Crítica: Quando Te Conheci (2016)

A sociedade contra os sentimentos

Lançamento 30 de agosto de 2016
Direção: Drake Doremus

Elenco: Kristen StewartNicholas HoultGuy Pearce

Sinopse:

No futuro, existe uma nova raça de seres humanos: os Equals, indivíduos pacíficos, justos e que não possuem mais emoções. Até que uma doença passa a ameaçar todos, ativando sentimentos em suas vítimas, que são excluídas do resto da sociedade. Silas (Nicholas Hoult) é infectado, mas percebe que Nia (Kristen Stewart) também possui sentimentos, sendo capaz de escondê-los. Sentindo pela primeira vez algum tipo de intimidade em suas vidas, eles decidem fugir.

O diretor Drake Doremus retornou em grande estilo, depois do ótimo Paixão Inocente, sua recente entrega onde ele mescla drama, ficção científica e romance, deixaram seu nome em evidência, mas nada que de fato tivesse chamado atenção dos cinemas no Brasil para que fosse exibido, o que gerou apenas a entrega em home vídeo.

Após um bombardeio que dizimou grande parte da população na Terra, nasce dos remanescentes, um novo grupo de seres-humanos, conhecidos como Equals, que vivem em perfeita harmonia dentro de um complexo de alta tecnologia. O que os difere é que eles não possuem nenhum tipo de emoção, o que os torna seres justos, compenetrados e pacíficos. Mas uma nova doença é detectada e qualquer pessoa que demonstre um tipo de sentimento é diagnosticado com SOS, uma doença que por não haver cura, acabará sendo banido da sociedade. Silas descobre ser portador da doença e logo conhece Nia, uma colega de trabalho que também possui sentimentos. Os dois se apaixonam e buscam maneiras de se envolver sem serem descobertos, já que qualquer tipo de relação afetiva é proibida dentro do sistema em que vivem.

A direção apostou em um gênero que não é tão comum, uma espécie de sci-fi romântico, onde o interesse não fica no início da história ou na rotina das pessoas daquela sociedade. Isso é mostrado, falado, mas jamais aprofundado, pois o filme fica muito mais interessado em tratar sobre a complicada relação que nasce entre dois seres que (supostamente) não podem sentir, já que o amor é visto como uma doença incurável e o filme procura tratar dos conflitos que surgem a partir dessa idéia. O filme de maneira geral merece um certo respeito do público, já que não foi retirado de livro ou não ser um remake, o que remete apenas a originalidade da produção.

Mas se de um lado temos a obra original, de outro lado vemos coisas clichês e recicladas, desde a cultura da sociedade, alguns cenários e a impressão que o espectador tem é de ver alguma dessas franquias baseadas em livros juvenis lançadas nos últimos anos. A toda maneira o espectador fica preso ao filme e a direção deixa estampada sua marca registrada, que para quem não a conhece posso dizer com todas as letras: a sensibilidade.

Apesar de ter uma idéia original, o espectador acaba sentindo falta de ser inserido com mais profundidade no mundo apresentado, ou seja, aqui por mais que seja bonito de ver e tratar de temas sérios (que fazem parte de nossa sociedade), o espectador não pode torcer ou sofrer por seus protagonistas, porque não existe desenvolvimento em uma história que causa boas reflexões, ou seja, o filme trabalha muito bem, mas a exploração das personagens fica a desejar e isso faz com que o filme perca sua força e cause um leve incomodo em quem o vê.

O elenco foi bem formado e por mais que soe irônico ter Kristen Stewart em um papel que não exige demonstração de sentimentos, o casal cria uma incrível química. Nicholas Hoult se esforça, entrega uma boa atuação e convence de seu papel, mas o roteiro não permite que sua personagem tenha uma história mais desenvolvida, o que é uma grande falha. Se por um lado podemos parabenizar Stewart por ter desenvolvido uma personagem relativamente interessante, o mesmo não podemos dizer quando o roteiro exige uma mudança em sua personagem e a atriz permanece com a mesma expressão de antes, ou seja, nada mudou.

O filme possui um roteiro bom, mas não perfeito. Ele funciona em grande parte do filme e possuí boas intenções, mas ele apresenta alguns furos que acabam tornando-o lento e até mesmo raso. A produção consegue conquistar o espectador não apenas com a história, mas com a trilha sonora extremamente delicada e sensível, e sim, ela trabalha muito bem e consegue tapar os buracos causados pelo roteiro. Claro que a fotografia também não fica por baixo e se mostra muito eficiente, mas nada que seja novo aos olhos do espectador. Talvez se a direção tivesse exigido um pouco mais do roteiro, com absoluta certeza o filme teria funcionado de maneira perfeita, mas a impressão que temos é que ele é bom mas é simples demais perto do que foi prometido. Ele é frio e o romance apresentado não funciona para convencer o espectador ou afetar a história de maneira essencial.

Quando Te Conheci, prova boas ideias são vistas e a originalidade muitas vezes aparece e não nos damos conta, mas apresenta um discurso batido – e necessário. Ele deixa muito clara sua mensagem sobre o ódio em sociedade, ódio esse que impede que sentimentos sejam livres, que as pessoas possam amar e que o amor, em todas as suas formas, seja respeitado. O amor só é banido quando existe o medo e neste sentido, o filme funcionou de maneira clara e objetiva, entregando uma crítica perfeita para a atual sociedade.

Merecedor de 4 baldes de pipocas

4 pipocas

Crítica por: Gabriel Miura

Galeria:

Trailer:

 

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