Tudo sobre o Oscar 2018

A palavra da noite foi “inclusão” e esta palavra foi expressada e compartilhada por quem sempre teve pouca voz na indústria cinematográfica. Mulheres, negros, homossexuais, transexuais, imigrantes e portadores de deficiência assumiram os microfones e  orquestraram o Oscar 2018.

A 90ª edição do Oscar pode ser considerada um marco no evento. Foi, talvez, a principal chama na temporada de premiação para que as mudanças em Hollywood continuem acontecendo. Historicamente dominado por homens, brancos e heterossexuais, a premiação de ontem deu voz a quem geralmente não tinha ou tinha pouco, mulheres, negros, imigrantes, homossexuais, transexuais e até deficientes auditivos por merecimento e principalmente por fazer parte e ajudar a construir a indústria tiveram seus momentos de brilho e de discurso para ressaltar a importância da diversidade e inclusão de quem hoje, erroneamente é chamado de “diferente”, mas que na realidade é mais um como todos e merece seus espaço na indústria cinematográfica, convivendo em harmonia com outros sem preconceitos, não importando a cor da pele, o gênero, a deficiência ou a condição sexual. A palavra que ecoou ontem pelo Teatro Dolby e ecoará por muito tempo ainda em Hollywood foi “inclusão”.

Os maiores indicados na noite de ontem, também foram os maiores vencedores, A Forma da Água levou 4 das 13 indicações que tinha e Dunkirk ficou com 3 das 8 em que concorria. Além deles, O Destino de Uma Nação, Três Anúncios para Um Crime, Blade Runner 2049 e a animação Viva – A Vida é Uma Festa ficaram com duas estatuetas cada. Da para ver que até nos vencedores tivemos grande distribuição e variedades. Já que nenhum filme se destacou com grande número de estatuetas, o evento ganhou destaque em vários momentos inéditos proporcionados. Tivemos pela primeira vez um filme protagonizado por uma transexual levar um Oscar, caso de Uma Mulher Fantástica do Chile que levou o prêmio de melhor filme estrangeiro, além disso, pela primeira vez, tivemos uma mulher concorrendo na categoria de melhor fotografia, que foi a Rachel Morrison, por Mudbound que não venceu, mas deu espaço para o veteraníssimo Roger Deakins que finalmente na sua 14ª indicação, saiu da fila e conquistou o prêmio pela bela fotografia de Blade Runner 2049.

 

Uma Mulher Fantástica
“Uma Mulher Fantástica”, protagonizado por um atriz transexual, venceu o prêmio de melhor filme em língua estrangeira.

 

O Oscar completando 90 anos e ontem tivemos a pessoa mais velha a conquistar o prêmio que foi James Ivory levando o prêmio de melhor roteiro adaptado pelo trabalho em Me Chame Pelo Seu Nome ao longo de seus 89 anos. Do outro lado da moeda, no prêmio de melhor roteiro original, tivemos Jordan Peele faturando a estatueta por Corra!, talvez o filme mais querido da noite e Jordan também entrou para a história sendo o primeiro negro a levar este prêmio.

 

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Aos 89 ano James Ivory levou o Oscar de melhor roteiro adaptado pelo seu trabalho em Me Chame Pelo Seu Nome.

 

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Talvez uma das únicas surpresas da noite foi ver Jordan Peele receber o prêmio de melhor roteiro original por Corra!, após notícias de que o filme poderia ter sido boicotado por alguns votantes.

 

Não tivemos novidades nas categorias individuais de atuação, mas foi de Frances McDormand, vencedora como melhor atriz pelo filme Três Anúncios para Um Crime, o grande discurso inclusivo da noite ao solicitar que todas as mulheres da plateia se levantassem com ela para receber o prêmio e pronunciou as seguintes palavras “Olhem em volta, senhoras e senhores, porque todas nós temos histórias para contar e projetos que precisam ser financiados. Não falem conosco sobre isso nas festas de hoje. Nos convidem para ir aos seus escritórios em alguns dias, ou podem vir aos nossos, o que for mais confortável para vocês. Eu tenho três palavras para deixar com vocês nesta noite: cláusula de inclusão“.

 

Frances McDormand
A atriz Frances McDormand ao receber o prêmio de melhor atriz pelo seu trabalho de Três Anúncios para Um Crime.

 

Vale a pena lembrar também a vencedora do prêmio de melhor curta-metragem Rachel Shenton, roteirista do vencedor The Silent Child que fez seu discurso em linguagem de sinais, simbolizando o fato de seu filme retratar uma criança com deficiência auditiva e também uma promessa que a mesma havia feito para um grupo de crianças portadora da deficiência. Importante também foi o discurso do vencedor de melhor documentário por Ícaro, Bryan Fogel que dedicou seu prêmio ao russo Grigory Rodchenkov, que delatou o esquema de doping russo sendo o personagem principal do filme e que agora corre perigo em seu país.

