Crítica: Miss Fisher’s Murder Mysteries – 3ª Temp – Série Netflix (2015)

Miss Fisher's Murder Mysteries

Com redução no orçamento a terceira temporada de Miss Fisher’s Murder Mysteries fica devendo alguns desfechos, mas nada que ofusque o brilho de uma das grandes produções australianas dos últimos anos.


Embora a primeira e a segunda temporadas da série tenham sido um grande sucesso de público e crítica houve grande incerteza a respeito do terceiro ano de Miss Fisher’s Murder Mysteries. Pelo fato da trama se passar nos opulentos anos 1920 a série demandava um amplo orçamento de produção e o canal australiano ABC1 cogitou não dar um desfecho para os personagens Phryne Fisher (Essie Davies) e Jack Robinson (Nathan Page).

Esse é um ponto relevante de abordar porque a terceira temporada deixa um pouco a desejar em comparação com os anos anteriores, especialmente por ter apenas 8 episódios – cada uma das duas primeiras temporadas tem 13. Isso fez com que fosse necessário acelerar algumas tramas que precisavam ser melhor divididas pelos episódios.

O fio central dessa temporada é a presença de Henry Fisher (Pip Miller) em Melbourne, o Barão de Richmond e pai da protagonista. A temporada já inicia com o personagem frustrando um encontro romântico de Phyne e Jack, algo que evidencia uma das funções do barão no ano derradeiro da série. Conhecido por gostar de festas e gastar muito dinheiro o personagem ‘fugiu’ de Londres, Inglaterra, para a Austrália e não quer contar para a filha o motivo, mas se envolve em alguns casos investigados pelo inspetor Robinson.

Leia aqui a crítica da segunda temporada

A relação entre Phryne e Henry é bastante tumultuada e embora fique claro que a detetive se ressente da maneira como o pai trata a sua mãe com pouco caso – inclusive se envolvendo com outras mulheres – é perceptível o amor que existe entre eles. Os dois dividem o sofrimento de ter perdido Jane, a irmã de Phryne que foi sequestrada e assassinada quando ela era criança.

A trama de mistério que cerca o pai da protagonista envolve o expectador e deixa claro que tem relação com o passado da família Fisher e a origem de sua fortuna. Mesmo com a redução de orçamento a série entrega episódios absolutamente bem produzidos, as locações e as histórias ajudam a alavancar as brilhantes atuações dos atores que já tem um grande entrosamento em cena.

A quebra fica por conta do afastamento do personagem Hugh Collins (Hugo Johnstone-Burt), o assistente do inspetor, ele decide deixar tudo para trás, inclusive a noiva Dot Williams (Ashleigh Cummings), para se tornar pescador. O objetivo é ter uma remuneração melhor para poder alugar uma casa para dividir com a amada depois do casamento.

Durante esse hiato no relacionamento Dot chega a se envolver com o novo assistente do inspetor, mas como a temporada está reduzida essa subtrama não é devidamente elaborada. Não existe um confronto entre os personagens a respeito de questões que ficaram mal resolvidas, como o fato de Hugh ter dificuldades de aceitar o empoderamento pelo qual Dot passou e dela ter ficado realmente magoada com o sumiço dele. Quando o personagem volta é como se o outro assistente o tivesse substituído inclusive como par romântico da dama de companhia.

Outra personagem que sofre com essa redução de episódios é Tia Prudence (Miriam Margolyes) que tem sua importante trama de perda de um filho mal apresentada na série. Há um episódio todo dedicado a esse tema, mas o drama é jogado de forma abrupta para o público, não existe uma explicação de como tudo acontece. Essas faltas de contextos para as subtramas prejudicam o bom andamento da temporada, mas ainda é uma série que vale a pena assistir até o último episódio.

O final apesar de não ser o desejado pelos fãs da série é o final possível para manter a trama em aberto tanto para a produção do spin-off (Modern Murder Mysteries de Ms Fisher que acompanha a sobrinha de Phryne na década de 1960) como do filme da personagem (Miss Fisher and the Crypt of Tears, lançado em 2020). A base de fãs é muito ativa tendo financiado parte do orçamento da última temporada e o longa metragem lançado em 2020 por meio de crowdfunding.

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