Crítica: O Grito: Origens – 1ª Temp -Série Netflix (2020)

O Grito: Origens

A série O Grito: Origens consegue conquistar a atenção do público no início, mas se perde em meio a tantos personagens e se torna uma maldição para os que buscam algo novo e ou original…

Pensando em reciclar, e, até mesmo ser original ao contar a origem da maldição que teve início na franquia de terror criada por Takashi Shimizu, a Netflix aposta em uma série composta por 6 episódios de 30 minutos cada, onde a idéia é  contar ao público a origem da maldição e como tudo tomou a proporção que já foi visto nos filmes anteriores. Porém, esse é o maior problema: tentar contar a origem de algo que não tem mais necessidade.

Em pleno 2020 a indústria cinematográfica entregou um remake de O Grito que foi dirigido por Nicolas Pesce, desagradou os fãs em todos os quesitos e se tornou mais um filme de fracasso ao lado de O Grito 2 e O Grito 3, de 2006 e 2009 respectivamente. Mas ao que tudo indica, mesmo com uma história saturada, tem quem precise contar como tudo começou – mesmo sem se envolver os filmes anteriores.

De toda maneira, a série apresenta um começo promissor e muito interessante. Os dois primeiros episódios são o segredo para ganhar a confiança do público em continuar a assistir a série. Ambos muito bem construídos e com um roteiro que aposta não somente no terror, mas tem como foco principal poder apresentar e desenvolver as personagens que são apresentadas, porém, não fica muito claro o que acontece com a produção que consegue fazer com que o espectador se sinta cansado por conhecer tão a fundo algo que poderia ser desenvolvido ainda mais nos próximos episódios.

É bacana ver que a ideia da direção é abordar o início da maldição, o porquê do miado do gato e como as pessoas tem uma morte violenta e cruel vindas da casa. Mas com o decorrer da história o espectador percebe que foi somente uma ideia. Todo aquele suspense e mistério inicial acabam ficando de lado e dando espaço ao terror psicológico e também ao gore – o que não compromete o desenvolvimento da série, mas que tenta impactar e prender o espectador que se vê perdido em tantas informações.

O maior problema que O Grito: Origens enfrenta é justamente o que os filmes não apresentaram até então: a falta de história. Quando o espectador chega em um determinado episódio, ele percebe que não terá muitas surpresas e passa a ficar confuso, principalmente com o salto temporal que a série tem de 1988 a praticamente os dias atuais. Além disso, o roteiro mostra que não tem mais o que contar já que inseriu vários personagens secundários e histórias paralelas sem sentido e ou aprofundamento, causando ainda mais desinteresse no espectador que já chega nos episódios finais.

Mas sabemos que nem tudo é ruim. Como dito anteriormente, a série apresenta pontos legais e bem estruturados, o elenco é competente e entrega o prometido para uma história que busca ser original e contar o início de tudo. Em termos técnicos, a fotografia e trilha sonora conseguem ganhar o coração do público, principalmente aos que conhecem os filmes japoneses.

Por fim, é certo dizer que a ideia de trazer uma história já saturada pela indústria cinematográfica é no minimo ousada e arriscada, a produção acerta em metade da receita para fazer a série dar certo, apresenta personagens interessantes e desenvolve um suspense necessário para fazer dar certo, mas ela acaba desandando a receita do “bolo” na metade para o final, entregando assim um  desfecho  confuso e fraco, onde deixa a entender que uma segunda temporada de O Grito:Origens de fato irá acontecer – e vamos torcer para isso se concretize, afinal de contas, precisamos entender tudo o que foi mostrado sem explicação.

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