 

The Silent Child
Curta-metragem The Silent Child venceu a sua categoria e a roteirista Rachel Shenton (à esquerda) agradeceu em linguagem de sinais.

 

Ícaro
Documentário Ícaro da Netflix venceu na sua categoria e Bryan Fogel, um dos produtores dedicou o prêmio a Grigory Rodchenkov, que denuncio o esquema de doping russo.

 

Guillermo del Toro também foi responsável por um belo discurso , alfinetando o atual presidente americano e a sua vontade de construir muros para imigrantes nos Estados Unidos, o diretor representou o quarto prêmio para mexicanos na categoria de melhor direção nos últimos cinco anos, Alejandro Iñarritu por Birdman e O Regresso e Alfonso Cuarón por Gravidade foram os outros vencedores. Del Toro disse “Eu sou um imigrante, como o Alfonso e o Alejandro, como o Gael (Gael Garcia Bernal) como a Salma (Salma Hayek) e como muitos de vocês. Nos últimos 25 anos eu vivo num país que em parte está aqui e em parte está no resto do mundo. Eu acho que a melhor coisa no nosso setor é apagar essas linhas e essas fronteiras porque ‘muros’ só vão pioras as coisas…“. Ainda representando os estrangeiros, tivemos a animação Viva – A Vida é Uma Festa que venceu nas categorias de melhor animação e melhor canção original e que exalta a cultura mexicana na comemoração do dia dos mortos local.

 

Guillermo Del Toro
Del Toro com as estatuetas de melhor filme e melhor direção pelo longa A Forma da Água. Diretor ainda ressaltou a importância dos Estados Unidos não fecharem as fronteiras para os imigrantes.

 

Por fim, ainda tivemos tempo para a iniciativa Time’s Up, movimento organizado por 300 mulheres em Hollywood para lutar e incentivar a denúncia de abuso e assédio sexual em qualquer área de trabalho.  Em um momento em que as atrizes Ashley Judd, Salma Hayek e Annabella Sciorra, ambas que acusaram o produtor Harvey Weinstein de abuso sexual, subiram ao palco para apresentar um vídeo com depoimentos de mulheres, negros, homossexuais, imigrantes e transexuais sobre a importância de inclusão nos filmes, atrás e diante das câmeras. Judd disse “As mudanças que estamos testemunhando são lideradas por novas e poderosas vozes, diferentes, nossas vozes, que estão se unindo em um grito que diz basta. Nós trabalhamos juntas para nos assegurar que os próximos 90 anos sejam de possibilidades ilimitadas de igualdade, diversidade, inclusão e interseccionalidade. Foi isso que este ano nos prometeu”.

 

Time's Up
As atrizes Ashley Judd, Annabella Sciorra e Salma Hayek foram as porta-vozes do movimento Time’s Up no Oscar 2018.

 

Enfim, diante de tantos momentos importantes, apresentações emocionantes e discursos impactantes, nós tivemos as premiações. No geral não tivemos surpresas nas principais categorias, mas isso não quer dizer que não tivemos méritos nas escolhas. Confiram abaixo a lista dos vencedores:

MELHOR FILME

  • A Forma da Água;
  • Corra!;
  • Dunkirk;
  • Lady Bird – É Hora de Voar;
  • Me Chame Pelo Seu Nome;
  • O Destino de Uma Nação;
  • The Post – A Guerra Secreta;
  • Trama Fantasma;
  • Três Anúncios para Um Crime.

 

MELHOR ATOR

  • Daniel Day-Lewis (Trama Fantasma);
  • Daniel Kaluuya (Corra!);
  • Denzel Washington (Roman J. Israel, Esq.);
  • Gary Oldman (O Destino de Uma Nação);
  • Thimotée Chalamet (Me Chame Pelo Seu Nome).

 

MELHOR ATRIZ

  • Frances McDormand (Três Anúncios para Um Crime);
  • Margot Robbie (Eu, Tonya);
  • Meryl Streep (The Post – A Guerra Secreta);
  • Sally Hawkins (A Forma da Água);
  • Saoirse Ronan (Lady Bird – É Hora de Voar).

 

MELHOR DIRETOR

  • Greta Gerwig (Lady Bird – É Hora de Voar);
  • Guillermo del Toro (A Forma da Água);
  • Jordan Peele (Corra!);
  • Christopher Nolan (Dunkirk);
  • Paul Thomas Anderson (Trama Fantasma).

