Crítica: Jojo Rabbit (2020)

Jojo Rabbit é um filme que tem um tema pesado, mas consegue entregar com maestria um humor leve que não desconsidera todos os fatos históricos

Data de lançamento: 6 de fevereiro de 2020

Direção: Taika Waititi

ElencoRoman Griffin DavisThomasin McKenzieScarlett Johansson

Sinopse:

Jojo Betzler é um garoto que cresceu vendo o nazismo instaurado em seu país, e por sua ingenuidade acredita em tudo que essa ideologia prega. Mas ao ser confrontado com a possibilidade de que Hitler estava errado, o menino tem de crescer e entender que o mundo não precisa de preconceitos.

Jojo Rabbit é um filme que tinha tudo para ser grosseiro, já que falar do nazismo ainda é extremamente delicado e ainda continua sendo um tema que mexe com o mundo inteiro. Mas por incrível que pareça, o que acontece aqui é o extremo oposto.

Taika Waititi, roteirista e diretor do longa, decidiu que queria dar um tom cômico ao longa, e fazendo isso, buscou mostrar uma perspectiva infantil e lúdica para o filme, e esse é um triunfo enorme do texto de Waititi, que é cheio de nuances e variações.

Inclusive o próprio diretor Neo Zelandês interpreta Hitler no filme. Com maneirismos exagerados e parecendo extremamente infantil, o personagem mostra desde o começo que o ponto de vista do filme pertence à Jojo, e ele não passa de um amigo imaginário fruto da solidão de um garoto.

Já Jojo, interpretado pelo incrível Roman Griffin Davis, tem sua perspectiva exposta de maneira muito interessante. A direção em conjunto com a atuação entregam ao público um menino decidido, que acaba ficando confuso por descobrir como o mundo realmente é.

A interação de Jojo com as personagens secundárias Rosie Betzler e Rose é cheia de coração e química, e isso acrescenta muito ao longa, assim como a amizade inocente que Jojo tem com o personagem Yorki, que é essencial para o filme.

A direção, cumpre um papel primordial, já que o filme depende muito de seu timing, tanto para piadas quanto para as partes mais dramáticas que vão dando as caras com o passar do primeiro ato e tudo flui perfeitamente, até o final do segundo ato do filme, que acaba soando um pouco arrastado, mas nada que prejudique a experiência.

A trilha sonora segue muito bem a proposta do filme, sendo lúdica, fantasiosa e muitas vezes cômica até, complementando tudo o que o público vê em tela de maneira entrosada.

Por fim, Jojo Rabbit é uma obra que comprova que Taika Waititi tem um toque único para o humor. Indo do lúdico ao realista, o filme consegue envolver o público e fazer com que todos sejam transportados para dentro da cabeça de seu protagonista de maneira muito sutil, e essa é a grande sacada do longa.

Galeria:

Trailer: