Cinco indicações de Denzel Washington ao Oscar.

Como é sabido, domingo agora, 04 de março, acontece a mais aguardada premiação do cinema, o Oscar. E pra você ficar por dentro ou pelo menos relembrar, o Clube das Pipocas está fazendo um especial nessa semana pré evento para relembrar os grandes momentos dos indicados.

Nessa pequena lista você vai acompanhar cinco presenças de um dos maiores nomes do cinema atual e que atualmente concorre mais uma vez na categoria de melhor ator por seu trabalho em “Roman J. Israel, Esq.”: Denzel Washington.

Washington é um dos atores mais completos em atividade, sua carreira é longa tendo iniciado no final da década de 70. O sucesso de seu trabalho não é só no cinema como também na TV e no teatro. Seu primeiro papel de destaque foi no drama médico da TV “St. Elsewhere” entre 1982 e 1988, onde interpretou o Dr. Phillip Chandler. E foi ainda durante seu trabalho na TV que ele ganhou sua primeira indicação ao Oscar, com o drama “Um Grito de Liberdade” (1987), de Richard Attenborough. Por tanto, sem mais delongas, eis cinco presenças marcantes de Denzel Washington no cinema e no Oscar.

  • Um Grito de Liberdade (1987)

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No longa de Richard Attenborough Washington interpreta o ativista anti-apartheid Steve Biko, que teve uma morte brutal pelas mãos da policia sul africana. O enredo é baseado na amizade entre Biko e o jornalista Donald Woods, interpretado por Kevin Kline, que após saber da morte de Biko luta para mostrar o lado trágico do Apartheid, assim como pedir justiça pela morte do amigo. O filme teve três indicações ao Oscar naquele ano, melhor trilha sonora, melhor canção original e melhor ator coadjuvante para Denzel Washington, sua primeira indicação ao prêmio, tendo perdido para o grande Sean Connery em sua atuação por “Os Intocáveis”.

Apesar da história possuir um tema forte, a atuação de Washington é um dos pontos altos do longa. Sua atuação é marcante e centrada, Biko era uma pessoa eloqüente e pouco expressiva em gesticular, possuía um semblante calmo e sereno. Desse modo, aqueles que hoje acompanham a carreira de Washington devem estranhar ao ver uma pessoa tão calma e que hoje também é um astro de filmes de ação.

  • Tempo de Glória (1989)

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Dois anos após sua primeira indicação, Denzel Washington é indicado novamente e dessa vez consagra-se vencedor na categoria de melhor ator coadjuvante, vencendo nomes de peso como Marlon Brando e Martin Landau.

A pessoa responsável por guiar Washington em seu primeiro Oscar foi Edward Zwick, que também estava em um dos seus primeiros trabalhos no cinema, sendo “Tempo de Glória” seu segundo crédito como diretor. O enredo do longa é centrado durante a Guerra Civil Americana acompanhando a 54ª companhia de infantaria de Massachusetts, composta somente por negros, exceto oficias. Washington interpreta o desbocado e insubordinado soldado Silas Tripp. Em comparação com seu personagem anterior indicado ao Oscar, Tripp parece ter as mesmas convicções em tempos semelhantes, mas onde Biko procurava das palavras como um modo de agir, Tripp procurava ações, devido a desconfiança que possuía com os brancos.

Em “Tempo de Glória”, apesar de não possuir a mesma carga emocional que “Um Grito de Liberdade”, Washington ainda assim entrega uma atuação arrebatadora e ainda encenou um dos momentos mais pesados do longa: a cena do castigo sem demonstrar dor soltando uma única lágrima.

  • Malcolm X (1993)

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O épico biográfico sobre o ativista Malcolm X marca a segunda parceira entre Denzel Washington e o diretor Spike Lee, que anteriormente trabalharam juntos no drama musical “Mais e Melhores Blues” (1990).

