Crítica: Vingança a Sangue-Frio (2019)

Liam Neeson faz justiça com as próprias mãos para aplacar a dor da perda de seu filho neste filme de ação que promete mais do que entrega.


Lançamento: 14 de Março de 2019 (Brasil)
Direção: Hans Petter Moland
Elenco: Liam Neeson, Laura Dern, Micheál Richardson

Sinopse: Nels (Liam Neeson), um tranquilo homem de família, trabalha como motorista de um removedor de neve e vê seu mundo virado de cabeça para baixo quando seu filho é morto por um poderoso traficante de drogas. Impulsionado pelo desejo de vingança e sem nada para perder, ele fará tudo o que por preciso para destruir o cartel.


O público já viu muitos filmes estrelados por Liam Neeson, o suficiente para saber logo de cara o começo, meio e fim deles antes mesmo de assisti-los. Com ‘Vingança a Sangue-Frio’, não é diferente. Mesmo que o filme arrisque uma comicidade atípica, diversificar os temas que aborda, e até mesmo propor uma reflexão sobre a lei de retaliação, o roteiro simplista é incapaz de ser minimamente complicado quanto gostaria de ser.

Neste longa de ação e crime, remake americano de ‘O Cidadão do Ano’ — ambos dirigidos por Hans Petter Moland —, Neeson interpreta Nels, um senhor amigável que se transforma em uma máquina assassina ao perder seu único filho, logo se envolvendo em um conflito muito maior do que poderia prever.

Logo de início, somos apresentados a uma citação de Oscar Wilde:

“Alguns trazem felicidade aonde quer que vão; outros, sempre que se vão.”

Assim, o longa nos introduz à sua crença de que existe uma diferença definitiva entre o bem e o mal nos humanos, tema que permeia o filme: o protagonista, vivido pela estrela de ‘Busca Implacável’, funciona quase como um justiceiro inatingível, eliminando os vilões um a um e sofrendo consequências mínimas durante toda a sua jornada.

Em um certo diálogo entre pai e filho sobre crime e pena, ‘O Senhor das Moscas’, clássico romance filosófico de William Golding sobre selvageria humana e a natureza do mal, é referenciado para reforçar o argumento do pai a favor da máxima “olho por olho, dente por dente”, enquanto o filho, relutante, acredita em soluções menos hostis para conflitos. No decorrer do longa, nós retornamos à ideia sempre que o filme banaliza e ridiculariza propositalmente grandes confrontos, nos propondo uma reflexão sobre a atitude de “pagar o bem com o bem, e o mal com o mal” e as consequências permanentes que se acarretam.

Infelizmente, é um argumento perdido na confusão da narrativa, que acaba infundado e pouco eficaz devido à falta de atenção que lhe é dada, e principalmente pela quase inexistência de impacto psicológico e emocional nos personagens que mais mereciam ter esses aspectos explorados.

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A violência vem sempre acompanhada de uma trilha sonora cômica, destoante, forçando um humor incomum nos filmes do gênero. Isso raramente funciona ao longo do filme, se aproximando mais de uma comédia pastelão do que de um humor negro propriamente dito.

Há uma tentativa descabida de inserir diversidade no elenco e na trama, o que acentua a incapacidade do filme em abordar certos temas. Tensão racial entre índios e brancos, “amor proibido” entre homens, um hitman negro, e entre outras situações desprezadas pelo roteiro. As personagens femininas são severamente mal desenvolvidas, desmerecidas, e até tentam trazer girl power em um certo momento, mas isso vai rapidamente por água abaixo.

É o tipo de filme que é obrigado a seguir uma fórmula muito precisa e limitada para alcançar o seu objetivo, e que não consegue arranjar espaço para introduzir ideias mais elaboradas e significativas. Poderia ter se contentado apenas com tiros e explosões.

Aliás, o que a Laura Dern fez para merecer apenas cerca de 15 minutos de presença na tela?


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