Crítica: O Segredo de Nora (2018)

O Segredo de nora

O Segredo de Nora é a prova de que tudo que é de mais passa da conta…

Lançamento: 30 de agosto de 2019

Sinopse:

Desesperada para que o segredo do marido não seja revelado, a esposa de um político luta para acabar com ameaças que poderiam arruinar a nova vida do casal.

Você é capaz de guardar o segredo de quem você ama por quanto tempo? – Basicamente esse é o slogan do filme espanhol que é vendido como thriller político/suspense.

Temas relevantes como corrupção, política, feminismo, causas de movimentos sociais, vem sendo tratados com mais frequência nas mais diversas produções cinematográficas, e, O Segredo de Nora é um desses filmes que tem como objetivo abordar a corrupção dentro da política.

Logo no início o espectador tem sua atenção voltada totalmente a história que é repleta de mistérios e peças de quebra-cabeça que são soltas pelo longa, mas é a partir do segundo ato que esse cenário muda e não fica certo o que o espectador de fato está assistindo.

Nora guarda um segredo que pode acabar com a carreira política do marido. Victor recebe por manter essa história em segredo. Abel não faz ideia do que pode acontecer com sua carreira política caso uma história do passado volte aos dias atuais. E é a partir daqui que tudo se torna confuso e sem aprofundamento algum.

O problema é que o roteiro e direção se mostraram ambicioso bem no começo e depois de apresentar o núcleo principal, a impressão que o espectador tem é que não tem mais o que ser contado por boa parte da história, ou seja, o segredo é mantido até os 30 minutos finais do filme, o que compromete o desenvolvimento de tudo e de todos dentro do filme.

Com uma rodagem um tanto arrastada e cansativa, o espectador se vê perdido em meio a tantos personagens e histórias contadas em seus 25 minutos de filme, e logo o desinteresse por saber quem é quem bate a porta. O único interesse (melhor dizendo, curiosidade) que ainda permeia é descobrir sobre o segredo que Nora guarda e isso pode fazer com que o espectador avance alguns minutos do filme para ter a resposta que tanto deseja.]

O elenco é bom, cumpre com o prometido e deixa explícito que o problema não é a história de cada personagem e sim o roteiro que não permitiu que suas personalidades fossem de fato exploradas. Natalia de Molina que interpreta Nora, entrega uma personagem sensível e que está disposta a mover céus e terras pelo marido – mas o roteiro não cria espaço para a tal proteção que ela quer dar para seu amado. Ignacio Mateos, que assume o papel de Victor, o antagonista da história, entrega um personagem complexo e problemático, mas que também não tem espaço suficiente para contar sua história.

É como dizem por ai… tudo que é de mais passa da conta, e isso é confirmado em O Segredo de Nora. Muitos personagens, muita coisa a ser desenrolada e pouco espaço para tanta informação, uma pena, ele poderia sim ter sido um longa extremamente relevante e impactante para o público.

Quando o espectador percebe que chegou no ato final, ele sente o gosto amargo do arrependimento por ter ficado tanto tempo esperando a revelação de um segredo que é contado às pressas e bem de qualquer jeito. No final das contas, O Segredo de Nora é um filme raso, com um roteiro ambicioso que foi mal desenvolvido e que faz com que o espectador assista do filme em segredo.

Galeria:

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