“Malcolm X” antes de seu lançamento gerou uma grande controvérsia na comunidade negra americana devido a escolha de Spike Lee para a direção e Washington para interpretar o famoso ativista afro-americano. Muitos acreditavam que Lee e Washington não fariam uma boa retratação do ativista, criando apenas um entretenimento voltado ao publico branco. Mas para a surpresa de todos o filme acabou tornando-se um sucesso e sendo considerado como um dos melhores lançamentos do ano, incluindo uma indicação ao Oscar de melhor ator para Washington.

  • Dia de Treinamento (2002)

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Após a indicação ao Oscar para melhor ator por seu trabalho em “Malcolm X”, Denzel Washington não teve o mesmo êxito nos anos seguintes e ficou longe da premiação durante sete anos, até que no de 2000 ele volta a concorrer na categoria de melhor ator por sua atuação como o pugilista Rubin ‘Hurricane’ Carter em “Hurricane – O Furacão”, perdendo no mesmo ano para Kevin Spacey por seu trabalho em “Beleza Americana”. Dois anos depois após a derrota Washington retorna novamente em um de seus papéis mais icônicos e iniciando uma grande parceria com o diretor Antoine Fuqua, o papel responsável por esse triunfante retorno foi na pele do famigerado detetive Alonzo Harris.

É impossível alguém mencionar qualquer trabalho de Denzel Washington e não citar “Dia de Treinamento”, a não ser que seja uma lista sobre filmes ruins do ator o que seria impossível desse filme aparecer, no mais o longa possui um dos personagens mais amado e odiado do cinema. Alonzo é um detetive da narcóticos que possui uma índole completamente questionável, sua missão é treinar o novato Jake Hoyt, interpretado por Ethan Hawke. Além de ser um policial corrupto, Alonzo possui uma linha de trabalho que fere completamente o código moral de Jake, que chegou a ficar na mira da arma do próprio Alonzo por pelo menos três vezes no dia. A atuação de Washington é extremamente impactante e causa uma certa ambigüidade sentimental naqueles que assistem ao filme, pois ao mesmo tempo que seu personagem causa um grande ódio, ele também consegue ter um certo carisma que cativa o espectador.

  • Um Limite Entre Nós (2017)

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Após o sucesso de “Dia de Treinamento” Washington ficou mais uma vez distante da premiação, tendo voltado novamente onze anos depois interpretando mais um personagem de índole duvidosa, o piloto de avião William ‘Whip’ Whitaker, Sr. no ótimo “O Vôo” (2012) de Robert Zemeckis, nesse ano ele perdeu a prêmio de melhor ator para Daniel Day-Lewis em “Lincoln”. Mas então quatro anos depois ele voltou e dessa vez sendo indicado a melhor ator sob sua própria direção, assumindo a frente da adaptação teatral que também lhe rendeu um Tony como melhor ator em peça por “Um Limite Entre Nós”.

O longa acompanha a trajetória de uma família negra em Pittsburgh durante a década de 50 e trata de temas delicados como o papel da mulher em casa, a forte presença do patriarcado que era comum na época, assim como questões raciais envolvendo o ambiente de trabalho. Tanto a direção de Washington como sua atuação ficaram dignas de prêmios, assim como também é seu melhor trabalho como diretor até o momento. E assim como na peça, ele contracena com Viola Davis, que merecidamente ganhou seu Oscar de melhor atriz coadjuvante.

Troy Maxson é um personagem forte e ao mesmo tempo traumatizado pelo seu passado, em suma pode-se dizer que essa atuação de Washington possui todas as características de seus personagens que também foram indicados no passado. Troy possui um código próprio que tenta passar para seus filhos, é um homem orgulhoso e desconfiado de qualquer coisa que venha de mãos brancas, seu temperamento é quase curto e crê que todas as suas ações são justas. É mais um personagem que causa uma mistura de sentimentos no espectador e que mais uma vez foi conduzido magistralmente por Washington.

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