Crítica: Piaf – Um Hino Ao Amor (2007)

Piaf - Um Hino Ao Amor

Os sonhos, alegrias e (des)amores de Piaf provam que o amor sempre existirá

Lançamento: 12 de outubro de 2007
Direção: Olivier Dahan

Sinopse:

A vida de Edith Piaf (Marion Cottilard) foi sempre uma batalha. Abandonada pela mãe, foi criada pela avó que era dona de um bordel na Normandia. Dos 3 aos 7 anos de idade fica cega, recuperando-se milagrosamente. Mais tarde vive com o pai alcoólatra, a quem abandona aos 15 anos para cantar nas ruas de Paris. Em 1935 é descoberta por um dono de boate e neste mesmo ano grava seu primeiro disco. A vida sofrida é coroada com o sucesso internacional. Fama, dinheiro, amizades, mas também a constante vigilância da opinião pública.

Com absoluta certeza filmes biográficos não agradam todos, ainda mais se envolver o estilo musical. Mas, Piaf – Um Hino Ao Amor é muito mais do que os olhos podem ver, ele é um filme grandioso e que deve ser sentido.

Edith Piaf foi e ainda é uma das maiores referências musicais e de interpretação da França, e na época em que ela era viva, sabemos bem como a sociedade era machista e completamente fechada aos direitos da mulher. Piaf foi uma mulher que viveu frente a seu tempo, mesmo com uma história de vida amarga, regada de tristezas, perdas e sofrimento, ela levava canções que emocionam e encantavam todos que a ouviam.

Desde pequena sua vida teve sofrimento e dor, fora abandonada pela mãe, criada por um pai alcoólatra, considerada filha de “ninguém”, ficou cega quando criança e por um milagre voltou a enxergar, foi educada e criada dentro de um bordel que sua avó era dona e pouco depois passou a cantar nas suas para conseguir ter dinheiro para comer. Uma infância e juventude infeliz, onde ela cantava sobre a miséria, a falta de afeto e a injustiça que a cercava.

Um drama pesado e arrastado, mas que conquista o coração do espectador e desperta o interesse em saber mais sobre a vida da cantora e interprete que marcou o mundo com os clássicos “La Vie en Rose” e ” Non, Je ne regrette rien”.  O filme conduz o espectador de maneira muito firme, faz com que ele crie uma enorme empatia por ela, fazendo com que ele torça por cada minuto que a vê em tela. É impossível não pensar que ela viveu tudo aquilo e não se emocionar.

Em diversos momentos, a tensão e a amargura tomam conta do espectador que em meio a tanta tristeza se pergunta ” Quando é que ela será feliz?”. Não, não é exagero. Qualquer um que buscar conhecer um pouco mais sobre a vida da cantora, descobrirá que apesar de suas fotos sempre sorridente ou suas interpretações destruidoras, ela possuía um enorme vazio dentro de sí – e não é pra menos, não é verdade?.

A produção em geral teve muito cuidado e precisão em tratar da vida de um dos maiores ícones da música francesa. Aqui não existiu aquela coisa “humanizar” o que não se deve, foi tratado com cuidado cada sentimento, cada memória, cada dor de uma das cantoras que marcou o mundo.

O elenco foi escolhido a dedo, mas somente uma atriz conseguiu conquistar os holofotes ao redor do mundo. Marion Cotillard foi muito além do esperado, ela não apenas interpretou, ela foi a verdadeira Piaf por quase duas horas de projeção. Se pegarmos um vídeo da própria cantora e colocarmos ao lado da interpretação de Cotillard, conseguimos entender então o porque da atriz ter recebido dezenas de indicações as mais diversas premiações, ter vencido o Oscar de Melhor Atriz, o Globo de Ouro e o BAFTA. É impressionante vê-la em cena – isso sem exageros.

Piaf foi, e ainda é, a prova de que o amor existe e não podemos nos abater e nem nos fechar a um sentimento tão puro e verdadeiro como esse. Ela amou desde seu primeiro até o último respirar. Ela viveu intensamente cada momento, gritou, esperneou, xingou, sofreu e encontrou a sua felicidade nos palcos. Ela realmente amava o que fazia, cantava e interpretava por amor, se apaixonou,foi feliz, se divertiu e sob tudo… amou.

Piaf – Um Hino ao Amor, é um verdadeiro hino de vida. É emoção à flor da pele. É sentimento no olhar. O amor exala através dos poros.

Galeria:

Trailer:

 

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