Crítica: Wig (2019)

Wig

Wig é um documentário necessário para os dias atuais, ele mostra a luta contra o ódio, a intolerância, o preconceito, mas, com o objetivo de poder levar o sonho de tanta gente mundo a fora: a liberdade.

Lançamento: 24 de junho de 2019
DireçãoChris Moukarbel
ElencoNeil Patrick HarrisDavid BurtkaAlaska Thunderfuck 5000

Sinopse:

Explorando as fortes influências do festival anual, Wigstock, responsável por ressignificar a data do fim do verão para toda a comunidade gay de Nova York durante 20 anos, diversos ícones do universo drag aproveitam para analisar as origens do evento e contar suas histórias. Depois de um tempo fora dos holofotes, o Wigstock finalmente retornou no último ano, mais forte do que nunca.

Em uma época onde o reality show de draq queens, RuPaul’s Drag Race é a maior referência para a cultura pop, Wig se torna de extrema necessidade para conhecer um pouco mais a história de nascimento, luta e resistência da comunidade LGBTQ+ para que os jovens de hoje possam ovacionar e escolher qual queen é a sua favorita.

Dirigido por Chris Moukarbel e produzido pela HBO, o documentário as drag queens, transsexuais e travestis que mudaram a cultura de suas respectivas comunidades se torna memorável, principalmente por trazer uma das precursoras do movimento, Lady Bunny – que aqui, muitos jovens só conhecem por aparecer uma vez ou outra no reality de outra queen “pioneira”: RuPaul.

A ideia do documentário é diferente do aclamado Paris is Burning, ou seja, apesar do espectador transitar pelos anos 80,90 e atualidade, onde ele tem a oportunidade de conhecer os bastidores de toda extravagância e glamour de cada persona apresentada.

A delicadeza que a produção tem em abordar cada momento importante da história é incrível. O público tem a oportunidade de ver na Nova York dos anos 80 o nascimento de Wigstock, festival esse que deu o nome de peso que Lady Bunny tem até hoje. Se é possível acompanhar o nascimento de Wigstock, o público também acompanha seu término em setembro de 2001.

Término esse que ocorreu alguns dias antes do atentado das Torres Gêmeas. Se de um lado o espectador tem a oportunidade de ver o término de um festival colorido que abriu portas para a igualdade e para as Queens entregarem sua arte, por outro lado ele vê o início de uma cidade que se tornou cinzenta e tomada pelo maior vilão entre o ser humano: o preconceito.

Wig se torna ainda mais interessante para o espectador que anseia ver como foi a luta travada pelas queens, trans e travestis contra o medo e o preconceito que tomou a cidade que era até então colorida e que nunca parava. Como elas conseguiram sobreviver e passar por tanta dificuldade com a violência, o preconceito e o ódio a solta? – Essa é sem sombra de dúvidas, uma das perguntas que o espectador se faz em boa parte da projeção.

A direção apostou firme em trazer nomes conhecidos para conseguir chamar a atenção dos jovens da atualidade. Neil Patrick Harris (How I Met Your Mother), John Cameron Mitchell (Shortbus), Bianca Del Rio (RuPaul’s Drag Race 6ª temporada), Alaska (RuPaul’s Drag Race 5ª temporada), Latrice Royale (RuPaul’s Drag Race), e grandes outros nomes, dão peso para o documentário que aborda temas necessários para quebrar o famoso “tabú” de tantas coisas que ainda cerca a população em pleno século XXI.

O documentário é divertido, ele leva o espectador a momentos de profunda reflexão sobre o presente, passado e futuro, trabalha muito bem sobre a ideia de desmitificar a marginalização que a sociedade criou sobre as drag queens (coisa que o programa de RuPaul tem tentado fazer a 12 anos) e ainda mostra o que muita gente não tem a oportunidade de ver fora da câmera: o lado humano de cada uma.

Por fim, Wig serve como uma luva para o espectador que deseja conhecer mais a fundo sobre a arte drag, a história de luta e resistência das transsexuais, travestis e toda comunidade LGBTQ+. Ele prova ser um documentário necessário contra o ódio, a intolerância, mas, sobretudo, uma produção que fala abertamente sobre o desejo de tanta gente mundo a fora: a liberdade.

Galeria:

Trailer:

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