Crítica: Querido Menino (2018)

Uma biografia bem intencionada sobre feridas abertas e o impacto do vício no seio familiar, mas que peca por ser rasa e arrastada.

Lançamento: 21 de Fevereiro de 2019

Direção: Felix Van Groeningen

Elenco: Steve Carell, Timothée Chalamet, Maura Tierney

Sinopse:

David Sheff (Carell) é um conceituado escritor que luta para manter seu filho, Nic Sheff (Chalamet) longe do vício em drogas. Mesmo com um lar preocupado e estadias na reabilitação, o jovem Nic, de 18 anos, não apresenta melhoras, enquanto seu pai encara o desgaste da família e lida com o peso da culpa, uma vez que se vê responsável pela situação do garoto.

Baseado no livro homônimo do próprio David Sheff, Querido Menino conta a trajetória do pai durante o vício em metanfetamina que o filho passou. Aqui, Carell é o protagonista – pelo menos até o começo do terceiro ato – e Chalamet faz aparições que destacam a relação conturbada entre os dois.

E são exatamente as cenas de diálogo entre os personagens principais que fazem o filme valer o ingresso. Carell está em boa forma, apesar de não ser sua melhor atuação, mas não consegue manter o espectador tão focado em si (principalmente durante as várias cenas silenciosas e contemplativas que compõem a obra). Mas é só Chalamet entrar em cena e confrontar a persona do pai, que os dois dão um show de atuação, com total destaque para o mais novo.

Vindo de uma indicação a Melhor Ator por “Me Chame pelo Seu Nome” (2017), houve a expectativa para uma nova indicação ao Oscar para Chalamet, o que acabou não acontecendo, muito também pela falta de força do filme (que é fraco, sim), mas ele está muito bem aqui e a esnobada da Academia pode ser questionada.

Quanto ao que diz respeito a estrutura do filme, Querido Menino tem sérios problemas na direção, roteiro e montagem. Cortes demais, trilha sonora que não convence ou emociona, ângulos mal selecionados, e tantas cenas repetitivas e momentos arrastados, que o espectador pode sentir que entrou num loop e que o filme não vai acabar nunca.

Talvez o diretor quisesse passar uma sensação de angustia por parte do protagonista, que está desesperado e de mãos atadas diante da situação, mas ele acaba deixando o filme tão lento que num dado momento o espectador nem se importa mais com os personagens. E tem tanta enrolação, que por várias vezes você pode se perguntar “precisava mesmo disso?”

Em resumo, Querido Menino se sustenta em seus dois únicos pilares: as grandes atuações de Chalamet e Carell – que talvez saia um pouco do ponto no terceiro ato, – e deixa tanto de funcionar sem eles, que talvez passasse desapercebido com outros atores no elenco. Premissa interessante, execução falha.

Galeria:

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