 

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

  • A Grande Jogada (Aaron Sorkin);
  • Artista do Desastre (Scott Neustadter e Michael H. Weber);
  • Logan (Scott Frank, James Mangold e Michael Green);
  • Me Chame Pelo Seu Nome (James Ivory);
  • Mudbound (Virgil Williams and Dee Rees).

 

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

  • A Forma da Água (Guillermo del Toro);
  • Corra! (Jordan Peele);
  • Doentes de Amor (Emily V. Gordon e Kumail Nanjiani);
  • Lady Bird – É Hora de Voar (Greta Gerwig);
  • Três Anúncios para Um Crime (Martin McDonagh);

 

MELHOR ATOR COADJUNVANTE

  • Chritopher Plummer (Todo o Dinheiro do Mundo);
  • Richard Jenkins (A Forma da Água);
  • Sam Rockwell (Três Anúncios para Um Crime);
  • Willem Dafoe (Projeto Flórida);
  • Woody Harrelson (Três Anúncios para Um Crime);

 

MELHOR ATRIZ COADJUNVANTE

  • Allison Janney (Eu, Tonya);
  • Laurie Metcalf (Lady Bird – É Hora de Voar);
  • Leslie Manville (Trama Fantasma);
  • Mary J. Blige (Mudbound);
  • Octavia Spencer (A Forma da Água);

 

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA

  • Corpo e Alma (Hungria);
  • Desamor (Rússia);
  • O Insulto (Líbano);
  • Uma Mulher Fantástica (Chile);
  • The Square – A Arte da Discórdia (Suécia).

 

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO

  • A Bela e a Fera;
  • A Forma da Água;
  • Blade Runner 2049;
  • Dunkirk;
  • O Destino de Uma Nação.

 

MELHOR FOTOGRAFIA

  • A Forma da Água (Dan Laustsen);
  • Blade Runner 2049 (Roger Deakins);
  • Dunkirk (Hoyte van Hoytema);
  • Mudbound (Rachel Morrison);
  • O Destino de Uma Nação (Bruno Delbonnel);

 

MELHOR FIGURINO

  • A Bela e a Fera;
  • A Forma da Água;
  • O Destino de Uma Nação;
  • Trama Fantasma;
  • Victória e Abdul.

 

MELHOR CABELO E MAQUIAGEM

  • Extraordinário;
  • O Destino de Uma Nação;
  • Victoria e Abdul – O Confidente da Rainha.

 

MELHOR CANÇÃO

  • Mighty River (Mudbound);
  • Mystery of Love (Me Chame Pelo Seu Nome);
  • Remember Me (Viva – A Vida é Uma Festa);
  • Stand Up for Something (Marshall);
  • This Is Me (O Rei do Show).

 

MELHOR EDIÇÃO

  • A Forma da Água;
  • Dunkirk;
  • Em Ritmo de Fuga;
  • Eu, Tonya;
  • Três Anúncios para Um Crime;

 

MELHOR MIXAGEM DE SOM

 

MELHORES EFEITOS VISUAIS

  • Blade Runner 2049;
  • Guardiões da Galáxia Vol. 2;
  • Kong – A Ilha da Caveira;
  • Star Wars: Os Últimos Jedi;
  • Planeta dos Macacos: A Guerra.

 

MELHOR EDIÇÃO DE SOM

  • A Forma da Água;
  • Blade Runner 2049;
  • Em Ritmo de Fuga;
  • Dunkirk;
  • Star Wars: Os Últimos Jedi.

 

MELHOR ANIMAÇÃO

 

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO

  • Dear Basketball;
  • Garden Parl;
  • Lou;
  • Negative Space;
  • Revolting Rhymes.

 

MELHOR CURTA

  • Dekalb Elementary;
  • My Nephew Emmet;
  • The 11 o’clock;
  • The Silent Child;
  • Waty Wote/All Off Us;

 

MELHOR TRILHA SONORA

  • A Forma da Água;
  • Dunkirk;
  • Star Wars: Os Últimos Jedi;
  • Trama Fantasma;
  • Três Anúncios para Um Crime.

 

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM LONGA – METRAGEM

  • Abacus: Small Enough to Jail;
  • Faces Places;
  • Icarus;
  • Last Men in Aleppo;
  • Strong Island;

 

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA – METRAGEM

  • Edith+Eddie;
  • Heaven is a Traffic Jam on the 405;
  • Heroin(e);
  • Kayayo: The Living Shopping Baskets;
  • Knife Skills;
  • Traffic Stop;

 

 

 

 

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