Crítica: Vidro (2019)

VIdro

Vidro é o desfecho de uma trilogia sobre a fragilidade do corpo e mente humana, a catarse de Shyamalan e um presente aos fãs. E talvez só para eles.

Lançamento: 18 de Janeiro de 2019
Direção: M. Night Shyamalan
Elenco: Bruce Willis, Samuel L. Jackson, James McAvoy

Sinopse:

Quase duas décadas desde CORPO FECHADO, David Dunn (Willis) caça a persona de Kevin Wendell Crumb (McAvoy), que se tornou procurado após os acontecimentos de FRAGMENTADO. Em VIDRO, dá-se a conclusão de uma trilogia sobre humanos extraordinários, quando esses se veem presos diante dos olhos atentos de Elijah Price (Jackson), o Sr. Vidro.

Vidro é o aguardado ponto final na obra máxima do diretor M. Night Shyamalan, que divide opiniões do público e da crítica, com seus filmes originais e provocativos. Aqui, ele usa dos anos de experiência para apresentar uma direção inteligente e estruturada, com ótimos jogos de câmera, cenas de ação impactantes e momentos de tensão bem construídos. Mas não só de uma boa direção vive o homem.

Em “Corpo Fechado”, somos apresentados à ideia do super-herói ordinário, um homem comum (Dunn) que confronta medos e incertezas diante da possibilidade de deter habilidades sobre-humanas – a incapacidade de se ferir ou adoecer, – instigado pelo seu completo oposto, o “homem frágil como vidro”, Elijah.

Dezessete anos depois, em “Fragmentado”, o grande antagonista aparece: Kevin, o homem com 24 personalidades, sendo uma delas A Fera, uma criatura com superforça que planeja livrar o mundo dos “impuros”.

Mas até aqui o espectador precisa ter assistido os dois anteriores para entender o conceito, principalmente Corpo Fechado, já que Fragmentado não foi vendido como uma sequência, só revelando sua conexão com o primeiro nos momentos finais do filme – dizem que a ideia era ser uma “surpresa” para os fãs do diretor. Não seja pego de surpresa: assista todos antes de Vidro, ou pode ficar sem entender a ideia central, como aconteceu com algumas pessoas que nem sabiam da existência do filme de 2000 (é sério).

De volta ao filme, o ponto forte da nova projeção é, como o próprio nome diz, ser mais focado em Elijah, interpretado por um inspirado L. Jackson, e que prova ser o personagem mais fantástico de Shyamalan. Num primeiro momento, o filme tem focos em Dunn e um maior ainda em Kevin (não dá pra falar mal da atuação de McAvoy, mas o roteiro cria vários momentos para ele brilhar em cena, fazendo ganhar mais atenção que Willis), e pode-se dizer que Dunn fica apagado em vários momentos também – se o expectador não conhecer o orginal então, vai ficar se perguntando quem é aquele tiozão lá.

Em Vidro, os personagens são colocados diante da Dra. Ellie Staple (Paulson), que propõe desconstruir a ideia de que existem super poderes, fazendo um trabalho psiquiátrico com os três. Esse ponto do filme é interessante, capaz de fazer o espectador sentir também a incerteza da trama, conforme a médica expõe suas teorias.

E quando o filme tem uma virada e as máscaras caem, Elijah orquestra seu megalomaníaco plano de revelar ao mundo a existência dos super-humanos, num confronto entre Dunn e A Fera.

Assim, Shyamalan desenrola um roteiro que mostra toda engenhosidade do Sr. Vidro (ou Mr. Glass). Só que aí começa um terceiro ato duvidoso e controverso. Não daremos spoiler aqui, mas o final de Vidro é (ou pode ser)… sem graça.

O diretor constrói ideias fortes, as desenrola com alguma maestria e depois as desconstrói de uma maneira que não convence tanto. É possível sentir a falta da empatia da plateia com o filme, se você assistir no cinema. Dunn não é mais cativante, Kevin é quase ridículo de tanto que vai e volta entre as personalidades, e Elijah transmite o que queria de uma forma que pouco diverte. Fica a sensação de decepção.

Talvez os fãs mais emocionados sintam-se contemplados, mas é provável que o público comum (assim como a crítica) fique confuso ou só finja que entendeu mesmo. Com certeza é um filme que vai dividir opiniões ao longo dos anos. E fecham-se as cortinas.

Galeria:

Trailer:

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