Crítica: Polar (2019)

Polar

Polar é uma boa pedida para os fãs de Quentin Tarantino, mas que falha ao fazer uma aposta gananciosa em entregar violência nudez e exageros…

Lançamento: 25 de janeiro de 2019
Direção: Jonas Åkerlund
Elenco: Mads MikkelsenVanessa HudgensKatheryn Winnick

Sinopse:

Duncan Vizla é um dos maiores assassinos de aluguel do mundo, mas por conta da idade avançada e da exaustão física e mental que trazem a sua profissão, o homem está em vias de se aposentar. No entanto, seus planos são interrompidos quando seu antigo chefe o convoca para uma missão trabalhosa. Ele precisa liquidar uma trupe de jovens assassinos sanguinários, mas a tarefa se mostra cada vez mais difícil. 

Algumas produções adaptadas se tornam ótimas franquias lucrativas e de grande sucesso entre o público, já outras… Bem, outras produções nem sempre conseguem agradar como o esperado, e isso talvez aconteça com o recente filme da Netflix, Polar.

Com a ideia de entregar um filme ao estilo Quentin Tarantino, o diretor Jonas Åkerlund assumiu o desafio de levar para o público um filme repleto de referências da cultura pop, letreiros coloridos, violência exagerada, sons estridentes e personagens marcantes, porém, nem tudo sai como o esperado.

Adaptado da HQ homônima, acaba que a identidade visual da produção não condiz com a história original, ou seja, a escolha do exagero em violência acaba se sobressaindo sobre os personagens e esse é um dos pontos mais críticos da produção. É possível sim ver a ideia de um ar cômico para tanto exagero, porém, a escolha em seguir o caminho de Tarantino acaba que entrega a produção, uma referência apenas de: violência, sexo e exageros.

Com um elenco consideravelmente interessante, Polar é deixado em responsabilidade do protagonista, Mads Mikkelsen, que sim, pode ser considerado uma das poucas coisas boas do filme.

O ator já é conhecido por papéis que exigem um pouco mais de seu lado frio e sádico, e no filme isso é usado como parte de sua personalidade. Mikkelsen procura explorar todos os lados possíveis de seu personagem, porém, o roteiro não permite que ele realmente tenha seu devido espaço. Vanessa Hudgens também se mostra bem, mas graças ao roteiro, sua função é revelada apenas nos minutos finais da trama, que acaba sendo um “final inesperado” para as personagens – que falha!.

Além disso, temos os assassinos ao estilo Víboras Mortais, que apesar de ganhar um pequeno espaço durante a trama, acaba sendo mal aproveitado e não entrega personagens com personalidades mercantes. O espectador acaba que perde o interesse em alguns momentos da trama devido a não ter a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o grupo que faz de tudo para dar fim em nosso protagonista.

Então, sim, o maior problema de todo o filme é sem sombra de dúvidas o roteiro, que se mostra desconexo com seu início, meio e fim. O espectador acaba tendo a impressão de que está assistindo três filmes completamente distintos – em termos de história.

Mesmo com um roteiro relativamente problemático, o filme apresenta cenas de luta e violência que funcionam muito bem para o espectador que adora uma carnificina, porém, a medida em que a trama avança, todo esse peso violento acaba perdendo sua força quando o antagonista entre em cena e se torna um dos personagens mais irritantes de toda a trama e que faz com que o espectador deseje que o filme termine o quanto antes.

É fato que os dois maiores problemas de toda produção é o roteiro repleto de informações, que não deixa os personagens se desenvolverem da maneira que é esperado, e claro, a arriscada aposta em nudez e violência – coisa que hoje em dia já não funciona tão bem.

Mas, como dizem por ai… nem só de bons filmes vive o homem, e Polar é a prova disso. Apesar da boa intenção em apresentar uma história que ganhasse o coração do público ao estilo Kill Bill ou John Wick, o filme falha e não consegue despertar 100% do interesse do público, o que é uma pena.

Por fim, Polar é uma produção gananciosa, mas que falha ao tentar ganhar o público voltado à cultura pop e a filmes da temática. Ao entregar o ato final que não condiz com tudo o que foi mostrado, o espectador entende que, algumas ideias devem ficar apenas no papel.

Galeria:

Trailer:

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