Crítica: Uma Dobra No Tempo (2018)

O que aconteceu, Disney? 

Lançamento: 29 de março de 2018
Direção: Ava DuVernay
Elenco: Storm Reid, Oprah Winfrey, Reese Witherspoon
Sinopse:

Os irmãos Meg (Storm Reid) e Charles (Deric McCabe) decidem reencontrar o pai (Chris Pine), um cientista que trabalha para o governo e está desaparecido desde que se envolveu em um misterioso projeto. Eles contarão com a ajuda do colega Calvin (Levi Miller) e de três excêntricas mulheres em uma ousada jornada por diferentes lugares do universo.

As Adaptações de literatura para o cinema geralmente passam por extremos sendo eles: um completo sucesso ou um completo fracasso. Agora, a diretora Ava DuVernay assumiu a responsabilidade de trazer um clássico da literatura infatojuvenil estadunidense, publicado há quase 60 anos por Medeleine L’Engle, Uma Dobra no Tempo. Para os que não conhecem a obra literária, ela é repleta de fantasia, luta do bem contra o mal, viagem ao desconhecido, seres misteriosos e mensagens necessárias e importantes para o leitor.

O filme conta a história de fuma família que sofre há quatro anos pelo desaparecimento de Dr Alex Murry, mas a situação não fica por muito mais tempo, pois três guerreiras do bem do universo chegam para ajudar Meg e Charles Wallace, filhos do cientista perdido. Com o auxilio da Sra Queé, Sra Quem e Sra Qual e na companhia do mais novo amigo Calvin, os irmãos enfrentarão diversos obstáculos para encontrar seu pai, dentro deles Camazotz, onde a escuridão predomina, espalhando o mal por todo o universo. Diante disso, eles terão de enfrentar batalhas e acreditar em sua luz interior para vencer o medo e poder trazer o cientista de volta para casa.

A fantasia é um dos gêneros que mais impressiona e agrada o espectador, principalmente pela maneira que ele transporta para o inimaginável, para os sonhos e para a beleza estética da produção, e a diretora Ava DuVernay, conhecida pelo excelente Selma: Uma Luta pela Igualdade, assumiu o risco de mais uma adaptação para o cinema, risco esse que rendeu comentários não tão positivos para a produção, principalmente pelo fato do espectador mais atento saber que a história já havia sido contada nos cinemas em 2003, que também foi assinada pelos estúdios Disney.

É bonito ver como o cenário em Hollywood mudou ao longo de tantas lutas pela representatividade, logicamente que ainda se tem um longo e árduo caminho a percorrer, aqui temos a voz da mulher no poder, tanto na direção quanto no elenco, e não apenas as mulheres, mas também a representatividade negra dentro do cinema – o que é sim extremamente importante.

Não fica muito claro o porque da diretora ter escolhido a extravagância na produção, ou seja, tudo é muito belo, charmoso e encanta o espectador, mas tal escolha faz com que o filme se torne duvidoso pelo exagero, ao que tudo indica, o famoso ditado “menos é mais” não esteve aqui presente. Esqueçam a história de que o filme cativa o público adulto, longe disso, ele é totalmente direcionado ao infanto-juvenil e isso se confirma quando o roteiro é apresentado e se comunica de maneira tão clara e objetiva com seu público.

O fato é que o filme não tinha como enfrentar grandes dificuldades em sua rodagem, principalmente pelos nomes dos roteiristas que são de extrema competência e fizeram o público delirar com entregas anteriores (Jennifer Lee e Jeff Stockwell), mas graças ao exagero o filme acaba entrando em um labirinto de histórias intermináveis e isso faz com que o espectador fique exausto por tanta aventura, cores e imagens excessivas durante o percurso. É uma pena ver que a produção trabalhou arduamente em algo que se tornou um tiro no pé.

O elenco é extremamente bem formado, todos os personagens são bem construídos e despertam a simpatia do público, em especial Storm Reid, que vive a jovem Meg Murry. A jovem atriz consegue despertar os mais diversos sentimentos no público, ela desperta empatia com o desejo do reencontro e defende muito bem seu papel. Obviamente que quem chama de fato a atenção do espectador são as três veteranas, Mindy Kaling, Reese Whiterspoon e Oprah Winfrey. Kaling da vida a “feiticeira” letrada, Sra. Quem que se comunica apenas por citações; Reese conhecida por ser a estrela da série Big Little Lies, interpreta a Sra Quequeé, uma agitada figura mágica que desperta a simpatia do público, e claro, um dos maiores nomes da produção Oprah Winfrey da vida a Sra Qual, líder do grupo e a mais experiente de todas.

O maior problema encontrado no elenco é a maneira que a produção joga a responsabilidade nas costas de Winfrey, sua grandeza é tanta que rouba o espaço dos demais personagens e isso apenas confirma a teoria de que Oprah precisava brilhar mais do que todo o elenco e isso faz com que o filme perca forças. Não fica exatamente claro o porquê de tanto endeusamento em cima de Oprah, mas fica nítido que seu nome se sobressai entre as demais mulheres influentes da TV americana. Tanto brilho em Oprah e um desperdício no restante do elenco, prova disso é a maneira que o roteiro acaba estragando o personagem “salvador de cena”, vivido pelo jovem Deric McCabe, que se mostrou muito bem na pele de Charles Wallace.

De forma geral, Uma Dobra No Tempo serve como uma excelente experiência para o público alvo, mas se direcionado para o espectador mais experiente e até mesmo exigente, ele acaba sendo um filme cansativo, perdido e exageradamente extravagante, tornando uma adaptação que tinha tudo para ter sido um completo sucesso em apenas mais um filme que logo será esquecido graças as escolhas da produção. Se você não conhece a obra literária, é recomendado que leia e ai sim terá uma maravilhosa experiência. O filme diverte, entretém e durante seu decorrer consegue passar sua mensagem de maneira bem objetiva (o que era de se esperar quando comparado a obra literária), mas nada além disso.

Crítica por: Gabriel Miura

Galeria:

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