Crítica: Vox Lux – O Preço da Fama (2019)

Vox Lux - O Preço da Fama

Vox Lux – O Preço da Fama é sem sombra de dúvidas um projeto ganancioso, que tenta falar com o público sobre os traumas e sonhos do ser humano, mas que falha ao traçar um caminho raso e sem sentido…

Lançamento: 18 de abril de 2019
DireçãoBrady Corbet
Elenco: Natalie Portman, Jude Law, Stacy Martin

Sinopse:

Celeste (Natalie Portman) é uma menina que sobrevive após uma grande tragédia, o que a torna conhecida nacionalmente. Após um tempo, ela se lança como cantora e alcança o estrelato.

Não é novidade ver atores se aventurando no ramo da direção, prova disso foi Al Pacino, Angelina Jolie, Ben Affleck, Bradley Cooper e agora com Brady Corbet, conhecido por filmes como Mistérios da Carne (2004) e Violência Gratuita (2007).

O ator não apenas assume a direção como também é ganancioso o suficiente para escrever e assinar o roteiro de Vox Lux, mas é como dizem por aí : “De grão em grão que a galinha enche o papo”.

A palavra que define Vox Lux – O Preço da Fama é sem sombra de dúvidas: Ganância. Ele é um projeto intrigante, que possui um elenco extremamente talentoso e uma fotografia de fazer com que os cinéfilos de plantão tenham amor à primeira vista, mas, apesar de possuir tantos pontos interessantes, o filme é vazio e sem muito sentido.

A história acompanha a ascensão de uma jovem estrela da música pop, desde o início da carreira que foi ocasionada por um desastre, até os dias atuais regados de problemas com imprensa, alcoolismo e problemas de personalidade.

E por falar em problemas… Vox Lux – O Preço da Fama é regado deles. Começando por ser dividido em capítulos, o que entrega um ar bem mais sério do que se imagina e acaba colocando uma alta expectativa no espectador em ver algo mais sóbrio do que o esperado.

O segundo erro apresentado são os inúmeros saltos temporais, que pulam partes importantes da história de Celeste, para apresentar momentos irrelevantes e sem muita profundidade.

O terceiro, e talvez o maior erro crítico de Vox Lux – O Preço da Fama, é o roteiro completamente instável. Na realidade, o roteiro vai muito bem até o segundo ato. Apesar de uma lentidão completamente desnecessária, ele consegue segurar a atenção do espectador e fazer com que seu interesse supere o tédio que o longa pode vir a apresentar, porém, a ideia de fazer com que Raffey Cassidy, que interpreta Celeste na juventude fique mais tempo em cena do que o esperado, acaba desmotivando o espectador que ansiava por mais.

Além disso, temos o erro fatal de protagonismo: Raffey Cassidy e Natalie Portman, que dividem o papel de Celeste na infância e na vida adulta – e posteriormente de mãe e filha. O erro em questão está na escolha em apresentar um filme protagonizado por Portman, enquanto ele é tomado quase que a todo momento por Cassidy, ou seja, quem for esperando assistir um filme literalmente protagonizado por Portman, vai se surpreender com a demora da atriz para aparecer na tela.

Apesar de tanta demora, quando Portman entra em cena, o espectador sente seu interesse renovado para assim conseguir finalizar o filme, que leva o roteiro para lá, para cá, estica, empurra, puxa, enrola e não chega a lugar algum, em outras palavras, ele é cansativo.

É legal ver Natalie Portman se divertindo em cena, ela se entrega a uma personagem problemática, egocêntrica e repleta de traumas do passado, mas é triste ver que o roteiro não abriu espaço para que a vencedora do Oscar entregasse uma personagem marcante a nível de Nina (Cisne Negro) – que leva a inevitável comparação de personagens.

Além de Portman, Jude Law, Stacy Martin e Jennifer Ehle completam o elenco e entregam somente um “ok” para seus respectivos personagens. Quem também chama a atenção do público é a jovem Raffey Cassidy, que brilha praticamente toda a projeção por entregar uma personagem que sofre com um terrível trauma.

E por último, mas não menos importante, o longa conta com uma ótima narração de Willem Dafoe, que sim, causa um grande impacto no que se ouve, mas apesar de tantos desencontros, faz com que a experiência seja fraca.

Com tantos caminhos interessantes que o roteiro poderia ter seguido e abordado, a escolha de trabalhar em cima do raso e do mal aproveitado faz com que o filme seja uma experiência rasa e que logo cairá no esquecimento do público.

Muitas perguntas sem respostas. Temas difíceis de lidar – massacre nos EUA- e a produção opta por transformar um drama “adulto” em um musical pop voltado aos adolescentes.

Por fim, Vox Lux – O Preço da Fama possui seus valores e ambições, ele consegue abordar algumas teorias que os fãs das cantoras do pop carregam consigo, o sofrimento, o abuso, os traumas de infância, mas falha ao trabalhar em cima de tantas coisas que poderiam ter feito a produção decolar e entregar uma história memorável ao público.

Galeria:

Trailer:

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