Anna Muylaert | Especial mulheres no cinema

Anna Muylaert nos acompanha já faz algumas gerações e talvez você não saiba

Por mais que suas últimas obras, principalmente as quais atuou como diretora, sejam marcadas por um olhar realista nem sempre foi assim. Anna Muylaert já é um nome conhecido no meio de produções de audiovisual faz algum tempo e, no começo, conversava com as crianças.

Não, ela não era apresentadora de programa infantil e sim esteve entre as roteiristas de dois clássicos da década de 1990: O Mundo da Lua (1991 a 1992) e Castelo Rá-Tim-Bum (1994 a 1997). Ambas atrações marcaram a infância de muita gente e até hoje ainda são lembradas pelas pessoas.

A estreia na direção aconteceu no curta A Origem dos Bebês segundo Kiki Cavalcanti (1995). Uma produção de humor leve que traz a visão de uma criança a partir do que lhe é apresentado quanto à reprodução humana. Esse filme já demonstra o interesse nas questões sociais e de convivência de Muylaert, inclusive no aspecto de realidade.

Depois desse primeiro curta ela faz o longa Durval Discos (2002), nele atua como roteirista e diretora. Produção bastante premiada, em Gramado por exemplo foram cinco categorias diferentes incluindo direção, melhor filme e roteiro. Na história temos novamente uma criança chamada Kiki, mas que acaba vem para mudar a vida de Durval e sua família. Mais uma vez um retrato social e realista de histórias que poderiam acontecer com você ou com alguém ao seu lado.

Em 2009 novamente Muylaert faz o roteiro e direção de um outro longa-metragem: É Proibido Fumar. Nesse há uma fotografia bem mais escura e acompanhamos Baby, uma mulher viciada em cigarro que vive os seus dias no apartamento que herdou da mãe. Tudo ia monotonamente bem até que Max se muda para o apartamento vizinho e eles se apaixonam. Então Baby decide se livrar do vício compulsivo por cigarro, mas entende que nada é tão simples assim.

Antes de Que Horas Ela Volta? (2015), filme de grande destaque, Muylaert também dirigiu e roteirizou um outro longa: Chamada à cobra(2013). Nesse segundo filme é contada a história de uma mãe que recebe uma ligação de traficantes que afirmam terem sequestrado a sua filha mais nova. Em tremendo desespero Larinha faz de tudo para que sua filha fique bem, mesmo sem ter certeza que estão com ela.

Em 2015 é com Que Horas que ela volta¿ que Muylaert atrai todas as atenções. Esse roteiro foi assinado por Muylaert e Regina Case, além de contar com a direção da primeira. Ao trazer as incoerências, injustiças e realidades vividas por uma classe pouco vista, as empregadas, fez a diferença. Com dureza ao mesmo tempo em que é cuidadosa, o longa trabalha nas dores e aspectos muitas vezes ignorados e simplesmente replicados. Com esse filme conquistou diversas premiações, entre elas o Troféu APCA de melhor filme e melhor atriz de cinema, para a interpretação de Regina Casé. Nos Estados Unidos das Américas foi premiado como Melhor filme estrangeiro pelo Critics’ Choice Awards, em 2016.

Foi no ano seguinte que Muylaert lançou Mãe só há uma (2016). Produção em que atua também como roteirista e diretora, e que conta a história do jovem Pierre. Ele vivia com a mãe até que descobre ter sido roubado na maternidade por ela e passa a ter que viver com a sua família biológica. Uma obra em que os laços são tratados de forma até certo ponto dura e que acaba por chocar.

Com mais de 20 anos dedicados à produção de audiovisual brasileira, seja para televisão como para cinema, Anna Muylaert marcou e continuar a marca história. Uma mulher que contribuiu em diversas produções que marcarm a vida das pessoas e até hoje está presente nesse mercado. Sempre com um olhar preocupado em registrar a realidade e o humano sem ter medo de julgamentos ou limitações.

Esse texto faz parte de uma série de outros que trazem nomes importantes do cinema nacional. O primeiro foi publicado na semana passada e falou sobre Norma Bengell. Você tem algum nome para sugerir? Deixe nos comentários!

 

Minha paixão por filmes faz com que eu passe horas e horas assistindo um atrás do outro. Entre meus outros amores estão os livros, cachorros e não recuso um brigadeiro.

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