Crítica: Frankie (2020)

Frankie

Frankie é aquele tipo de filme que se mostra uma grata surpresa, embora tenha um grande peso dramático conduz o público com leveza desenrolando sua trama no momento ligeiramente anterior do esperado.

Data de lançamento: 20 de fevereiro de 2020
Direção: Ira Sachs
Elenco: Isabelle Huppert, Brendan Gleeson, Marisa Tomei

Sinopse:

Na bela e introspectiva cidade de Sintra, Portugal, a aclamada atriz veterana Frankie reúne sua família para uma espécie de despedida. Com um câncer em estágio terminal a matriarca busca dar um direcionamento para a vida de seus entes queridos, contudo há uma série de dramas familiares mal resolvidos.

Desde o primeiro segundo de tela de Isabelle Huppert como Françoise Crémont, a Frankie, conseguimos ter uma ideia bem clara de quem é a personagem e do quanto ela domina todos aqueles que estão a sua volta por não se importar em ser ela mesma. Ao longo do filme a imagem forte da veterana vai rachando e o público consegue enxergar as fragilidades decorrentes do entendimento de que a vida dela está chegando ao fim, mas a de todos a sua volta irá continuar.

O premiado diretor Ira Sachs leva o expectador para dentro dos dramas familiares que circundam Frankie. Ao mesmo tempo em que evidencia a dominância da atriz em relação aos demais também a humaniza. Se inicialmente temos a impressão de que Frankie está resignada com seu destino no decorrer da trama podemos perceber seu sofrimento pelo fato de não poder continuar ditando os rumos da vida de seus familiares.

O elenco bastante diverso do filme é muito bem aproveitado em diálogos que tem um viés teatral em que as falas são o mais importante, em quase todo o longa os personagens atuam em duplas, algo que poderia se tornar enfadonho, mas na verdade dá a dinamicidade do andamento da história. O diretor tira o peso do encontro familiar antes da morte da matriarca ao evitar que esse encontro efetivamente aconteça no desenrolar do filme.

Os personagens estão chegando a Sintra para a reunião familiar e enquanto nos guiam por um verdadeiro city tour pelos cenários mais fabulosos dessa região portuguesa – com direito a curiosidades e histórias – vão apresentando também seus dramas interiores.

Todos os personagens tem seu momento no filme, os destaques de atuação além da protagonista ficam para Marisa Tomei que nos faz sentir em nosso amago o desconforto de sua personagem diante de não ter as respostas esperadas e Brendan Gleeson, que interpreta o marido de Frankie, e passa longos períodos num sofrimento silencioso que chega a ser mais violento do que qualquer explosão emocional.

A fotografia do filme é impecável, os lindos cenários além da função plástica ajudam a contar a história, em particular na sequência final em Peninha. De fundo a trilha sonora de um melancólico piano não nos deixa esquecer que a qualquer momento Frankie pode dar seu adeus, é como se simplesmente as teclas fossem deixar de soar a qualquer instante. Filme interessante para quem gosta de diálogos com maior profundidade e um drama com dinamicidade sem cair em exageros.

Galeria:

Trailer:

Compartilhar: