Crítica – Rainha do Mundo(2015)

Queen of Earth funciona perfeitamente como um espelho, retrata profundamente uma fase que toda pessoa já enfrentou ou enfrentará durante a vida. É o retrato real das relações humanas do amadurecimento dolorido, mas necessário.

Lançamento: 15 de Novembro de 2017

Diretor: Alex Ross Perry

Elenco: Elisabeth Moss, Katherine Waterston, Patrick Fugit

Sinopse

Sem dúvidas esse é drama de difícil interpretação, que não agrada o público em geral, mas quem conhece o diretor Alex Ross Perry sabe que ele não está preocupado com isso. Conhecido por seus longas com abordagem profundas sobre o comportamento humano, em Rainha do Mundo Perry foca sua câmera em pequenos detalhes e nos apresenta aquela que na verdade parece mais uma bomba nuclear de sentimentos.

No centro deste drama psicológico encontramos Catherine (Elisabeth Moss) que para tenta lidar com suas recentes perdas, o suicídio de seu pai e o rompimento com seu namorado, resolve passar um tempo na casa do lago de sua amiga de infância Virginia (Katherine Waterston).

A sequência de cenas com tom depressivo, clima chuvoso e pesado serve visualmente para reproduzir o estado de espirito mais baixo das mulheres.  Ao contrário do que era esperado em uma relação de amigas, no qual o clima deveria ser amistoso e de completa empatia, Perry faz exatamente o contrário, apresenta um clima tenso, com total desequilíbrio emocional, onde o colapso comportamental e mais apresentado em Catherine, mas deixando a impressão de que Virginia é apensa uma mulher mimada, egoísta sem empatia para as perdas da amiga.

A quantidade de brigas compete com os eventos sociais que a casa recebe, aos poucos as duas são levadas a perceber que suas semelhanças na verdade diferentes são o que as tornam diferentes, com uma sequência de cenas entre passado e presente o diretor deixa claro que o que as separou no passado, ambas não se conhecem como pensavam que conheciam.

Perry explorou com maestria aquela fase da vida, onde as pessoas não sabem o que estão fazendo, tudo ao seu redor ou o que elas pensavam existir na verdade é uma farsa. É aquele rompimento ou perda que leva a pessoa a perceber que tudo ao seu redor mudou, a busca por uma explicação faz com que a pessoa perceba tudo que aconteceu e o quanto as coisas mudaram até ali.  A famosa dor que leva ao amadurecimento.

O filme conta com uma excelente trilha sonora para ressaltar toda essa tensão e explorar os problemas internos de Catherine. Perry mais uma vez foi inteligente e ousou em desaviar o público deixando cenas em aberto para que o quebra cabeça seja concluído pelo espectador. Ele não explora nem deixa claro o que é certo ou errado, cabe o público decidir isso.

Com pouco menos de 90 minutos rainha do mundo é o retrato fiel da vida real, Catherine, reflete sobre sexo, nojo, rancor e afeto, são tantos sentimentos misturados que fica difícil não se envolver e refletir afinal como Cat e Giny podem ser amigas? Elas não percebem que não combinam em nada? Elas realmente foram amigas? Todas essas indagações fazem o público refletir sobre suas próprias vidas.

O Filme é merecedor de 5 pipocas.

5-pipocas

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