Crítica: Todo dinheiro do Mundo (2018)

A ousadia nem sempre é apreciada por todos.

Direção: Ridley Scott
Lançamento: 18 de fevereiro de 2018
Elenco: Michelle Williams, Christopher Plummer, Mark Wahlberg

Sinopse:

Antes mesmo de estrear, Todo o Dinheiro do Mundo já estampava as páginas dos principais jornais. O longa ganhou destaque após ator Kevin Spacey receber as primeiras denúncias de abuso sexual, levando o diretor, Ridley Scott, afasta-lo da produção.

Como já era de se esperar o filme ganhou notoriedade antes mesmo de ser exibido. Entretanto alguns filmes ganham mais notoriedade devido a romanização da obra do que por sua qualidade intrínseca. Sem dúvidas Todo o Dinheiro do Mundo é uma das obras que podemos ver isso claramente.

O filme baseado em fatos reais conta a história do sequestro de John Paul Getty III interpretado por Charlie Plummer, em 1973, na Itália. A trama se desenvolve a partir da negativa do milionário Getty em pagar o resgate do neto, e das tentativas desesperadas da mãe Gail Harris, interpretada por Michelle Williams, para convencê-lo ao contrário. A partir desse enredo acompanhamos as tentativas de negociações realizadas entre o conselheiro e ex-agente da CIA Fletcher Chase (Mark Wahlberg) e os sequestradores.

Depois de pronto e prestes a ser lançado no circuito de festivais, as acusações sobre Kevin Spacey começaram a vir à tona, levando o estúdio tomar uma decisão inédita, de impedir que o filme fosse prejudicado pelos atos do ator, que até então interpretava o personagem principal, optando por afasta-lo e refilmar todas as suas respectivas cenas em tempo recorde. Após seu afastamento, Christopher Plummer, assumiu o papel principal.

Esse fato inusitado mostrou tamanha competência e flexibilidade do Scott por trás das câmeras, pois mostrou que em tão pouco tempo soube guiar e explorar o talento dos atores. Plummer encarou maestria o magnata, sua experiência deu vida a um personagem difícil, dado que o ator teve pouco tempo para se preparar, sua atuação foi segura, profunda e intensa.

Os primeiros minutos do longa, são marcados pela reação fria e dura do velho Getty que se recusa até mesmo falar com a mãe do garoto, deixando evidente que suas reações explosivas, os flashbacks são explorados para mostras a solidão do personagem. Um homem que tinha tudo, mas ao mesmo tempo não tinha nada. Do lado oposto, somos apresentados a Gail, uma mãe desesperada para ter seu filho de volta. A personagem mostra a força de uma mãe e acima de tudo da mulher, que enfrentou o drama de um marido que se entrega as drogas, mas que não se entrega, não se descabela, grita ou chora. Toda essa força podemos agradecer a brilhante atuação de Michelle Williams. A atriz entrega um trabalho encantador, como uma mulher lutadora, que não deixa se abalar pelo emocional.

No meio disso tudo encontramos Fletcher Chase, ex-espião da Cia, responsável por negociar com os sequestradores. De certa forma podemos falar que toda tensão do filme está envolvida com esse personagem. Tensão essa que foi muito bem explorada pela fotografia de Dariusz Wolski, que utiliza de uma arte escura, muitas vezes opressora, transformando ambientes espaçosos em prisões.

Entretanto Todo Dinheiro Do Mundo não possui só coisas boas. O filme acabou se perdendo um pouco, onde o diretor opta por uma análise sobre um olhar comum de sua obra, ou seja, leva o filme para um aspecto mais investigativo do sequestro, que apesar de prender o público acaba se tornando um pouco raso.

Apesar de alguns erros de direção Todo o Dinheiro do Mundo talvez seja uma das melhores obras de Scott depois de O Gângster (2017). O diretor mostrou que explorou outras opções e  saiu da sua zona de conforto. Uma pena que sua ousadia não foi apreciada por todos colocando o filme num patamar inferior aos demais concorrentes ao Oscar.

Filme é merecedor de 4 baldes de Pipoca.

4-pipocas

Crítica por: Cheron Moura

Galeria:

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