Crítica: Thelma (2017)

O escolhido norueguês para concorrer ao Oscar de filme estrangeiro, não ficou entre os finalistas mas ainda assim é um ótimo drama.

Lançamento: 30 de novembro de 2017
Direção: Joachim Trier
Elenco: Eili Harboe, Kaya Wilkins, Henrik Rafaelsen

Sinopse

Thelma é uma jovem universitária que foi criada em uma família religiosa, as coisas começam a mudar para ela quando começa a ter sentimentos por uma amiga da faculdade, fazendo assim com que ela desperte estranhos poderes sobrenaturais.

Um drama disfarçado em thriller psicológico, Thelma apresenta uma proposta original sobre como os traumas da infância, mesmo fantasiosos, e a condução religiosa podem nos transformar em pessoas inseguras e ao mesmo tempo temerosas quanto ao contato social. Após o sucesso de Mais Forte Que Bombas (2015), o diretor norueguês Joachim Trier retornou a sua terra natal e fez belo drama, que foi o escolhido da Noruega para concorrer ao Oscar mas não conseguiu ficar entre os cinco finalistas.

O enredo gira em torno de Thelma (Eili Harboe), uma jovem e insegura universitária. Sua insegurança se deve ao fato de sua criação religiosa, cristianismo, onde ela mantém um contato constante com seus pais pelo telefone. Apesar de parecer uma jovem saudável, sua rotina muda ao ter um ataque epilético no meio da biblioteca da faculdade, desse modo ela acaba fazendo amizade com uma das estudantes que lhe ajudou, Anja (Kaya Wilkins). Conforme a amizade das duas vão se desenvolvendo Thelma começa a ter sentimentos por Anja, mas mesmo que seja algo recíproco ela se contém devido a sua religião. No entanto, tal sentimento começa a despertar em Thelma poderes sobrenaturais que ela mesmo desconhecia, e ao passar por médicos e pelo histórico de sua família descobre que seus poderes foram omitidos devido a um trauma de infância.

Por mais que o inicio do longa tenha seja da maneira mais enigmática possível, com o passar do filme o espectador fica ciente que a cena inicial foi apenas a ponta do iceberg. Visto que, quando tudo indicava que o filme seria apenas mais um drama familiar e sobre a insegurança quanto a sexualidade, o longa se mostra com características de fantasia e em alguns momentos passa a impressão de que iria se transformar em um filme de terror, mas toda ambientação criada por Trier foi apenas para demonstrar o quão danificada Thelma era por dentro. Sua infância foi marcada por um grande choque devido aos poderes que ela mesmo não conseguia controlar e a solução criada por sua família foi a de prendê-la dentro de uma religião.

Mas se não bastasse o longa abordar as dificuldades do ambiente familiar devido ao passado, ele também tenta demonstrar, de uma maneira quase sutil, as dificuldades que as pessoas encontram ao assumir sua identidade sexual. Thelma tem sentimentos por sua amiga e por mais que queira demonstrar ou seguir seus impulsos, ela se controla devido a sua religião ou mesmo temendo o que pode acontecer ao ter seu poder desconhecido liberado. A ponto que ao ter seu primeiro beijo com Anja sua reação ao chegar em casa é orar e pedir perdão.

Thelma tem uma proposta interessante, de fato o filme não foi feito apenas para servir como um simples entretenimento mas também para marcar aqueles que o assistem. As imagens criadas pelo diretor norueguês demonstram uma grande meticulosidade ao tentar criar todo o sofrimento da personagem. Seja pela icônica cena da cobra entrando pelo boca de Thelma ou mesmo o banho na pia que seu pai lhe dá devido as altas dosagens do remédio. Um outro grande fator que contribui para a beleza de tais imagens é a fotografia de Jakob Ihre, o tom escuro adotado em muitas cenas combinam com o ambiente quase claustrofóbico em que Thelma vive.

Para aqueles que procuram uma abordagem diferente quanto ao relacionamento familiar, religioso e sexual vão encontrar aqui bons momentos.

Quatro baldes de pipocas.

Crítica por: Paulo R. Azevedo

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