Crítica: Obsessão (2019)

Obsessão

Obsessão é mais uma prova de que uma boa atuação pode sim salvar um filme de um completo desastre…

Lançamento: 13 de junho de 2019
DireçãoNeil Jordan
ElencoIsabelle HuppertChloë Grace MoretzMaika Monroe

Sinopse:

Frances (Chloë Grace Moretz) é uma jovem mulher cuja mãe acaba de falecer. Recém-chegada em Manhattan e cheia de problemas com o pai, ela divide apartamento com a amiga Erica (Maika Monroe) e trabalha como garçonete de um luxuoso restaurante. Um dia, voltando para casa, Frances encontra uma bolsa abandonada em um dos assentos do metrô, e, ao devolvê-la, acaba iniciando uma amizade improvável com a dona do acessório, uma senhora viúva chamada Greta (Isabelle Huppert). Os problemas começam a surgir quando Frances percebe que a necessidade de atenção de Greta é muito mais perigosa do que ela imaginava.

Conhecido por filmes marcantes como Entrevista com o Vampiro e Traídos pelo Desejo, Neil Jordan retorna em grande estilo e com um desafio que pode(ria) não funcionar em 2019: trazer o clássico sub-gênero stalker dos anos 80/90 para a atual geração.

Para os que não conhecem o sub-gênero de stalkers , ele fez bastante sucesso nos anos 80 e 90 com filmes como Mulher Solteira Procura e A Mão que Balança o Berço e a ideia de Obsessão é poder explorar ainda mais o sub-gênero que ficou “esquecido” anos atrás.

O ambiente criado pelo roteiro de Neil Jordan e Ray Wright funciona muito bem durante um determinado tempo, mas ele é rápido e não deixa o espectador digerir tudo o que está vendo.

É fato que a direção quis brincar com o cliché do gênero e até mesmo tentar trazer um pouco da realidade de muita gente mundo a fora, como por exemplo, o início de uma amizade inesperada que se torna um pesadelo não apenas para a vítima, mas também para quem a cerca.

Se nos anos 80 e 90 o público teve vilões que ligavam desesperadamente o dia inteiro, a noite inteira e até mesmo apareciam de maneira inesperada na casa da vítima, agora em 2019 ele tem vilões que enviam inúmeras mensagens de texto em busca de uma resposta rápida, e quando não a tem, passa a frequentar seu ambiente de trabalho, perseguir na rua e etc…

O relacionamento entre a ingenua Frances e a stalker Greta evolui de maneira tão rápida e inexplicada que o espectador se vê forçado a ligar pontos e interpretar momentos que o roteiro decidiu não explorar, o que é uma falha enorme para um filme do gênero.

Quando menos se espera, Frances está fazendo de tudo para se esconder de Greta, enquanto a stalker está com o modo insano ligado e persegue a jovem em todos os lugares que ela está afim de ter uma “amizade” que não acabe nunca.

A motivação de Greta ser como é e fazer o que faz não fica muito clara. Poucas informações são dadas para o espectador, apenas que ela é uma viúva e ex-enfermeira que abusava de anestésicos no hospital em que trabalhava. Talvez, se o roteiro tivesse explorado um pouco mais a história de nossa antagonista, o filme teria tido um peso e uma importância muito maior do que teve.

É uma pena ver que tudo acontece de maneira rápida e sem explicação, muita coisa passa a não fazer sentido e isso vale também para Frances. O espectador sente falta de ter informações sobre sua história, pouco se sabe sobre o relacionamento que ela tanto fala de seus pais.

Se a produção entregou um roteiro raso sem muitas explicações, o filme é salvo pela atuação impecável de Isabelle Huppert e pela tentativa de Chloë Grace Moretz ganhar espaço ao seu lado.

Isabelle entrega uma vilã bem construída, desequilibrada e que não vê problema algum em recorrer a medidas extremas para ter o que deseja. Ficar horas parada na calçada olhando pela janela, é a coisa mais tranquila e aparentemente, comum, que essa mulher faz. Huppert não mede esforços para ganhar espaço em um roteiro tão pequeno. Ela entrega uma mulher que realmente causa medo no espectador.

Já Moretz entrega uma protagonista ingênua – e que beira a ignorância para os jovens de hoje. Ela se esforça, entrega uma personagem bem construída, mas que perde espaço ao lado de Huppert, já que sua expressão de aflição é sempre a mesma.

Com toda certeza Obsessão é um filme que consegue cumprir com o prometido: ele entretém, diverte, causa uma terrível sensação de claustrofobia e tira leves momentos tensos do espectador, mas ele falha ao exigir do público uma grande dose de atenção (que nem o próprio roteiro consegue ter consigo mesmo) e perde totalmente sua identidade.

O ato final entrega um delicioso plot twist, com violência, sangue e uma jogada psicológica que consegue tirar Obsessão de um final desastroso e completamente esquecível.

Por fim, vale dizer que Obsessão é um filme para se divertir e não levar muito a sério, já que ele é inferior a todas as outras produções do sub-gênero, e principalmente do renomado diretor irlandês.

Galeria:

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