Crítica: Luta por Justiça (2020)

Luta por Justiça

Luta Por Justiça é baseado numa história real e que nos apresenta uma mensagem especialmente relevante, mas que peca um pouco no desenvolvimento de questões dramáticas em seu roteiro.

Data de lançamento: 20 de fevereiro de 2020
Direção: Destin Daniel Cretton
Elenco: Michael B. Jordan, Jamie Foxx, Brie Larson

Sinopse:

O advogado Bryan Stevenson (Michael B. Jordan), recém-formado em Harvard, recusa diversas propostas promissoras de trabalho na Costa Leste para se mudar para o Alabama e assumir a defesa de casos de condenados do corredor da morte que não receberam acompanhamento legal justo. Em sua jornada ele conhece a história de Walter McMillian (Jamie Foxx), acusado de assassinar uma jovem branca sem nenhuma evidência e tendo como base um depoimento duvidoso de outro criminoso.

Algo muito interessante sobre o filme “Luta por Justiça” é a forma como a história real é contada, o longa não dá voltas de idas e vindas no roteiro, tudo acontece linearmente. Essa narrativa se dá dessa forma para causar no expectador um incomodo crescente diante de todas as injustiças sofridas pelos personagens que não tem a pele branca, fica evidente que o racismo, nem um pouco mascarado, dessa região norte-americana é o suficiente para condenar pessoas inocentes à morte.

O fato do espectador ser levado para dentro da trama junto com um dos protagonistas, o advogado Bryan Stevenson (Michael B. Jordan), permite passar pelas mesmas fases que ele – indignação, incredulidade e desejo de mudar as coisas – diante do cenário lastimável de uma justiça corrupta e cega. Aos poucos o filme nos faz compreender que não se trata de uma luta por justiça apenas, mas sim de uma luta muito maior contra o sistema racista estabelecido.

Embora seja um ótimo filme, Luta por Justiça, tem alguns pequenos problemas, sendo o primeiro deles ter uma história verídica tão densa para contar em pouco de mais de duas horas. Questões dramáticas pontuais como a decisão do advogado de abrir de uma vida lucrativa e confortável – debatida no início do longa e completamente esquecido depois de alguns minutos – e a sua própria dificuldade por ser um homem negro numa posição de poder numa sociedade racista passam um pouco despercebidas.

O roteiro usa o recurso de apresentar aos poucos os elementos que tornam a condenação de McMillian sem nenhum embasamento, mas como é uma história real o público já conhece boa parte desses fatos. Parte desse esforço narrativo poderia ter sido substituído por mais foco no desenvolvimento dos dramas pessoais de Stevenson – um homem real que tem mais complexidade do que foi passado na tela – e da personagem Eva (Brie Larson).

Eva não tem uma participação muito ativa na história, há uma carência de compreender como essa mulher que foi tão relevante no contexto real ficou deixada de lado sem ter seu próprio arco dentro da trama. A família do condenado McMillian é outro ponto pouco desenvolvido.

O longa optou por não abordar o impacto da condenação nas condições de vida da esposa Minnie (Karan Kendrick) e dos filhos, mais um ponto dramático esquecido. Algo que se repete com as histórias dos outros condenados, Herbert (Rob Morgan) e Anthony (O’Shea Jackson Jr.).

Trata-se de um excelente filme para nos fazer refletir a respeito de questões estruturalmente racistas entranhadas em nossa sociedade e como a justiça muitas vezes pode ser antagonista da pobreza. Contudo, como um roteiro cinematográfico tem seus problemas narrativos, mas a poderosa mensagem de que nenhuma situação é imutável para que aqueles que lutam e acreditam em sua caminhada se sobrepõe fazendo com que seja positiva a experiência de assistir ao filme.

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