Crítica: Shame (2012)

Shame

Shame é uma entrega grandiosa, de difícil digestão e toca na ferida da sociedade: o tabú.

Lançamento: 16 de março de 2012
Direção: Steve McQueen
Elenco: Michael Fassbender, Carey Mulligan, James Badge Dale

Sinopse:

Brandon (Michael Fassbender) é um cara bem sucedido e mora sozinho em Nova York. Seus problemas de relacionamento, aparentemente, são resolvidos durante a prática do sexo, tendo em vista que é um amante incontrolável. Contudo, sua rotina de viciado em sexo acaba sendo profundamente abalada quando sua irmã Sissy (Carey Mulligan) aparece de surpresa e pretende morar com ele.

Em tempos onde o (falso) moralismo fala mais alto do que o politicamente correto, é difícil de tratar de assuntos que deveriam ser considerados normais para a sociedade, mas que são dados como tabús, e sem sombra de dúvidas o sexo é o principal assunto.

O diretor vencedor do Oscar por 12 Anos de Escravidão, Steve McQueen, assume a direção de um filme de difícil digestão para muitos espectadores. Seu desafio é retratar um homem que sofre de compulsão sexual e ele consegue fazer isso de maneira eficiente.

O longa é ousado, sedutor e bastante denso, principalmente por fazer com que inicialmente o espectador crie uma rápida simpatia por Brandon e depois o força a decidir de que lado ele vai ficar.

O sexo aqui retratado não é dado apenas como um desejo momentâneo ou sentimental, pelo contrário, ele é contado como uma compulsão que leva nosso protagonista a situações extremas – não pense que ele é uma obra ao estilo Ninfomaníaca de Lars Von Trier, porque definitivamente ele não é. A diferença entre a obra de McQueen com Trier é na sutileza, na delicadeza e na maneira que o drama é aplicado.

Com um roteiro muito bem amarrado, o espectador não consegue sentir um minuto de marasmo, porque ele sabe que se ele desgrudar os olhos do filme por um segundo, ele vai perder algo importante para o desfecho da história.

O elenco não poderia ter sido melhor escolhido. Michael Fassbender apresenta um de seus melhores personagens. Depressivo, compulsivo e bipolar, Fassbender entrega um personagem com diálogos frios e extremamente marcantes. Apesar de usar todo seu charme, Fassbender não entrega um personagem forçado ou que beira a superficialidade, pelo contrário, o realismo bate a porta e faz com que o espectador se surpreenda com o que vê em cena.

Quem também impressiona é Carey Mulligan, que assume o papel da irmã (também) problemática de Brandon. Ela aposta de expressões fortes que fazem o espectador criar as mais diversas emoções por sua personagem.

Com cenas bem construídas, momentos repletos de detalhes e mensagens nas entrelinhas, o espectador se vê preso a um filme que cria uma atmosfera claustrofóbica, reflexiva e extremamente inteligente.

Ele é sem sombra de dúvidas um filme que aposta no excesso, no mais, no vicio, no que ultrapassa o limite do “aceitável” e leva não apenas seus personagens, mas também seu espectador, para momentos de extrema busca pelo “eu interior”.

Por fim, Shame é a confirmação da realidade na vida de tantas pessoas que não buscam ajuda – pela depressão, ansiedade, bipolaridade e etc – e acerta na ferida da sociedade: a hipocrisia. Com momentos realmente tensos e densos, a produção se destaca por entregar a realidade que assola tanta gente mundo a fora.

Galeria:

Trailer:

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