante o trabalho que Peter Jackson fez na trilogia toda, principalmente porque se pegarmos a filmografia dele antes de “O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel”, repleta de filmes “b” e trash, era difícil imaginar que sairia o resultado histórico que foi. “O Retorno do Rei” finaliza a jornada e a aventura que ficará para a eternidade na história do cinema, como revolução artística e digital e batendo recordes e mais recordes em premiações ao longo do mundo que elevam os três filmes ao Olimpo das melhores produções cinematográficas da história.

Merecedor de 5 baldes de pipoca.

5 pipocas

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