Crítica: Broadchurch – 1 ª temp – Série ITV (2013)

broadchurch

Broadchurch é prato cheio para os fãs do gênero policial/investigativo. Com oito ótimos episódios e sem nunca tropeçar entre eles, a série é um marco na televisão britânica, com atuações incríveis e uma conclusão surpreendente.

Sinopse:

Voltando ao trabalho depois de merecidas férias, a Detetive Ellie Miller (Olivia Colman) não esperava por surpresas prestes a assumir a chefia da polícia local de Broadchurch, uma pacata cidade no litoral da Inglaterra. Porém, o seu futuro cargo é concedido a um forasteiro, o Detetive Alec Hardy (David Tennant), um homem turrão e introspectivo.

Vindo à calmaria de Broadchurch para talvez “clarear a mente”, Hardy não podia prever a tragédia que balançaria as estruturas de toda a cidade e colocaria em prova a confiança de seus moradores: Danny Latimer, um menino de apenas 11 anos, é encontrado morto numa praia e todos os seus conhecidos são suspeitos.

Dividida em oito ótimos episódios, a primeira temporada de Broadchurch é um obra prima redondinha e, no mínimo, de tirar o fôlego. Criada por Chris Chibnall, a série conta com a direção talentosa de James Strong e Euros Lyn, diretores britânicos de séries como Doctor Who (BBC), Black Mirror (Channel 4) e Demolidor (Netflix). A fotografia, bem como o ritmo que a história é contada são excelentes, trabalho finíssimo que justifica os multos prêmios que a produção recebeu em solo britânico, além do sucesso de público.

E como toda boa série policial e investigativa, Broadchurch tem um invejável poder de sedução e de causar curiosidade no espectador: ao longo que a história apresenta os personagens e molda um caráter duvidoso para cada um deles, quem está assistindo não sabe mesmo de quem suspeitar. Um close bem selecionado num olhar malicioso e pronto, o espectador tá suspeitando do carteiro, da dona do hotel local e até do cachorro da vizinha.

E a série justifica bem cada um de seus passos, sem nunca deixar pontas soltas. E final é tão surpreendente e bem bolado, que só resta ao espectador a expressão de queixo caído e um “nossa, mas era óbvio… aliás, não era, não! Jesus!” Mas claro, sem spoilers nesse artigo, confira a obra e confirme o que leu aqui.

Começando com foco na família Latimer, o roteiro coloca a detetive Miller em situação de desconforto (1) por não ter experiência com assassinatos, uma vez que Broadchurch é muito pacífica, e também (2) por ela ser uma típica mãe de família bondosa e amiga de todos: quando o pai de Dany, e o jornaleiro local, e uma vizinha estranha da comunidade são os principais suspeitos do crime, a protagonista precisa colocar a paixão de lado e usar a razão, confrontada pelo chefe e parceiro Hardy, que se guia sempre pela cartilha: “Todos são suspeitos, não confie em ninguém”.

E assim a história conduz aos muitos suspeitos, à mídia curiosa e cruel, às famílias afetadas pela tragédia e, no ponto de vista de Hardy e Miller – com mais foco no homem, – à devastadora conclusão desse caso tão triste e que realmente cativa o espectador.

O elenco de Broadchurch, absolutamente talentoso, é outro deleite aos apaixonados por um bom drama e atuações grandiosas. Começando pelos coadjuvantes, destacam-se Jodie Whittaker, que interpreta a mãe de Dan, Beth Latimer. Além de perder o filho caçula, outros dois ou três acontecimentos abalam a mulher, e a atuação de Jodie é realmente poderosa.

Para os fãs de Harry Potter, além do protagonista Hardy (Tennant é Bartolomeu Crouch Jr. na franquia), o medonho Argo Filch também compõe o elenco da série: Dadid Bradley vive Jack Marshall, o jornaleiro para quem Dan trabalhava e que se torna um suspeito. Por sua interpretação aqui, Bradley ganhou seu primeiro BAFTA Award, já aos 71 anos de idade.

Por fim, o protagonismo é divido entre dois atores “convidados”: Olivia Colman e David Tennant foram as primeiras opções para liderar a série, e sequer precisaram fazer testes para os personagens. Tennant carrega bem o drama de um policial fisicamente abatido e com um passado terrível e obscuro, enquanto Olivia Colman…

Bom, Colman ganhou seu terceiro (de quatro) BAFTA pelo trabalho em Broadchurch. Miller é uma personagem tridimensional, policial competente e mãe de família dedicada, que passa por momentos de verdadeira provação ao longo da temporada. O oitavo episódio, inclusive, tem um dos momentos mais fortes para uma atuação feminina na televisão.

Performance acertada, natural e densa a de Colman. Ela realmente é a Rainha da televisão britânica – quase literalmente, pois estrela a próxima temporada de The Crown (Netflix) como a Rainha Elizabeth II. Vem Emmy por aí!

Por fim, Broadchurch é um prato cheio para os fãs de drama policial/investigativo, com bons personagens, nenhuma enrolação e com momentos de tensão maravilhosos. Caminha sem tropeçar ao longo de seus episódios e entrega um desfecho irretocável.

Levanta debates sobre justiça, confiança e responsabilidade afetiva com muita segurança e tato. Uma série para acompanhar no ritmo que preferir e se surpreender a cada gancho. Um marco!

Galeria:

Trailer:

Compartilhar: